dezembro 9, 2015

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Matéria publicada na edição 114 | Dezembro/Janeiro 2016 – ver na edição online

Arte & Educação: Aliança para Competência e Excelência Educacional

“É interessante disponibilizar e produzir projetos que sejam contemplados no Projeto Pedagógico da Unidade Escolar, que inicie de um diagnóstico e que traga em sua concepção a interdisciplinaridade. A arte deve ser trabalhada de forma efetiva, saindo do segundo plano na escola e das datas comemorativas nas aulas”, diz especialista

Por Rafael Pinheiro / Fotos Divulgação

Desenvolver, construir, dialogar, formar, estimular. Historicamente, o processo educacional busca, em todos esses eixos, caminhos para agregar valores e experiências que possam, juntos, criar e projetar novas formas de conhecer a si e o outro através de uma perspectiva intrínseca e humanizada, reconhecendo e reforçando alianças diárias através de laços seguros e duradouros.

A simples experiência de adentrar uma sala de aula durante longos períodos e compreender essa relação como uma oportunidade ao estímulo do conhecimento mútuo, pode ser considerado uma tarefa inspiradora – e artística. “Partindo do conceito de que Educação é o espaço de encontros e relações para a aprendizagem e o vislumbre de novos mundos por parte do sujeito e que a arte é um modo sensível de dar forma ao sentimento humano e a vida”, afirma Daniela Honorato, pedagoga especialista em Arte Educação pela Escola Superior de Artes Célia Helena.

A soma entre a educação e a arte, diz Daniela, conduz a um processo ora singular, ora plural, que se propõe a fruição dos conteúdos interdisciplinares, trabalhados intensamente com a perspectiva do encantamento e desconstrução. Assim, a significação do aprendizado em processo torna-se o ponto principal do trabalho do educador em relação ao educando.

O conceito de arte é amplo e pode ser visto por diversas vertentes. No âmbito educacional, “podemos definir arte-educação como uma concepção de trabalho, onde a arte e a educação se integram, oportunizando ao sujeito o acesso a arte como linguagem expressiva e a construção do conhecimento de forma abrangente”, diz a especialista.

Acreditar, então, em espaços livres propostos pela arte e em construções significativas para o aprendizado particular e coletivo, denota um aprimoramento singular nas metodologias pedagógicas, aliando, assim, perspectivas diferenciadas de modelos tradicionais e práticas fundamentadas. A educação, nesse olhar, transcende o palpável e encontra o seu lugar na imaginação, na criatividade, cognição e nas ações que envolvem a autonomia e a criticidade.

“Apropriando-se das linguagens artísticas e poéticas, a arte-educação prioriza o cuidado com a integralidade do educando, potencializando suas habilidades e conhecimentos, assim, tratando com encantamento seu caminhar na pesquisa, experimentação e atitude frente ao novo. Essas habilidades são inerentes no convívio social e escolar, principalmente na construção de um conhecimento significativo e protagonizado na consciência dos direitos e deveres de cada um”, ressalta Daniela.

A potencialidade que a arte como metodologia educativa produz traça um histórico social e cultural de grande destaque, refletindo sobre questões que envolvem (não só) o disseminar de matérias curriculares como a amplitude que a formação escolar disponibiliza. Essa experimentação, tão discutida e solicitada, diminui esse enquadramento e padronização na qual a educação se veste. As percepções dos pormenores, das diferenças, das nuances devem ser ressaltadas, assim como na arte.

Refletimos, dessa forma, as necessidades e realidades encontradas no interior de cada instituição escolar, de modo que os novos projetos que começam a surgir no currículo escolar proponham atividades singulares, relações, sensibilidades e construções instigantes. “A arte nos ensina a confiar e enaltecer os sentimentos, a vivenciar as experiências, a apreciar e olhar para as consequências das escolhas, e principalmente a revisitá-las. Esse processo faz com que o educando tenha uma leitura de mundo analisada e que possa responder as questões existentes no cotidiano de forma criativa, assim como faz o artista que problematiza, adequa e encanta”, conclui a arte-educadora.

POEMA ILUSTRADO

O Colégio Humboldt, fundado em 1916 e mantido pela Sociedade Escolar Barão do Rio Branco, oferece, em seus ideais, um ensino de qualidade pautado pelo aspecto multicultural. Nesse contexto, o colégio disponibiliza aos alunos um leque de projetos que envolvem programas de interação entre matrizes curriculares tendo, como eixo central, um viés artístico.

