fevereiro 19, 2015

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Matéria publicada na edição 105 | Fevereiro de 2015- ver na edição online

Totalmente Conectados: A realidade virtual no ambiente escolar

Na sociedade do conhecimento, o ritmo da informação mostra-se cada vez mais acelerado. A era tecnológica atual indica movimentos e mudanças para uma geração conectada a todo instante, que consome informação em tempo real, ávidos por um novo panorama – principalmente educacional.

Por Rafael Pinheiro / Fotos Divulgação

Desenvolvimento, mudanças, reestruturação, reflexão, diálogo, interação. A educação, inserida em uma engrenagem de conhecimento, apresenta, desde seu ensino base, mudanças relevantes e significativas que permeiam as instituições escolares. Com um cenário atualizado e repaginado, o sistema educacional atravessa um período de reestruturação, de novos caminhos e maneiras de observar gestões de ensino, formação pedagógica, aparecimento de meios digitais em sala de aula e até mesmo a maneira como as aulas são ministradas.

Descontruir práticas pedagógicas tradicionais e inserir novos mecanismos de aprendizado é uma das tarefas extremamente complexas e, em grande parcela, demoradas. Devemos, primeiramente, observar as atualizações e ferramentas distintas que começam a ganhar vida no âmbito escolar, perceber evoluções aparentes na sociedade atual e, acima de tudo, diagnosticar as mudanças ocorridas no modo de pensar e agir dos alunos – seus anseios, questionamentos, conflitos e lacunas que podem (e devem) ser preenchidas na esfera de ensino.

O advento tecnológico, as transformações metodológicas, as novas práticas pedagógicas e as alterações constantes nos objetivos dos alunos constroem, em nossa realidade, uma perspectiva ampla – e diferente, em relação às formas tradicionais estabelecidas. O Colégio Santo Américo, localizado na região sul de São Paulo, acredita no protagonismo, na colaboração e interação dos alunos como fatores fundamentais para o alcance de uma excelência no ensino. “Com ou sem o uso das novas tecnologias, é necessário que o projeto pedagógico da escola preconize a aprendizagem resultante da interligação dos saberes, da contextualização de conhecimentos. Que as aulas priorizem a interação, a discussão e a aplicação de conceitos em atividades engajadoras. Que o conhecimento acadêmico seja construído a partir de situações-problema, envolvendo sempre a reflexão e a argumentação”, salienta Elenice Lobo, diretora pedagógica do colégio.

O panorama atual, composto por recursos avançados, facilidades tecnológicas e sistemas modernos, compõem um cenário contemporâneo: a utilização de novos métodos em todos os âmbitos, principalmente entre as relações sociais e culturais. E, nesse processo de (re)estruturação, a didática utiliza o campo tecnológico como uma sustentação aos recursos e inovações nas salas de aula. “Acreditamos que a inserção tecnológica em sala de aula deva potencializar a aprendizagem, permitindo a expansão de habilidades, saberes e conhecimentos. É essencial que promova a expansão do pensamento e da criatividade, e não se restrinja à realização de atividades mecânicas”, destaca Elenice.

Para acompanhar essa nova geração de alunos cada vez mais ligados à internet e à tecnologia, os métodos escolares começam a avaliar os novos recursos que ganham as salas de aula e, gradativamente, começam a se aproximar do cotidiano do aluno. O Colégio São Luís, instituição de ensino jesuíta, localizado na região central de São Paulo, acredita na tecnologia como um instrumento de mediação: “A tecnologia, em si (ou o seu uso) não  pode ser encarada como sinônimo  de qualidade. Ela é, antes de tudo, um instrumento de mediação que pode – ou não – ajudar na construção de conhecimento. A maneira como ela será empregada é que pode trazer resultados significativos. Apenas adotar dispositivos tecnológicos não garante nada”, afirma Myrta Garcia Pradel Biondo, coordenadora de tecnologia educacional.

Tendo o reflexo da globalização como base construtiva para uma educação inclusiva, dinâmica e instigante, esses processos de mudanças são notórios. O interesse tecnológico no ensino é uma forma de reconstruir sua metodologia, evoluindo os papeis de aprendizagem e os substituindo por uma nova postura, moderna e necessária.

Produzir esse mecanismo é uma forma de pensar (e, consequentemente, realizar) uma educação que transcenda as relações internalizadas entre professor-aluno e desembarque na pluralidade do ato pedagógico em si, carregado de implicações sociais e compromissos, destacando-se pela formação de um cidadão e todos os questionamentos, soluções e descobertas que uma evolução pedagógica pode propiciar.

