dezembro 13, 2011

Conversa com o Gestor — Colégio Objetivo de Indaiatuba

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Matéria publicada na edição 74 | Dezembro 2011 – ver na edição online

img68Em palestra recente, o pensador francês Bernard Charlot defendeu que as escolas voltem a “articular o ensinar e o aprender” qualquer que seja seu modelo pedagógico. É necessário persistir no tempo e na disciplina que a aprendizagem demanda e imprimir-lhe um sentido prazeroso, a despeito do imediatismo com que a sociedade compartilha suas experiências hoje, disse. Essa reflexão vem à tona quando se observa o projeto construído pelo Colégio Objetivo de Indaiatuba nos últimos doze anos. Assumindo uma instituição pré-falimentar, a atual mantenedora conseguiu projetar-lhe uma identidade de ensino tradicional e forte, conquistou pais, alunos e comunidade, e transformou sua equipe na principal divulgadora de seus sonhos e propósitos.

Indaiatuba é uma típica cidade média do Interior paulista, distante 100 quilômetros da Capital e bem próxima a outra metrópole, o município de Campinas. Entre elas se coloca o Aeroporto Internacional de Viracopos, além de indústrias modernas instaladas nas imediações principalmente nos últimos quinze anos. É uma das cidades que mais cresceram na última década no país, ultrapassando hoje os 200 mil habitantes. Mas há doze anos, quando Loide Valim Boldori Righetto Rosa chegou à cidade, Indaiatuba ainda não tinha muito jeito de cidade grande. Parecia um refúgio da população mais rica de São Paulo e da vizinha Campinas, para onde, aliás, se dirigiam moradores que procuravam melhor oportunidade de emprego e estudo. Graduada em Administração de Empresas, Loide Rosa fez uma aposta ousada na época: então funcionária do Colégio Objetivo de Sorocaba, também na região, onde atuara na área de recursos humanos e como coordenadora pedagógica, adquiriu o quase insolvente Colégio Objetivo de Indaiatuba, com apenas 135 alunos em todo o ciclo escolar – da Educação Infantil ao Ensino Médio. Havia salas de aula com apenas dois a quatro matriculados, recorda Loide Rosa. Os problemas se multiplicavam e envolviam até a parte física, como salas de aula sem interruptores de luz ou o entorno de sua área sem calçamento no passeio público.

É um cenário inimaginável para quem visita hoje o Colégio Objetivo de Indaiatuba, que acompanhou os passos da cidade e cresceu demais, em todos os sentidos: suas instalações ocupam uma área de quase 19 mil metros quadrados em região nobre, contígua ao Parque Ecológico, boa parte adquirida pela mantenedora. Ele tem espaços físicos bem cuidados e amplos, como a sala de 120 metros quadrados para o descanso dos estudantes do período integral ou o lounge e a sala de estudos da turma do Ensino Médio. Há um pequeno bosque, minizoo, hortas, minhocário, campo de futebol, cabanas temáticas (como uma casinha construída pelos alunos com material reciclável), quadras, piscina, mais os jardins, bancos e árvores que parecem reproduzir uma pequena praça interiorana. Crianças, jovens e adolescentes atendidas pelo Berçário, Maternal e Educação Infantil, Ensino Fundamental I e II e Ensino Médio têm espaços próprios, personalizados, mas que se comunicam por meio de ruas internas.

A escola expandiu em números também: em princípios de novembro passado, praticamente seus 1.100 alunos estavam com rematrículas confirmadas para o ano letivo de 2012. Novos estudantes chegarão pela progressão natural das turmas, como a formatura do 3º ano do Ensino Médio, mas sem aumentar muito o escopo atual, estratégia discutida e pensada pela escola. Finalmente, o colégio cresceu na área pedagógica, destacando-se seu projeto sustentável e bem afinado entre todos os colaboradores; o modelo de gestão, principalmente educacional e dos recursos humanos; e a forma de se posicionar diante do mercado e de seu público, com investimento forte na área da comunicação.