Os estudantes do 7º ano do Colégio Humboldt têm a chance de explorar seu lado artístico e de ver os trabalhos de própria autoria serem transformados em livro no projeto “Poemas e Aquarelas”, que este ano reuniu poesias e aquarelas sobre o tema Água – escolhido em função da preocupante situação da crise hídrica no País. O livro recebeu dos alunos o título “Infinito Azul” e foi lançado em um sarau organizado pelo colégio no último dia 19 de novembro.

“Como o próprio nome do projeto sugere, a arte é a fonte que conduz o pensamento e a linguagem pela qual os alunos expressam a sua leitura de mundo. A partir de questões que nos afetam diariamente, surgem poemas e aquarelas que denunciam, que clamam por ajuda, que apresentam soluções”, diz Everton Augustin, diretor geral do Colégio Humboldt.

De acordo com o diretor, além do aspecto criativo usando as cores e as palavras, é necessário ressaltar o trabalho colaborativo para alcançar o objetivo almejado. “Alunos e professores definem os temas e desenvolvem os trabalhos de criação. Os pais dos alunos colaboram na publicação, em forma de livro, do resultado das produções. São muitas mãos em prol de metas comuns que se resumem em melhorar o mundo”.

Cada ano com um tema diferente, o projeto mantém a mesma proposta de aliar conhecimento, discussão, reflexão e produção artística dos alunos. Por ser um trabalho interdisciplinar, que envolve as disciplinas de Português, Alemão, Artes e Música, os alunos puderam utilizar conhecimentos de diferentes disciplinas para compor seus trabalhos.

A cidade de Paraty, uma das mais belas do Rio de Janeiro, serviu de inspiração para produção do livro. Porém, antes de partirem para esta visitação, os alunos discutiram o tema, falaram sobre sua importância e conheceram diferentes técnicas para produção de textos poéticos. “Também fizeram oficinas de aquarela e aprenderam a utilizar as cores e a água para criar belas paisagens. A finalização do projeto se dará na elaboração de um sarau. Nele os alunos recitarão poemas, farão diferentes apresentações artísticas ligadas à música, à dança e ao teatro, além de autografarem os exemplares”, conta Elaine Mendonça, Coordenadora do Ensino Fundamental II.

INTERVENÇÕES ARTÍSTICAS

O Colégio Marista Arquidiocesano de São Paulo, que faz parte do Grupo Marista e compõe uma rede de 16 colégios distribuídos nos estados de São Paulo, Paraná, Santa Catarina e nas cidades de Goiânia e no Distrito Federal, acredita que a escola deve ser, também, um lugar de produção cultural, garantindo meios para as múltiplas expressões culturais, proporcionando momentos de reflexão e de consolidação dos laços de identidade.

O programa “Arquicultura”, por exemplo, destinado aos alunos do Ensino Médio e Fundamental, contempla diversas atividades, tais como exposições itinerantes “A Floresta no Olhar da História”, “Proteja os Mananciais” e “Ecocidadão”, montadas na biblioteca central; rodas de leituras; concurso de poesia com o tema “São Paulo, meu amor!”; visitas monitoradas ao Museu Lasar Segall e à Casa Modernista; “AnimaArqui”, com apresentação de filmes seguidos de discussões;

O projeto “Ações poéticas e intervenções artísticas ambientais” do Colégio Marista Arquidiocesano, desenvolvido pela professora Jaqueline Jacques, destinou-se aos alunos do 8° ano do Ensino Fundamental. As dependências do colégio foram tomadas por ações poéticas. Inicialmente a ideia era causar estranhamento, chamando a atenção da comunidade escolar para uma observação mais atenta do cotidiano. A sala de aula, portanto, tornou-se um atelier/fórum para a realização das ações.

“Com estas iniciativas, esperávamos colorir e alegrar um pouco o nosso ambiente de estudo, interagindo os processos criativos dos alunos à comunidade da escola, expondo e ressignificando o espaço comum. Além de ampliar o repertório e afinar a sensibilidade na apreciação de ações de artistas da arte moderna e da arte contemporânea que propuseram reflexões sobre meios e suportes. Importante ressaltar a vivência dos processos de criação no ambiente de aprendizagem”, enfatizou a educadora.

