março 9, 2012

Gestão Escolar — Parcerias e/ou Terceirização: O que funciona e o que pode representar riscos futuros

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Matéria publicada na edição 76 | Março 2012 – ver na edição online

Do material didático aos cursos extracurriculares, passando por áreas como alimentação e transporte, os terceiros ou consultorias podem se tornar grandes aliados das escolas “para diminuir o déficit de gestão” e assegurar um plus aos seus projetos. Mas podem comprometer o próprio negócio caso se transfira a gestão do ensino. Confira.

O mercado das escolas privadas vive um processo de mudança, em que a retenção dos alunos tem sido maior nas instituições, gerando refluxo no movimento de novas matrículas. Pelo menos essa é a tendência observada por Christian Rocha Coelho, consultor em marketing e coaching educacional, com base nos resultados apresentados no final de 2011 pelos mantenedores que atende principalmente no Rio de Janeiro e em São Paulo. “O índice de matrículas novas foi o menor dos últimos três anos”, afirma Christian. O consultor estima que a tendência deva se manter, especialmente pela recuperação da escola pública, cenário em que “cada vez menos funcionarão as ferramentas de marketing”. “O que segura a escola é trabalho pedagógico”, assevera Christian.

Desta forma, não adianta o mercado apelar àquilo que ele chama de “marketing de coopetência”. Ou seja, “à tentativa de colar a marca da escola à outra (como a de um sistema de ensino) para tentar decolar”. “É uma falha grotesca, em que se perde a identidade e se ganha um sócio”, pondera o consultor. No atual contexto, acrescenta, “a retenção torna-se cada vez mais importante, assim, não se terceiriza bens ou áreas de primeira importância. Não se terceiriza a gestão do ensino nem se transfere isso para o sistema didático”, defende. Para Christian, o sistema de ensino somente funciona se for encarado pelas escolas “como um conteúdo mais organizado”, dando-se, desta maneira, “liberdade para o professor trabalhar”.

Segundo Christian Coelho, existem três tipos de contratos com terceiros que, se bem conduzidos, ajudam a diminuir “o déficit de gestão”. No primeiro deles entra a parceria com um sistema de ensino que ofereça material didático enquanto ferramenta e apoio ao trabalho pedagógico – e que não deve se converter em transferência da gestão do ensino. No segundo, figura a terceirização de serviços e áreas que não sejam o foco principal da instituição. “Sou radicalmente a favor de terceirizar cantina e inglês, limpeza, segurança e transporte. Para manter a qualidade, contratam-se empresas que tenham competências em atender a demandas específicas. Isso evita que a escola tenha ‘um gasto calórico desnecessário’”, observa o consultor. Mas o gestor deve ficar atento aos serviços prestados, pois os índices mais baixos de satisfação observados por christian dizem respeito à cantina e transporte. “O pai os associa às escolas, mesmo que terceirizados.”

No terceiro tipo de contrato incluem-se convênios com consultores e empresas que possam conferir um plus às atividades extracurriculares da instituição, em áreas como robótica, empreendedorismo ou projetos científicos especiais. A Escola Cidade Jardim PlayPen, localizada nos Jardins, em São Paulo, estabeleceu, por exemplo, uma parceria com empresa especializada em ciências que desenvolve projetos extracurriculares específicos com os estudantes. Com período semi-integral, o PlayPen optou por terceirizar os cursos extraclasse que oferece após o término das atividades regulares. Há convênio com uma escola de esportes (em modalidades como futebol, artes, circo, capoeira e tênis), com uma de natação externa e também com a Escola Macunaíma de Teatro. Segundo a assistente de direção Daniela Almeida, profissionais externos dão ainda aulas de judô e balé. “Nosso público prefere que as crianças permaneçam dentro da escola”, mas são serviços cobrados diretamente dos pais pelo próprio prestador de serviço, que repassa 30% à instituição em contrapartida pelos gastos com energia, limpeza e funcionários de apoio.

