julho 20, 2015

O problema é que seu filho é loiro e possui olhos azuis

Publicidade

CULTURA INGLESA – BANNER DE CONTEUDO

Imagine que a mãe, preocupada com o desempenho do filho em Ciências e Matemática, procure sua escola em busca de ajuda e orientação que ouça como resposta o título desta crônica.

Não é difícil perceber que ouviu um absurdo inominável. Afinal, qual a relação entre os traços genéticos da criança e seu desempenho escolar? Efetivamente, não se pode perceber nestes ou naqueles traços herdados, qualquer relação com a sua ação comportamental na escola. Não chega, entretanto, ser absurdo ouvir-se como orientação escolar, dizer-se que o problema de aprendizagem do aluno se deve ao fato do mesmo não prestar atenção.

Desde quando se conhece a estrutura e a plasticidade da mente humana, e esse conhecimento já vai para mais de sessenta anos, sabe-se que o problema da atenção não depende de esforço e desejo pessoal, tal como as características genéticas. Se o aluno não presta atenção nas aulas e nas lições, mas é atento na aprendizagem e uso de seu Celular, não se interessa pelas equações na lousa, mas se empolga com o futebol visto no campo ou em transmissão da TV, não há, é evidente, qualquer problema com o aluno, mas com a aula e com a maneira como é a lousa manipulada. A atenção de um caçador desarmado diante do leão prestes a saltar em direção a sua garganta está menos em ignora-lo ou não e muito mais, naturalmente no leão e sua sanha ou fome. Assim, culpar o aluno por seu desvio de atenção, equivale a contabiliza-lo pela cor de sua pele e de seus olhos.

O correto, dessa maneira, é mudar a aula que desestimula a atenção, alterar a maneira de passar conteúdos de forma competitiva com o Google, e treinar o uso e a materialização de habilidades e competências e não proclamar ou ameaçar sobre a sua importância na prova marcada. Elimine-se a ridícula aula discursiva ou expositiva, substituindo-a por situações de aprendizagens coerentes, desafiadoras e propositivas; elimine-se a exposição estática de conteúdos conceituais, apresentando-os como projetos a se construir e se pratique efetivamente habilidades e competência de forma concreta e a atenção do aluno se despertará, sem culpa ou sacrifício. Com entusiasmo e paixão.

Até quando a escola brasileira vai tratar alunos de amanhã, com metodologias de ontem, ministradas por professáuros que teimam em não querer mudar e que parecem emersos de savanas perdidas no Pleistoceno? Em muitos casos, a salvação do aluno inteligente é a hora do intervalo.

 

CELSO-ANTUNES-miniaturaCelso Antunes tem bacharelado e licenciatura em Geografia. É mestre em Ciências Humanas pela USP e é considerado um grande formador de opinião no mundo da educação. Tem mais de 280 publicações e suas obras forma traduzidas pra mais de seis países. Celso Antunes também ministra palestras em diversos países como Argentina, Uruguai, Peru, México, entre outros. 

Continue Lendo

Assine nossa Newsletter

Veja agora este vídeo

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado.