outubro 26, 2015

Professor, você é quem manda em sala de aula.

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CULTURA INGLESA – BANNER DE CONTEUDO

O tema desta semana foi estabelecido por inúmeros e-mails que recebi e pelos pedidos dos professores e coordenadores do meu grupo de Consultoria Pedagógica no Facebook e no WhatsApp, falaremos sobre a Indisciplina em sala de aula e aqui vamos mostrar algumas estratégias que o professor poderá adotar junto da equipe pedagógica para melhorar o espaço e retirar a pressão. Em muitos e-mails, sempre havia perguntas parecidas como: O professor pode mandar o aluno para fora da sala? Quando o aluno quebra carteiras ou o patrimônio escolar, quem paga? Leia até o final e saiba de tudo. Lembre-se que a sua participação nestes artigos é fundamental. Ao final, não deixe de comentar.

Antes de tudo, como falo no meu livro Diário de um Professor, a escola é o reflexo de uma gestão. Se a escola vem sendo alvo de inúmeros exemplos de indisciplina, alguém está falhando e eu, felizmente ou não, culpo a direção escolar e, por conseguinte, resvala no professor. Antes de julgar o meu pensar, acompanhe comigo. Se a direção está jogada e não há ninguém que respalde o professor fora da sala, o aluno saberá disso e o enfrentamento é compulsório. Para o professor se sentir “seguro” em sala é necessário acreditar na direção. Saber que todos estão caminhando juntos para uma única direção: o sucesso do aluno.

 Já vi professores sendo agredidos verbalmente e fisicamente, mas o que acontece? A direção vem colocar “panos frios” e ao invés do agredido ir até uma delegacia e fazer um Boletim de ocorrência, ele deixa para lá. Fazendo com que a bola de neve se expanda. O aluno agressor é como marido agressor, uma vez que levanta a voz para um educador e nada acontece, isso se multiplicará e o pior pode acontecer. Por isso culpo a direção! Para terminar o meu argumento sobre a direção, trago aqui exemplo clássico. Já vi professor colocar o aluno para fora da sala e o diretor colocá-lo para dentro e o que acontece? O aluno volta com mais intensidade e confirmará que ali, dentro da sala, quem manda é qualquer um, menos o professor. Lembrando que os demais alunos observam e, isso se multiplica dentro da sala, até o momento que o profissional não conseguirá dar aula e chagamos, também, a outra cena clássica: o professor abandona a sala. Quando chega a este ponto, o professor pode esquecer-se daquela turma, porque controle sobre ela não terá mais. Na verdade, nunca teve! Para concluir, quando o aluno tem respeito pela direção, quando o “ameaçar” de colocá-lo para fora, ele vai repensar em segundos e ficará quieto e, muitas vezes, irá até pedir desculpas.

Mas vamos ao que interessa. Em muitas escolas onde trabalhei e fui consultor educacional, a indisciplina é sempre uma questão levantada. Na verdade, é o “problema” central de muitas escolas. Confirmo que este fenômeno, que não tem uma fórmula para diminui-la ou exonerá-la, é específico de nossa sociedade, tendo em vista que não há mais “valores” sendo trabalhado no núcleo familiar e não há referência específica para que ele, o aluno, siga. A escola, para os alunos virou um meio de conversar e bater papo; para os pais, um lugar para deixar o filho, quanto mais tempo melhor e, para os governantes, um depósito de crianças e adolescentes. Outra situação que agravou a indisciplina em sala é que os pais “deixam” seus filhos com mais liberdade, os mesmos escolhem desde pequenos, o que quer comer, vestir e ir, quando chega na escola e o professor indica o lugar que ele deve sentar, vem o confronto – “nem minha mãe manda em mim, por que você mandará?” – o educador, já cansado de humilhações, revida com nervosismo e o impacto de visões acontece e a agressão se confirma.

Eu já fui agredido verbalmente, mas nunca fisicamente. Trabalhei com crianças e adolescente, este último é a clientela que eu mais me familiarizo, e é a clientela que mais agride professores pelo Brasil. Mas o que eu faço? Como eu diminuo a indisciplina em sala? Em uma escola que trabalhei, os alunos ficavam aglomerados em grupos dentro de sala, mas quando eu apontava à porta, eles imediatamente arrumavam as carteiras e muitos professores me perguntavam como eu conseguia fazer isso. Respondia com muito prazer.

