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Dica — Material Didático: Física e Química

Matéria publicada na edição 60 | Agosto 2010 – ver na edição online

Articulando o clássico e o novo.

O atual modelo do ENEM, a grande incorporação das tecnologias de informação no cotidiano das pessoas e o avanço das pesquisas irão obrigar a mudanças do material didático de Física e Química, bem como nas abordagens em sala de aula, nos laboratórios e nas avaliações. No entanto, é preciso reforçar o conhecimento clássico e saber articular “a aplicação prática e tecnológica das teorias”, defende o professor de Física Jacó Izidro de Moura, do Colégio Oswald de Andrade, da zona Oeste de São Paulo. Na área da Química, o professor Luiz Octavio Stocco, diretor do Colégio Dom Bosco, de Curitiba, sugere “resgatar livros paradidáticos que abordam o seu cotidiano”.

Mestre em Física pela USP, Jacó Izidro é autor do blog 12ª Dimensão (http://12dimensao.wordpress.com), colocado à disposição de seus alunos para que se discutam as descobertas mais recentes e tratem de assuntos que às vezes não encontram espaço nas aulas, como as características físicas da bola Jabulani ou o fenômeno da invisibilidade. “É um novo espaço de interlocução com o aluno, uma forma de continuar a aprendizagem fora da sala de aula, mas não se deve abrir mão do laboratório clássico”, diz.

Segundo Izidro, tanto a Física quanto a Química acomodaram-se a “um ensino muito desatualizado, que acabava no século XIX”. Mas o novo perfil da educação e a sociedade tecnológica engendraram um processo de mudança no material didático, ainda assim “lento”, observa o professor. Um dos empecilhos para se avançar um pouco mais reside na falta de conhecimento de Matemática, “de uma bagagem que esse ensino exige e os professores não têm”. Izidro reconhece a complexidade de trabalhar a Física Quântica e a Relatividade junto aos estudantes e a impossibilidade de testar boa parte de seus pressupostos nos laboratórios escolares, mas defende que o material didático traga “uma abordagem mais prática”.

“A Física clássica deve servir como base para isso tudo, o que começa a mudar é que as pessoas não ficam mais restritas a uma única área.” Assim, nos anos finais do Ensino Fundamental II (8º e 9º), é importante abordar noções básicas de estrutura da matéria, “sem entrar no modelo atômico, mas mostrando como esta pode se decompor e como a ciência traz modelos explicativos”. A ideia é estimular a curiosidade científica, diz o professor. Já no Ensino Médio, os conceitos são aprofundados, “avançando nos modelos explicativos, mais abstratos, integrando-os a outros fenômenos e mostrando como a Física vai se aperfeiçoando”.

A abordagem prática deve estar presente também na Química. “O aluno deve ser capaz de reconhecer a aplicabilidade das substâncias em seu cotidiano”, observa o professor Luiz Octavio Stocco, licenciado pela Unicamp e Engenheiro Químico pela mesma universidade. Ou seja, “conhecer a função do bicarbonato de sódio está muito mais ligado ao seu dia a dia do que saber apenas se é composto molecular ou iônico”, explica. Stocco sugere, por exemplo, vincular a Química às discussões em torno da exploração do petróleo na camada do pré-sal. Além disso, “ela é hoje uma ciência transversal e deve dialogar com a Matemática, a Biologia e a Física”, ressalta. O diretor recomenda às escolas adotar livros paradidáticos, como “Vaidade, Vitalidade, Virilidade – a ciência por trás dos produtos que você adora comprar”, de John Emsley (Jorge Zahar/2006) ou as obras de Peter W. Atkins.

Saiba mais:

Jacó Izidro de Moura
Email: [email protected]

Luiz Octavio Stocco
Email: [email protected]

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