MÚSICA, CULTURA E SENSIBILIDADE

A música tem sido, através dos séculos, uma forma de comunicação entre os indivíduos. O período do nascimento até os 6 anos de idade é fundamental para aprender a decifrar as imagens sonoras da música e desenvolver representações mentais para organizar o aprendizado. Assim como todas as crianças nascem com o potencial para aprender a falar e compreender a sua língua nativa, todas nascem com a capacidade de executar e compreender a música. Tocar regularmente melhora as competências linguísticas, a memória e a percepção do mundo ao redor.

Samuel Negrão, formado em música pela faculdade Claremont McKenna College, na Califórnia, Estados Unidos, e um dos fundadores da startup Sala do Músico, acredita que “aprender música desenvolve o raciocínio, estimula a memória, mas também ensina autodisciplina, paciência e a ter sensibilidade”. Outros grandes benefícios que a música proporciona são a socialização e o trabalho em equipe. “Para que uma orquestra ou uma banda dê certo é necessário que todos os participantes toquem seus instrumentos em harmonia, respeitando o ritmo e os tempos para cada um”, afirma Samuel.

De acordo com o músico, tocar um instrumento musical contribui para um bom desenvolvimento psicológico e social da criança, além de influenciar positivamente o entendimento de outras áreas do conhecimento e suas relações com as disciplinas curriculares.

O Colégio Bom Retiro, criado em 1989, possui, em sua base pedagógica, o conhecimento além de seus limites em outros espaços de aprendizagem, seja pela apropriação de novos conhecimentos mediante as experiências, em projetos sobre temas específicos ou nos diversos componentes curriculares. Sendo, assim, o conhecimento uma construção social, interativa e contínua, envolvendo os alunos no processo educativo-formativo.

O projeto “História, Cultura e Poesia nas Letras das Músicas” proposto pelo colégio tem, por finalidade, refletir de qual forma os afetos, os sentimentos e as sensações dos alunos interagem com a aprendizagem nas práticas da cultura musical. Segundo Claudia Farkas, diretora do colégio, enquanto o ser está vivo, falando e se movimentando, está expressando musicalidade e suas emoções através de sons e ritmos. “A música desperta no educando valores que são descritos e descobertos por meio da Arte, aguçando a sensibilidade, criatividade, análise e compreensão da realidade que vivenciam”.

Os objetivos gerais desse projeto são: desenvolver no aluno a sensibilidade artística e musical, alcançado por meio de estudos da teoria musical, complementada pela vivência cotidiana; despertar o interesse, o respeito, o encantamento pelas variações musicais de maneira lúdica, estimulando os alunos no desenvolvimento das disciplinas; e proporcionar às crianças a socialização através da música.

Além de reconhecer a importância da música na vida dos alunos, saber diferenciar diversos ritmos musicais, desenvolver a criatividade e habilidade de interpretar letras de músicas, criar o hábito de fazer uma audição consciente e desenvolver a sensibilidade auditiva, o senso rítmico e a coordenação motora.

ARTE E MOVIMENTO

Através da criação de obras de arte com massa de modelar, sucatas e garrafas, o projeto “Brincarte”, da Escola Cristã Reverendo Olavo Nunes, localizada em Porto Alegre, tem como objetivo fazer com que os bebês progridam, cada vez mais rápido, no desenvolvimento dos movimentos básicos. De acordo com a Coordenadora Pedagógica da escola, Cibelle Saquet, o contato com diferentes materiais e a possibilidade de criação despertam nos bebês as funções nervosas e musculares.

“A massinha de modelar, por exemplo, desenvolve a expressão artística, já lidar com material de sucata ajuda a criança a criar a ideia de espaço e profundidade e o trabalho com pinça faz com que o bebê tenha facilidade na escrita, no futuro”, destaca Cibelle.

Os cinco sentidos também são trabalhados no projeto. Os bebês experimentam alguns alimentos para desenvolver o paladar. Eles têm contato com objetos de diferentes materiais e texturas para começar a reconhecer instrumentos através do tato. Todas as aulas do projeto são ministradas com música ao fundo, com o intuito de que a criança acompanhe os diferentes ritmos. “Os bebês estão em fase de conhecimento e descobrimento do mundo, quanto mais cedo eles trabalharem os sentidos e os movimentos, eles terão melhor rendimento e aprendizado no futuro”, finaliza

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