Já na Escola Viva, localizada na zona Sul de São Paulo, a mantenedora costuma recorrer a especialistas em áreas do conhecimento, que a auxiliam pontualmente no “alinhamento vertical disso, ou seja, na articulação entre as séries, tarefa em que a assessoria externa traz um grande ganho, pois ajuda a organizar o trabalho e proporciona segurança didática”, afirma Marta Campos, coordenadora de comunicação e de apoio pedagógico. Ela cita o exemplo de uma especialista em Língua Portuguesa que cuida da atualização contínua dos livros paradidáticos ou de outra em Linguagem Corporal que auxiliou a escola na implantação de projeto diferenciado de Educação Física para o Ensino Médio.

 

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O SISTEMA DE ENSINO COMO “FACILITADOR DA ESCOLA”

Em entrevista abaixo, a mantenedora Loide Rosa, do Colégio Objetivo Indaiatuba, experiência bem sucedida retratada na edição de dezembro de 2011/janeiro de 2012 da Direcional Escolas, observa que as parcerias com os sistemas de ensino não substituem o processo de gestão pedagógica, mas contribuem para otimizar tempo, diminuir possibilidades de erro e agregar valor ao negócio. Confira.

Direcional Escolas – O que o gestor deve esperar de um sistema de ensino parceiro?

Loide Rosa – A maioria dos sistemas de ensino disponíveis no mercado se propõe a conveniar a instituição, ou seja, você passa a ser cliente desse sistema. Grande parte oferece a possibilidade de reuniões de esclarecimento, programas de treinamento para docentes, sugestões para campanhas de marketing e alguns outros produtos. Entretanto, eles não interferem como o mantenedor dirige a sua escola. No dia a dia é o planejamento, a organização e a experiência da instituição que farão a diferença. O sistema de ensino não é a solução para uma escola, é um facilitador que otimiza tempo, diminui a possibilidade de erro e agrega valor ao negócio. Acredito que devamos esperar do sistema de ensino que ele cumpra sua parte no acordo; entregue o material na data correta e que este material sofra constantes revisões e atualizações; respeite os seus conveniados dando suporte sempre que necessário; e, principalmente, que invista no seu negócio e compartilhe com você o mesmo ideal: seriedade no trabalho e excelência na qualidade. Uma das facilidades do sistema de ensino apostilado é permitir ao coordenador acompanhar o desenvolvimento do professor na sua matéria, em cada sala, durante todo o ano.

Direcional Escolas – Em relação ao inglês, que tipo de parceria estabelecer?

Loide Rosa – Nossa parceria com a escola de inglês foi de sucesso e prospera há mais de dez anos. Ter uma escola de inglês parceira, dentro da instituição, pressupõe compartilhar o mesmo ideal em todos os sentidos, como a qualidade do curso oferecido, os serviços agregados que ela oferece (grade horária casada com o horário das atividades extracurriculares, setor de intercâmbio e viagens internacionais, testes de proficiência, custo mais barato para o pai, com o mesmo material e com o professor da matriz), além de espaço destinado somente para escola de inglês com suas cores, sua marca. Isso é fundamental para o aluno perceber a mudança no espaço, caso contrário fica aquela situação de oferecer uma sexta aula com o aluno já cansado.

Direcional Escolas – Haveria alguma desvantagem nessas parcerias que a escola tenha que suprir de outra forma?

Loide Rosa – Se o parceiro não levar a bom termo o compromisso assumido irá comprometer o serviço da instituição. Não adianta o mantenedor dizer que é terceirizado. Se ele ofereceu para o pai, colocou dentro de sua instituição de ensino, então é de responsabilidade dele também, razão pela qual deve haver uma convergência de ideias e uma proximidade entre as instituições.

Direcional Escolas – Em relação aos demais serviços, quando, como, onde e por que terceirizar? Onde não terceirizar?

Loide Rosa – Acreditamos que serviços especializados, como o inglês, a natação e cantina valem a pena terceirizar, pois são negócios que exigem por sua especificidade uma demanda de planejamento, de investimento, o que irá afastar o mantenedor de seu foco principal. Mas o Colégio Objetivo Indaiatuba não terceiriza setores que estão diretamente ligados à prestação de serviços educacionais, pois colaboradores que trabalham em parceria com o corpo docente, seja na limpeza do ambiente onde ocorre a aula, ou na portaria da instituição, precisam entender os princípios da formação integral do aluno, compartilhar das mesmas diretrizes. (R.F.)

Por Rosali Figueiredo

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