setembro 22, 2015

Conversa com o Gestor – Ensino Médio: Matriz Curricular e a Preparação para o ENEM

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CULTURA INGLESA – BANNER DE CONTEUDO

Matéria publicada na edição 111 | Setembro 2015- ver na edição online

O Exame Nacional do Ensino Médio, criado em 1998, possui, entre seus objetivos, avaliar o conhecimento e desenvolvimento do aluno no término da educação básica. Nesse sentido, a reflexão sobre a qualidade no ensino, o currículo escolar e a observação do circuito acadêmico que tange a formação do aluno, são evidenciados por todas as instituições

Por Rafael Pinheiro

Formar, assegurar, desenvolver, instruir, ensinar, compreender, dialogar, respeitar, transformar. Todas essas características representam uma sutil parcela que a força da educação pode proporcionar aos alunos desde seu primeiro ingresso na instituição escolar. Definir o processo ensinar-e-aprender é, também, uma rasa explicação do qual intenso, marcante e relevante é o desenvolvimento projetado em cada aluno durante toda etapa de ensino.

O fenômeno educacional que instaura no cerne do crescimento humano está intimamente interligado com questões sociais, humanísticas, de valores, hábitos, disciplinas e uma série de sensações empíricas que o jovem aprendiz recebe e, consequentemente, transmite nos campos familiares e sociais que transita. Analisar a engrenagem de aprendizagem é como aproximar os olhos em pequenos mundos que estão em constante mutação – interior e exterior.

Essa transitoriedade, que a educação evoca com total maestria, reverbera sentidos que podem incorporar nas múltiplas fases da evolução acadêmica: ultrapassando a alfabetização e lançando um acompanhamento cauteloso quando o término dos estudos, no ensino médio, se aproxima. A base sólida e fundamental descrita na tarefa de todo colégio é estimular o aluno para a fase adulta, incluindo, assim, carreiras profissionais, sucesso em universidades e cidadãos capazes de senso crítico.

Argumentar caminhos que devem ser percorridos por escolas públicas ou privadas para obtenção de melhor aproveitamento de alunos nos vestibulares, por exemplo, é uma tarefa nula, visto que cada instituição promove missões e valores distintos com programações e ações pedagógicas voltadas às suas convicções e históricos.

Mas, por outro lado, não se pode dispensar atributos básicos para a construção de roteiros pedagógicos e currículares com o intuito de aperfeiçoar a aprendizagem e o desempenho do aluno ao longo de toda a trajetória na educação de base.

O Ministério da Educação, por intermédio da Secretaria de Educação Média e Tecnológica, organizou, nos anos 2000, um projeto de reforma do Ensino Médio como parte de uma política geral de desenvolvimento social, que prioriza as ações na área da educação.

Nesse projeto, disponibilizado no portal do MEC, a formação do aluno deve ter como alvo principal a aquisição de conhecimentos básicos, a preparação científica e a capacidade de utilizar as diferentes tecnologias relativas às áreas de atuação. Propõe-se, no nível do Ensino Médio, a formação geral, em oposição à formação específica; o desenvolvimento de capacidades de pesquisar, buscar informações, analisá-las e selecioná-las; a capacidade de aprender, criar, formular, ao invés do simples exercício de memorização. Sendo estes os princípios gerais que orientam a reformulação curricular do Ensino Médio e que se expressam na Lei de Diretrizes e Bases da Educação – Lei 9.394/96.

“Cada escola tem a autonomia de criar o próprio currículo, conforme especificado pela Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional”, diz Geraldo Junio, diretor-executivo do Colégio Arnaldo, situado em Belo Horizonte, Minas Gerais. “Assim, uma educação de formação integral não pode ter o foco apenas em ‘preparar o aluno para o Enem/Vestibular’, mas preparar o estudante para a vida que, entre outras competências, envolve a continuidade de seus estudos que pode ocorrer através do Ensino Superior”.

De acordo com a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, o Ensino Médio é a “etapa final da educação básica” (Art.36), o que concorre para a construção de sua identidade. Em suma, a Lei estabelece uma perspectiva para esse nível de ensino que integra, em uma mesma e única modalidade, finalidades até então dissociadas, para oferecer, de forma articulada, uma educação equilibrada, com funções equivalentes para todos os educandos.