Myrta Garcia, coordenadora de tecnologia educacional, afirma que os meios digitais propiciam um nível  de interação em caráter elevado. “’Ver’ uma figura geométrica se construindo (ou desconstruindo) pode ajudar a entender conceitos de maneira muito mais fácil – isso para se falar apenas de um dos usos da tecnologia. Mas isso não  significa que o meio impresso não tenha valor ou não seja mais necessário”.

Observar as modificações nas práticas de ensino é uma forma de interligar desejos e disseminar conhecimento de forma ampla e ilimitada, como a própria rede tecnológica propõe. Constatamos, então, uma necessidade de criar (ou adaptar) ferramentas adequadas à cada aula proposta, estreitando a relação existente entre o aluno e o conhecimento, promovendo o aluno ao título de protagonista de seu aprendizado, sem esquecer, é claro, da união que deve existir entre professor-aluno. “O que  os recursos digitais fazem é facilitar o entendimento de conceitos. Por outro lado, quando o aluno se apropria do recurso digital para expressar-se através dele, pode sentir também um incentivo maior. Os papéis se invertem: o aluno deixa de apenas consumir tecnologia (assistir um vídeo ou usar um simulador, por exemplo), para ele mesmo produzir seus próprios materiais”, diz Myrta Garcia.
INTERATIVIDADE EDUCACIONAL

Elenice Lobo, diretora pedagógica do Colégio Santo Américo, afirma que os alunos possuem uma afinidade maior com os materiais digitais, pois são mais próximos ao cotidiano deles fora do ambiente escolar. “Os meios digitais propiciam maior interatividade, maior apelo visual, facilidade no acesso a imagens estáticas ou em movimento, e acompanhamento imediato pelo professor, inclusive com acesso a relatórios abrangentes que tabulam os mais variados índices”.

Esses mecanismos que surgem no mercado voltados à educação, apresentam uma infinidade de opções para desfrutar, em sala de aula, elementos atrativos, que possam encantar os alunos para a aprendizagem. Ou até mesmo transportar o teórico da matéria para visualizações e interações multimídia, favorecendo, assim, tanto o ensino para os professores, como o aprendizado para os alunos.

A coordenadora de tecnologia educacional do Colégio São Luís, Myrta Garcia, ressalta a importância em avaliar qual ferramenta é adequada ao aluno e qual ajudará em seu desenvolvimento. “Os recursos vão  surgindo de maneira muito rápida e não adianta adotá-los sem um propósito definido. Pode ser que o impresso (que também é  tecnológico) e o digital ainda convivam muito bem. Para dar um exemplo concreto,  hoje nossos alunos fazem algumas avaliações por meios digitais e outras da maneira convencional, por escrito. Mas tudo depende da intenção da atividade, do que o professor pretende desenvolver”.

É importante destacar que os recursos tecnológicos devem servir de apoio à aprendizagem que acontece nas aulas presenciais, e não apenas para transmitir as mesmas informações que antes o professor introduzia no quadro negro. A base de comunicação entre o professor e o aluno deve se concretizar através de discussões, diálogo, resolução de questionamentos, produção de textos e toda e qualquer problematização que possa ocorrer. “O uso de qualquer dispositivo móvel é sempre uma decisão do professor, seguindo o que ele pretende desenvolver. Se é adequado e necessário para o momento, é usado. Caso contrário, não”, completa Myrta Garcia.

A coordenadora Elenice Lobo acredita que o uso de novas tecnologias na escola deve ocorrer sempre que potencializar o desenvolvimento cognitivo dos alunos. “Há estudos que comprovam sua eficácia no desenvolvimento da criatividade, na compreensão de fenômenos da natureza, quando utilizadas por crianças com dificuldade na aquisição de letramento, entre muitos outros. No entanto, discordamos da obrigatoriedade de incluir, por exemplo, o tablet em todas as situações de sala de aula, pois corremos o risco de reduzi-lo a uma ferramenta de entretenimento, como acontece na maioria das vezes fora do ambiente escolar”.

E, com um acesso ilimitado por meio de ferramentas tecnológicas, os colégios realizam orientações de como utilizar a internet corretamente. No Colégio São Luís, o Departamento de Tecnologia Educacional reforça as orientações desde as séries iniciais, além de obter assessoria jurídica específica na área de direito digital. Este projeto vem sendo desenvolvido com toda a comunidade, incluindo os pais dos alunos. Já no Colégio Santo Américo, O DOFE (Departamento de Orientação e Formação Ética), desenvolve um trabalho visando o uso seguro, responsável e ético da internet.

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