Os estudantes gostam de ser disciplinados. Querendo ou não, quando você vem com visões diferentes, da que eles estão acostumados, vão reclamar, mas no fim, seguem as regras, mas sabe por quê? Por causa do primeiro dia de aula ou das intervenções efetuadas ao longo do ano. Deixo já bem explicitado que ALUNO SABE QUANDO O PROFESSOR CONHECE O SEU CONTEÚDO. A primeira coisa para diminuir a indisciplina é mostrar ao aluno que você é importante para a vida escolar dele, mas não fale isso, mostre com as ações: chegue à sala com a aula totalmente preparada e com curiosidades que possam integrar no conteúdo. Deixe-o perceber que você tem conhecimento e domínio da sua disciplina, caso contrário, ele entenderá que a sua presença não é significante e em sua aula, eles conversarão e muito. Quando o educando proferir que você é “boazinha ou bonzinho” saiba que ele está dizendo que você não é professor ou professora. Em todas escolas onde trabalhei, era chamado de “chato”, mas os alunos me respeitavam por motivo de saber o meu conteúdo e sempre diziam: o senhor explica bem, mas é chato. O chato é aquele que não os deixa fazer o que bem entendem e cobro o que é necessário. Mas para não haver atritos, no primeiro dia de aula, deixo bem claro várias situações:

1º – Sou professor, e não gosto que me chamem por “ou” como muitos estão acostumados ou “tio”.

2º – Ninguém está bem todos os dias, quando não estiverem, por favor, avisem-me, pois não sou “bruxo” e nem “pai Diná” para saber o que está se passando nas nossas vidas. Somos seres humanos e todos os dias acontecem “Ns” coisas. Este dia, eu deixarei em “paz”.

3º – Eu sou professor e meu papel aqui é ensiná-los ou direcioná-los para conseguirem chegar aos sonhos de vocês. Não sou amigo. Sou professor. Mesmo sendo pública a escola, vocês me pagam de forma indireta e cumprirei o meu papel.

4º – Não me enfrente, às vezes, eu sou meio louco. Se eu fizer algo que não os agradou, engula e depois converse comigo. Saiba que professor também é ser humano e erra.

5º – Estou ali para ajudá-los e não para puni-los, mas não sou milagreiro, quem quer, vamos juntos. Quem não quer, vamos juntos só que com mais dor!]

Falo sobre tarefas e que eu não coloco aluno para fora, caso ele queira sair, poderá. Não questionarei, mas o mesmo deverá aguentar as consequências.

Lembrando que tudo que é conversado em sala, deverá ser seguido. Custe o que custar! Por isso, ao apresentar suas “normas” converse com o seu coordenador e verifique se a escola está em consonância com o seu “pensar”.

Como pronunciei acima, eu não coloco aluno para fora de sala, mas já fiz isso. Quando isso acontece, saiba que eu sei que terei respaldo da direção em que me engato e é o meu último recurso. Mas, antes de mandá-lo, chamo o inspetor de aluno ou o próprio diretor e peço para que o leve. Assim que possível, farei a Ocorrência escolar e conversaremos juntos.

Agora entenda o processo:

Se eu identificar que o aluno está meio nervoso, não me direciono a ele e não chego perto dele. Caso ele participe das aulas, elogio-o para mostrar que estou o vendo e que o nosso atrito passou.

A escola precisa ter um procedimento para assegurar e “proteger” o professor. A Ocorrência padrão de Advertência é fundamental. Não se manda aluno para fora sem justificativa. Muitos diretores ouvem os alunos, e se não há uma Ocorrência escolar com explicação embasada, quem ficará em “maus lençóis” é você, professor.

Caso não consiga fazer a ocorrência em sala pelo nervosismo, peça para o inspetor ficar em seu ambiente, tome uma água e preencha a folha.

Exemplo:

O aluno X, matriculado na série/ano Y, foi encaminhado à direção para conseguirmos resolver o problema da indisciplina. O educando está com conversas paralelas dificultando seu avanço no processo de ensino – aprendizagem e atrapalhando o direito de aprender dos colegas, garantidos por lei. Antes de enviá-lo, conversei com o mesmo em aulas anteriores. Registrei a indisciplina no campo de observações da caderneta e não foi resolvido o problema. Peço que a direção, junto à coordenação, realize o procedimento cabível para conseguirmos alcançar o resultado em que somos comprometidos: fazer o aluno aprender.

Como eu disse, o “mandar” para fora é em último caso. Registre sempre na caderneta se o aluno está realizando as atividades em sala, se o mesmo está entregando as tarefas e por fim, converse com ele, mostrando os pontos fortes dele: diga que ele é inteligente. Pergunte o que ele quer ser e verifique uma maneira de mostrar que a escola quer que ele consiga chegar onde quer. Caso não resolva: encaminhe para a direção, sempre respaldando que o seu interesse é que ele aprenda!

