outubro 11, 2017

O currículo de uma escola participativa

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CULTURA INGLESA – BANNER DE CONTEUDO

Por Celso Antunes

Caso fosse possível expressar por um sinal gráfico ou um ícone a diferença fundamental entre o professor de antigamente e o professor atual – e, portanto, sintonizado com as novas formas de aprender – acredito sinceramente que esse ícone ou sinal gráfico seria o ponto de exclamação (!) para o professor do passado e o ponto de interrogação (?) para o professor dos novos tempos.

Exagero? Nem tanto.

Quando pensamos na concepção do professor de trinta ou quarenta anos atrás era impossível não o perceber como o “proprietário dos conhecimentos”, verdadeiro “donatário do saber”, que tudo conhecendo, concebia suas aulas como expressão de sua erudição em tudo responder. O conhecimento, nesses tempos, era visto como algo estático, finito e que, pertencendo a alguns, era passado a outros.

Uma “boa aula” era aquela em que os alunos entravam com pontos de interrogação (Quem descobriu a América? Qual a produção de batatas, em 1934, na Somália? Qual a raiz quadrada de 16 elevado a terceira potência? E outras) e a sumidade expressa pela impoluta figura do professor, a todos respondia, exigindo a decoreba e a consequente transformação de pontos de interrogação, pelos pontos de exclamação. Nessa época, bom professor era o que mais sabia, ótimo aluno era o que melhor decorava e a mente humana era vista como uma lousa vazia que as aulas, pouco a pouco, tratavam de preencher. Não havia vexame maior que o professor ignorar uma resposta e, se isso acontecia, era atirado no purgatório impuro dos incompetentes crassos.

Hoje tudo isso mudou e o grande professor, o excelente mestre, é aquele que sabe transformar respostas em novas perguntas. Todos que se insinuam como verdadeiros mágicos na construção da curiosidade e no desafio de seu assumir como arquitetos de questões, propositor de problemas. Essa mudança deu-se não apenas porque há trinta ou quarenta anos atrás nada se sabia sobre o cérebro humano e a maneira como processava a informação, transformando-a em conhecimento, como também porque se vivia priscas eras de saberes estáticos, onde o bom pai era apenas a imitação grotesca do excelente avô.

Tal como a evolução da medicina veio ensinar que não mais se cura dor de barriga com Elixir Paregórico e que nada pode piorar uma infecção que banhá-la em mercúrio cromo, a evolução da Educação ensina-nos que o conhecimento não é algo que vem de fora, que se transmite e que a memória acumula, mas sim uma construção interativa e dinâmica que a mente executa quando transforma desafios em busca e, assim, a busca em saberes. Aprender, hoje em dia, é resolver situações complexas e saber usar o que aqui se conquista ao desafio que logo à frente vai por certo surgir. Essa mudança no conceito de conhecimento e de aprendizagem, implica em uma mudança estrutural nos currículos.

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