Março 13, 2017

O Ensino Superior e a crise

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Por Cesar Silva

A chegada da crise econômica à Educação Superior está mais do que evidente nos principais indicadores do setor. Desde 2015, registra-se redução no número de novas matrículas, crescimento da evasão e da inadimplência e, agora, sequer a escassa oferta de vagas pelo FIES é preenchida.

Estratégica para qualquer nação, a Educação Superior deveria ser prioridade para o país, particularmente pela ocorrência do chamado Bônus Demográfico, em que a maior parte da população está em idade ativa. Se o fosse, possibilitaria melhor formação de mão de obra, mais trabalhos, maiores eficiência e produtividade e crescimento econômico. Porém, há uma total falta de perspectivas com relação a ações governamentais que estimulem a qualificação de sua população.

Mesmo com as políticas anteriores, a resposta era pequena. De 2012 até hoje, apesar de programas como Fies e Prouni, o crescimento no número de matriculados no ensino foi de apenas 500 mil, algo irrelevante para uma população de mais de 200 milhões de habitantes.

A desmotivação para o investimento de recursos financeiros e de tempo pelos alunos se comprova com o não aproveitamento do número total de vagas ofertadas pelo FIES. Mesmo com a redução significativa do número na oferta nos últimos anos, uma em cada cinco vagas ofertadas não é preenchida. O mesmo ocorre com relação aos contratos vigentes, dos quais 25% não são renovados. A inadimplência do programa é ainda mais calamitosa, superando a metade dos contratos em vigência. Nos últimos três anos, o total de atrasos passou de 47% para 53%. Fica claro que mesmo os beneficiados que se interessaram pelo ingresso na educação superior não têm como arcar com os contratos.

A alternativa encontrada pelas Instituições de Ensino Superior tem sido, em primeira instância, reduzir suas mensalidades quase que ao nível do custo operacional para, em seguida, parcelar os valores totais dos cursos em períodos superiores ao do seu desenvolvimento. A ideia é que, quando formado e no mercado de trabalho, o aluno possuirá renda para quitar as demais parcelas do curso. Desta forma, as IESs “vendem o almoço para pagar o jantar” e, além de reduzir suas receitas presentes, acabam expostas a riscos futuros. Os dados de inadimplência do FIES podem indicar que mais de 50% dos contratos nesta modalidade possuem grande risco de não serem cumpridos.

Outro fato é a descaracterização das IESs que, ao invés priorizarem o desenvolvimento de estratégias e metodologias para aprimorar seus programas de graduação e pós-graduação, forçam seus gestores a concentrarem-se na criação de planos “mirabolantes” de captação e de manutenção de receita com financiamentos. As IESs, assim, colocam de lado seu papel principal e rumam na direção dos agentes financeiros.

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