Para garantir essa educação equilibrada, a escolha do material didático é um dos principais eixos na formulação do currículo escolar. “Os professores de cada disciplina, junto à coordenação, devem avaliar criteriosamente os livros didáticos aprovados pelo PNLD (Plano Nacional do Livro Didático), de forma a atender da melhor forma possível o seu alunado”, destaca Vagner Figueira, professor do Anglo São Paulo, Tamandaré, Campinas e INSPER (Instituto de Ensino e Pesquisa).

Outro fator importante, citado pelo professor Figueira, é que toda escola repense e discuta, a cada ano, o seu currículo escolar, tomando o cuidado de seguir um mesmo planejamento para 3 anos de uma turma. “Ou seja, caso se monte um currículo que afete todo o Ensino Médio de sua escola, a equipe deve aplicá-la na próxima turma de primeira série, seguindo esse planejamento até a formatura dessa turma na terceira série”.

 

EXAME NACIONAL DO ENSINO MÉDIO

O Exame nacional do Ensino Médio (ENEM), segundo dados do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (INEP), foi criado em 1998 com o objetivo de avaliar o desempenho do estudante ao fim da educação básica, buscando contribuir para a melhoria da qualidade desse nível de escolaridade.

A partir de 2009 passou a ser utilizado também como mecanismo de seleção para o ingresso no ensino superior. Foram implementadas mudanças no Exame que contribuem para a democratização das oportunidades de acesso às vagas oferecidas por Instituições Federais de Ensino Superior (IFES), para a mobilidade acadêmica e para induzir a reestruturação dos currículos do ensino médio.

A matriz de referência ENEM contempla cinco eixos cognitivos (comuns a todas as áreas do conhecimento): I. Dominar linguagens: dominar a norma culta da Língua Portuguesa e fazer uso das linguagens matemática, artística e científica e das línguas espanhola e inglesa. II. Compreender fenômenos: construir e aplicar conceitos das várias áreas do conhecimento para a compreensão de fenômenos naturais, de processos histórico-geográficos, da produção tecnológica e das manifestações artísticas. III. Enfrentar situações-problema: selecionar, organizar, relacionar, interpretar dados e informações representadas de diferentes formas, para tomar decisões e enfrentar situações-problema. IV. Construir argumentação: relacionar informações, representadas em diferentes formas e conhecimentos disponíveis em situações concretas, para construir argumentação consistente. V. Elaborar propostas: recorrer aos conhecimentos desenvolvidos na escola para elaboração de propostas de intervenção solidária na realidade, respeitando os valores humanos e considerando a diversidade sociocultural.

A cada ano, milhares de jovens reservam em sua agenda estudantil um longo espaço para a preparação da prova do ENEM, atingindo, de certa forma, a qualidade e exigência do currículo escolar que lhe foi apresentado durante todos os anos de estudo. “A preocupação quanto à qualidade do ensino é objeto desde o primeiro dia de aula. O que existe são ações de melhor desenvoltura na aproximação do Enem. Ou seja, a preocupação é constante com a aprendizagem, apenas as estratégias é que diversificam com o desenrolar do currículo”, destaca Geraldo Junio, do Colégio Arnaldo.

O acompanhamento do aluno no Ensino Médio e a observação de suas habilidades/dificuldades devem ser constantes desde a Educação Infantil. “Quando há necessidade, existem aulas extras para o reforço escolar. Mas, essa prática de ‘suplemento educacional’ não pode ser corriqueira. O cotidiano da sala de aula precisa promover a aprendizagem e o amadurecimento dos estudantes”, ressalta Geraldo.

Nas disciplinas que os alunos apresentam maior dificuldade, o professor Figueira acredita que deve existir um Plantão de Dúvidas na escola, com bons professores. “Aulas de reforço em Matemática também ajudam muito. É importante lembrar que, das questões objetivas, 1/4 são de Matemática e 1/4 são de Língua Portuguesa. São os dois pilares do conhecimento; quanto melhor estruturados, melhor o rendimento de seus alunos nas demais disciplinas e no próprio ENEM”, diz.