E para 2012, novos projetos: a escola, que também abriga um pré-vestibular noturno (além dos 1.100 alunos), mais um polo bem avaliado pelo MEC de Educação Superior a Distância, lançará a Universidade Corporativa, em parceria com uma construtora da cidade. A ideia é dar aperfeiçoamento aos professores em didática, para suprir as próprias necessidades do colégio, ao mesmo tempo em que levará a sala de aula para o canteiro da empresa, oferecendo alfabetização e formação aos seus funcionários. No momento, mantenedora, gestores e professores concordam que não há espaço físico para aumentar o número de alunos, todos acordaram em aprimorar ainda mais o que têm, para então programar novos saltos.

Foco na gestão educacional e de recursos humanos
Loide Rosa assumiu a escola em 1º de maio de 1999, em princípios trabalhando diariamente até 22 horas e cuidando das áreas administrativa, financeira e pedagógica. Em poucos meses, arrumou o que pôde da parte física, instituiu o uniforme, contratou monitores e realizou um corpo a corpo com pais e professores, convencendo-os a permanecerem ao lado da nova gestão. Já no segundo semestre de 1999, Loide conseguiu ampliar o número de alunos para 180, escopo dobrado em princípios do ano letivo de 2000. Sua estratégia foi investir de forma mais pesada na gestão pedagógica e de pessoas do que na própria infraestrutura física.

“Nosso diferencial sempre foi o trabalho com a equipe, tornando-a comprometida, motivada e competente. Como você faz isso? Ouvindo mais do que se fala. É preciso conduzir as pessoas de forma que elas sintam que fazem parte do projeto e demonstrando confiança que ele vai dar certo. Cabe ao gestor dar direção, orientar, formar, administrar e ao mesmo tempo ouvir e trocar experiências”, ensina Loide Rosa. Não à toa, a instituição promove reuniões semanais entre os gestores, mediados por uma psicóloga. A equipe gestora está composta pela mantenedora e a diretora pedagógica Vera Lúcia Trasferetti, cinco coordenadores, além de cinco assistentes de coordenação e uma profissional responsável pelo Núcleo de Apoio aos Vestibulandos.

“Os encontros servem para discutir a dinâmica da escola, cada um leva sua pauta. Abordamos problemas, dificuldades e pontos frágeis”, relata a diretora pedagógica Vera Trasferetti. A partir dessas reuniões, a equipe identificou, por exemplo, a necessidade de também envolver os funcionários dos chamados grupos de apoio (administrativo, financeiro, monitoria, gráfica, portaria, limpeza, cozinha, auxiliares de coordenação, entre outros) com a proposta educacional do colégio. “Percebemos que tínhamos que ter uma linguagem pedagógica que permeasse o trabalho de todos os setores”, observa a diretora Vera. Era preciso trabalhar, por exemplo, a compreensão de que “as regras de rotina têm uma relação com o andamento do trabalho pedagógico”.

Durante os anos de 2010 e 2011, o colégio desenvolveu um programa de treinamento com todos os funcionários, de forma a inteirá-los de sua missão e do papel que compete a cada um dentro deste projeto. São 126 profissionais e 85 professores. No segundo semestre, o grupo foi reunido em um café da manhã, em confraternização, reconhecimento e “condensação dessas capacitações”, aproveitando-se o gancho para lançar a campanha da rematrícula e mostrar como cada colaborador é importante para o sucesso do empreendimento escolar. Afinal, segundo Vera Trasferetti, “somos uma empresa que vende um produto educacional para pessoas que estão buscando qualidade”. E conforme avalia Loide Rosa, “aqui não temos mais o recorte entre o pedagógico e o administrativo, conseguimos juntar os dois. Mesmo em um evento pedagógico, o administrativo entra com o suporte e o pagamento, por exemplo. Já na organização das viagens, o coordenador não acha ruim de fazer três cotações de ônibus nem de enviar memorando”.

A mantenedora diz que sempre trabalhou a perspectiva de que a escolar é um negócio empresarial e que, portanto, precisa dar resultado. A própria mantenedora procura fazer bem a lição de casa, profissionalizando ao máximo a relação com o professor e funcionários, ao reconhecer os resultados positivos e os méritos, mas, por outro lado, avaliar seu trabalho por meio de pesquisa com os alunos. É o Projeto Ibope, questionário com indicadores aplicado durante todo o mês de novembro pela própria mantenedora com cada um dos estudantes, em que é avaliada a organização da sala de aula, o desempenho dos professores, o atendimento de cada segmento da instituição (como a cantina) etc.

Os resultados são utilizados para orientação e correção do trabalho. A expectativa da mantenedora é que as avalições somem pelo menos 90% de aprovação em cada um dos itens, mas que os resultados se reflitam também em bons índices de aprovação nos vestibulares e no retorno das rematrículas. Ou seja, paralelamente à gestão mais aberta e participativa, “há coisas de que não abro mão”, como “eficiência e resultado”.

Bases de um projeto pedagógico sustentável
Reconstruído ao longo dos últimos doze anos, o empreendimento escola acabou se viabilizando e consolidando sobre o trabalho pedagógico, que atingiu seu grau de sustentabilidade, avalia a diretora Vera Trasferetti. O colégio conseguiu formar “uma identidade pedagógica forte”, articulando três frentes de ação: material didático (enriquecendo-o com uma dinâmica própria de projetos intra e extracurriculares); o corpo docente; e as atividades de apoio (como olimpíadas de conhecimento, parcerias em idiomas, robótica, entre outros).

Tudo isso adquire corpo em um ambiente físico que desencadeia uma sensação de pertencimento e reforça a identificação e o vínculo do aluno com a escola, destacam Loide Rosa e Vera Trasferetti. A identidade consolidada entre colaboradores, alunos e familiares é a de uma escola “tradicional e de disciplina forte”, intransigente nos valores, mas flexível na escuta. “Somos uma escola tradicional que ensina não apenas conhecimento, mas limites e responsabilidades. Não abrimos mão daquilo que acreditamos. É uma desonestidade o que se faz com o jovem hoje, ao não prepará-lo e lhe alisar a cabeça. Não estamos brincando. Ao mesmo tempo em que damos suspensão quando é preciso, damos ao aluno o sentimento de que a escola é dele. Em todo primeiro dia de aula letivo, leio o manual de condutas para os estudantes, dizendo que eles podem fazer o uso que quiserem desse espaço, desde que não causem danos a terceiros”, afirma a mantenedora. O embasamento das ações pedagógicas é dado pelo Projeto Cérebro, apoiado nas contribuições teóricas da Neurociência e na “Teoria das Múltiplas Inteligências”, de Howard Gardner, com vistas a “ampliar o pensamento de nossas crianças e adolescentes, capacitando-os com a lógica, o poder de análise e a visão crítica de fatos e acontecimentos”. Ele deu origem ainda a um programa de educação artística, calcado no estímulo à criatividade e expressão dos alunos em pintura, desenho e modelagem; e ao Programa de Desenvolvimento Pessoal e Social (PDPS), que acontece por meio de encontros semanais das turmas do Fundamental I e II com um professor contratado para desenvolver atividades que auxiliam as crianças e adolescentes a trabalharem emoções e sentimentos.

Outra ação forte acontece na área da comunicação, com portal dinâmico, TV Web, material publicitário institucional de primeira linha, jornal impresso e inserção nas redes sociais digitais, como Twitter e Facebook. São canais que pretendem integrar a comunidade a um ambiente dinâmico, pois “a escola é um centro vivo. Diria até que, se fosse um ser humano, ela seria muito popular. A escola é cheia de vida e só funciona se estiver aberta às ideias, se estiver pronta para assumir responsabilidades. Ela precisa de decisões rápidas e por isso precisa de pessoas ágeis e de muita eficiência” sintetiza Loide Rosa, em uma fala que a empreendedora reitera em cada oportunidade de conversa, em cada espaço de comunicação. Ao acreditar e apostar nesta receita, Loide Rosa conseguiu mobilizar sua equipe e toda a comunidade para construir uma escola em que as crianças, jovens e adolescentes se sentem felizes em estudar. “Eles chegam aqui sorrindo”, encerra, orgulhosa, a diretora pedagógica Vera Trasferetti.

Por Rosali Figueiredo
Fotos João Elias

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