O professor pode pedir para o aluno se retirar e o diretor pode colocá-lo para dentro da sala novamente. Este último alega que a legislação diz que o aluno tem o direito de aprender, mas esta ação faz com que o professor saia sem respaldo e ocasionará problemas maiores com a equipe e com os alunos. Dando a ideia de que ele, o aluno, pode fazer o que quiser. Lembre-se professor, QUEM MANDA NA SALA É VOCÊ! Direção e coordenação não mandam na sala. Ali, você é autoridade máxima e se pedir para sair, sempre mande um inspetor acompanhá-lo à direção. Nunca o deixe sair sozinho, pois se algo acontecer com este indivíduo fora da sala, você será responsabilizado. Já vi em algumas escolas do aluno não se retirar. Ele, enfurecido, irá mostrar que sai a hora que quiser e o professor não manda lá, na sala, e nem nele. Caso isso ocorrer, chame o inspetor, à direção. Ele insistirá em ficar: se o aluno for menor, chame o conselho e o responsável (a escola deverá ter no mínimo dois telefones para contato com a família). A aula vai parar, mas não “arrede” o pé. Com a chegada do conselho e o mesmo insistir em ficar, chame a polícia. Caso aja ameaça verbal, aproveite e faça o Boletim de Ocorrência. No registro, peça para o policial colocar que você está cumprindo com o seu ofício de professor e o mesmo foi alertado diversas vezes, se possível xeroque as escritas da caderneta e as ocorrências escolares e fixe no Boletim, o Juiz gosta de chamar os jovens tendo uma justificação plausível.

Muitos professores são agredidos por diversos fatores já mencionados por aqui, mas caso o aluno agredi-lo fisicamente, quem disse que você não pode revidar? Todo cidadão, em ameaça à vida, pode se defender. Lembre-se, você não pode começar a agressão. O professor tem de se defender. Se for agredido (não deixe chegar neste extremo), se defenda. Após faça boletim de ocorrência: agressão ao funcionário público. Chamo atenção aqui ao celular: a escola precisa construir medidas para evitar o uso, pois nesta situação o aluno grava apenas uma parte da agressão física e vendo o professor se defendendo é comum a sociedade proteger o menor. Vamos resguardar o professor, direção!

Em uma escola, vi um aluno agredir um professor e diretor, mesmo com a polícia ali, por isso é bom ter o conselho tutelar, se for menor. Além disso, quebrou carteira no nervosismo. E aí? Quem paga? Foi outra dúvida de uma educadora. A escola faz um boletim de ocorrência em detrimento da depredação do patrimônio público e um levantamento dos prejuízos. Reúna o conselho de escola, veja como ele é importante, relate o ocorrido e cheguem a uma solução do que fazer com o aluno: agressão física ao professor pode ser dada a transferência compulsória, mas lembre-se, são necessários vários registros. Mande ao Juiz da vara da infância e da juventude e o mesmo intimará o responsável para pagar o prejuízo. Já vi alunos que pagarão com esta medida.

Se você é gestor e sua escola sofre com inúmeros acontecimentos de indisciplinas e desrespeito ao funcionário, é preciso verificar com a equipe escolar e coordenação o que está acontecendo. Após, pontuar os vândalos e os indisciplinados. Após conversas e registros, troque-os de turma, sempre tomando decisão com a presença do responsável, após, se não resolver, de período e por fim, a transferência compulsória para outra unidade escolar.

Se você é professor, em caso de indisciplina grave, registre na caderneta. Se for desrespeito ao funcionário, faça boletim de ocorrência. Nunca grite e nunca escreva na lousa com as costas totalmente virada para os alunos. Fique na posição de escrever e observar. Se for agredido, se defenda. Registre tudo e siga as normas estabelecidas da equipe. Todos precisam falar “a mesma língua”.

Se você é coordenador, identifique o professor que não consegue “colocar limites” em sala. Entenda o que acontece e o auxilie para evoluir em sala.

Para toda a equipe, se a indisciplina é culminada pela maioria dos alunos, como vandalismo, pichações e desrespeito, saiba que a escola está sendo desvalorizada. O papel da escola é transformar, se acontece tudo isso, não está fazendo o seu papel. Já mostrei em alguns artigos sobre como conseguir transformar. Já mostrei que funcionou em escolas de periferias. O aluno precisa entender que ali é um espaço de respeito e paz, não de agressões e desrespeito. Se tiver dúvida, leia meu artigo (a escola transformadora).

A indisciplina é comum, o que não é comum é o desrespeito para com o professor. Se isso acontece, algo está errado. Falo sempre isso nas minhas consultorias em escolas. Está na hora de enxergar, agir e confrontar!

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 Alex de França Aleluia é formado em Letras. Escritor de obras sobre Educação, as quais já foram elogiadas por especialistas na área. Foi coordenador pedagógico de franquias de multidisciplinaridades. Já trabalhou como Coordenador do Programa Escola da Família. Trabalhou em cursinhos e Faculdades. Hoje faz palestras voltadas à motivação educacional. Capacitação para professores e articulistas de portais voltados à Educação. É membro da Academia de Letras do Brasil. Acesse seu site: www.professoralexdefranca.wordpress.com Facebook: Prof. E Escritor Alex de França Aleluia Twitter: @escritoralexf

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