ENEM POR ESCOLA

Os resultados do Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM) auxiliam estudantes, pais, professores, diretores das escolas e gestores educacionais nas reflexões sobre o aprendizado dos estudantes no Ensino Médio, podendo servir como subsídio para o estabelecimento de estratégias em favor da melhoria da qualidade da educação.

Assim, anualmente, são divulgadas as médias e percentuais dos alunos em cada um dos quatro níveis de proficiência (Ciências da Natureza e suas Tecnologias; Ciências Humanas e suas Tecnologias; Linguagens, Códigos e suas Tecnologias; Matemática e suas Tecnologias) e redação. O bom desempenho no ENEM é consequência de um abrangente processo de formação dos alunos, que visa capacitá-los não só academicamente, mas também socialmente.

Os dados e resultados do ENEM servem, em parte, para possíveis alterações no currículo escolar, “pois levantam discussões em todo o âmbito acadêmico sobre o que é relevante para a formação do aluno. Mas devemos sempre ter como meta a formação do aluno como cidadão e como profissional. A sociedade é o grande ‘cliente’ desse processo. A prova do ENEM serve para avaliar essa formação de maneira objetiva e, com o tempo, passou a ser ferramenta para avaliar se o estudante tem condições de ingressar em um curso universitário”, explica o professor Figueira.

Fundado em 1986, na cidade de Osasco, em São Paulo, o Colégio Anglo Leonardo da Vinci é reconhecido por preparar jovens para se destacarem no mercado de trabalho, e formar cidadãos conscientes e responsáveis, da infância à fase adulta, com autonomia e coragem. Pelo oitavo ano consecutivo o colégio está entre as 10 escolas mais bem colocadas no ranking do ENEM no Estado de São Paulo, ocupando a 5º posição. O colégio, segundo resultado divulgado pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (INEP), também ocupa a 19º colocação entre as escolas com melhor desempenho no país.

Este resultado, segundo Waguinho Venceslau, coordenador do Ensino Médio, ocorreu por conta de um trabalho integral, que engloba a programação de ensino da escola, como também uma avaliação criteriosa dos resultados no próprio Enem e nos vestibulares. A partir desta avaliação, são traçadas estratégias de aprofundamento em assuntos pertinentes, o que potencializa o aproveitamento dos alunos.

Parte deste processo é ensinar o aluno a estudar e organizar-se com suas rotinas e planejamento. Desta forma, o aluno cria seu próprio ritmo de estudos e as avaliações, simulados e trabalhos funcionam como ferramentas para o aprimoramento constante. “Para melhorar conteúdos que o estudante domina e reforçar conteúdos com maior dificuldade, o papel do professor é fundamental, já que é em sala de aula e nas tarefas que o professor identifica onde reside o estímulo que o aluno precisa ter”, complementa o coordenador.

O Colégio Cermac, com mais de 30 anos de trajetória e com três unidades institucionais na região norte de São Paulo, alcançou a 2ª posição no ENEM 2014 entre as escolas particulares da zona norte da capital, quando computada a nota de redação. A nota média dos alunos em redação chegou a 690 pontos, a segunda melhor média da região. Os primeiros 30 alunos da escola alcançaram a média de 744 pontos na redação, considerada muita alta.

Mesmo sem a redação, o desempenho dos alunos no Exame Nacional do Ensino Médio foi excelente (591,80 pontos), situando a escola entre as TOP 5 da ZN. “Nossa equipe de professores e coordenadores trabalhou de forma intensa, os alunos estudaram muito, mas ainda não atingimos nosso objetivo maior, que é chegar em 1º lugar entre as escolas privadas da zona norte”, explica Adriano Castanho, diretor geral do Cermac.

“Estamos felizes com esse resultado”, comemora Roberta Mardegam, diretora pedagógica do colégio. “É a coroação do nosso trabalho e do esforço dos alunos”. Ela acredita, no entanto, que ainda há muito a ser feito para que os resultados de 2014 sejam mantidos ou mesmo superados nos próximos exames. “Criamos o Ensino Médio Integral justamente para isso – para que nossos alunos tenham êxito no Enem e nos vestibulares mais concorridos”.

“Reforçamos mais uma vez nosso compromisso de oferecer a melhor qualidade de ensino aos nossos alunos, procurando sempre aprimorar a cada ano nossos métodos e recursos, humanos, físicos e tecnológicos”, declara Adriano.

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