Fevereiro 3, 2014

Educação de qualidade e desenvolvimento do País, aspectos interdependentes

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Vários estudos em torno da avaliação das práticas escolares no Brasil têm demonstrado uma educação aquém do desejado. O baixo desempenho dos alunos nas avaliações em larga escala, a pouca expansão da educação básica, a limitação de recursos financeiros, a falta de professores qualificados, entre outros, são problemas que emergem do sistema educacional brasileiro.

Segundo a UNESCO (Organização das Nações Unidas para a Educação), no Relatório de Monitoramento de Educação para Todos (2010), o Brasil apresenta índices de repetência e evasão entre os mais críticos da América Latina. De acordo com o documento, cerca de 500 mil crianças brasileiras não estão na escola.

Apesar da melhora apresentada entre 1999 e 2007, segundo o relatório, o índice de repetência no Ensino Fundamental brasileiro (18,7%) é o mais elevado na América Latina, estando acima da média mundial (2,9%). O alto índice de abandono nos primeiros anos de educação revela que 13,8% dos brasileiros largam os estudos no primeiro ano do ensino básico. Nesse quesito, o País só fica à frente da Nicarágua (26,2%) na América Latina e, mais uma vez, bem acima da média mundial (2,2%).

Diante disso, algumas avaliações em larga escala buscam diagnosticar o desempenho acadêmico dos estudantes do mundo inteiro. O PISA – Programa Internacional de Avaliação de Alunos – destaca-se por realizar uma mensuração desse desempenho, visando estabelecer parâmetros de credibilidade capazes de inferir níveis de qualidade no ensino. Nessa direção, a pesquisa TALIS Pesquisa Internacional sobre Ensino e Aprendizagem – possibilita compreender o ambiente de aprendizagem e as condições de trabalho que as escolas oferecem aos professores das séries finais do Ensino Fundamental.

Os resultados de tais avaliações suscitam inúmeras discussões em torno de uma crise educacional, já que revelam poucas “escolas de qualidade”, em meio a um espantoso número de outras unidades, especialmente públicas, marcadas por desempenhos insuficientes e aquém do esperado.

De acordo com a OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico), na publicação Education at a Glance 2011, foram avaliados 34 países membros e oito convidados. O Brasil está entre os 13 países com a menor performance em leitura, se comparado à média da OCDE. Essa pesquisa revela que, entre os países convidados, mais de 1/3 dos estudantes reportaram que não leem por prazer. A pontuação média desses estudantes, 460 pontos no PISA em leitura, está bem abaixo da média dos países membros da OCDE, 493 pontos.

Diante da preocupação dos países em aprimorar a economia e ter uma população capacitada a atender às exigências atuais, a Educação aparece como possibilidade cada vez maior para que bons resultados, tanto em nível econômico quanto cultural, sejam alcançados. Segundo Hargreaves, no livro O ensino na sociedade do conhecimento: educação na era da insegurança, um sistema educacional, realmente comprometido com o processo de ensino e aprendizagem dos sujeitos, considera que “a chave para uma economia do conhecimento forte não é apenas as pessoas poderem acessar a informação, mas também o quão bem elas conseguem processar esta mesma informação” (2004, p. 34).

Reconhecer que Educação de Qualidade está interconectada ao desenvolvimento de um país é, portanto, fundamental, para que se construam práticas escolares que formem sujeitos atuantes e participativos, engajados no processo de transformação da realidade econômica, social e cultural do mundo contemporâneo.

Por Suely Nercessian Corradini*

 
SUELY-NERCESSIAN-CORRADINI
Suely Nercessian Corradini é diretora pedagógica do Colégio Vital Brazil, na zona Oeste de São Paulo. Possui graduação em Letras e em Pedagogia, mestrado em Educação, Arte e História da Cultura e doutorado em Educação pela Universidade Federal de São Carlos – UFSCar, com o tema “Indicadores de qualidade em educação: um estudo a partir do PISA e da TALIS”.

Mais informações: www.vitalbrazilsp.com.br

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