dezembro 7, 2017

A educação está em movimento. A sua escola já pensou nisso?

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*Por Pe. Javier García Martínez, Diretor do Colégio Agostiniano São José (CASJ)

A educação superior no Brasil está em pelo movimento. O Censo de Educação Superior divulgado pelo Ministério da Educação, em 2017, mostrou que o número de matrículas de alunos na graduação vindos da rede pública teve um aumento de 1,9% em 2016 em relação ao ano anterior. Entre as universidades federais, esse aumento foi maior, de 2.9%.

Esses dados representam um importante progresso do país, pois aumentou o número de vagas nas universidades, permitindo o acesso a mais alunos, especialmente os de escola pública. Além do sistema de cotas, parte desse resultado se deve ao ENEM, que vem democratizando o acesso às faculdades de maneira positiva. Usar o exame como forma de ingresso ao curso superior começou com as universidades federais e acabou levando as estaduais a também adotarem essa prática.

A USP foi a mais recente instituição a anunciar o seu sistema de cotas para alunos de escola pública e destina uma parcela das vagas pelo ENEM via Sisu (Sistema de Seleção Unificado). Resumidamente, até 2021, metade dos estudantes da USP, de cada curso e turno, terão vindo da rede pública de ensino. Isso implica que para ser aprovado no vestibular de medicina, o aluno não cotista terá de acertar 80% da prova.

Essa movimentação cria um efeito cascata nas universidades privadas de primeira linha. Estudantes de escolas particulares, que não forem aprovados na Fuvest ou não conseguirem nota suficiente no ENEM, buscarão alternativa nos cursos privados mais conceituados, gerando maior concorrência por vagas e, consequente, aumento de mensalidades. É a lei da oferta e da procura.

Esse cenário vem preocupando e exigindo uma adaptação das escolas particulares no sentido de intensificar os estudos dos alunos do Ensino Médio para enfrentarem a concorrência cada vez maior que se avizinha. São diferentes iniciativas que vão desde o aumento da carga horária, treinamento de professores, repertório com mais especialização e interdisciplinaridade dentro dos conteúdos.

A técnica de redação como divisor de águas

A dinâmica dos vestibulares é outro desafio que os gestores das instituições particulares mantêm na mira. Nesse ponto, há um consenso de que a redação é o que fará a diferença na pontuação final, visto que, em à relação transmissão de matérias, em tese, as escolas cumpriram todo o conteúdo.

No tocante às redações, entretanto, universidades públicas e privadas variam na diversidade textual. A Fuvest, responsável pelo vestibular da USP, tem empregado temas filosóficos em que o corretor consegue analisar o repertório que o aluno tem, tanto de Filosofia quanto de Humanas em Geral, e como o estudante aplica esse conhecimento no seu cotidiano. A correção não se concentra apenas nos erros gramaticais, é algo bem mais amplo.

Há faculdades que pedem a dissertação argumentativa, outras, a dissertação com proposta de intervenção. Essa última modalidade é a mais utilizada pelo ENEM que, por ser um exame nacional, traz temáticas com questões sociais e pede que, ao final, o aluno proponha uma resolução. Há ainda a redação narrativa e a carta, pouco comum por enquanto, mas já presente em alguns exames.

Esse leque demonstra a importância que a técnica de redação vem assumindo. Há alunos com forte conhecimento do conteúdo das disciplinas, mas uma enorme dificuldade de expressar-se textualmente. Logo, é papel da escola ajudá-lo a transpor essa barreira, oferecendo a melhor preparação, desde que o investimento das famílias por uma educação de qualidade no ensino médio deve ser recompensado pelo ingresso de seus filhos nas universidades que eles sonharam.

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