Guia para Gestores de Escolas

A importância das competências socioemocionais na transformação da educação brasileira

Dentre os pontos altos destacados pela BNCC, o trabalho voltado para as competências socioemocionais tem trazido uma nova abordagem curricular nas salas de aula. Além de colaborar para a diminuição das desigualdades, o desenvolvimento de competências socioemocionais na escola auxilia na formação integral dos estudantes.

Por tradição, as escolas priorizam desde cedo a formação das crianças e jovens com o foco no trabalho das competências cognitivas, tais como o raciocínio e a memória. No entanto, muitas pesquisas já comprovam que desenvolver cotidianamente e intencionalmente as competências socioemocionais nas práticas escolares, assim como ajudar os estudantes a aprenderem a se relacionar consigo, observando e dialogando com suas emoções, pode resultar em um maior número de benefícios para o processo de ensino-aprendizagem e para muitas outras realizações ao longo da vida, como na felicidade, saúde, no trabalho e nas relações sociais.

O colega Prof. Mairlos Navarro, do Centro de Formação de Educadores da Base2Edu, afirma que “o tempo dedicado na escola ao desenvolvimento de competências socioemocionais potencializa o aprendizado nas disciplinas tradicionais promovendo maior integração entre os processos de aprendizagem, que devem explorar diversos elementos de um mesmo tópico estudado, ressaltando tanto aspectos ‘técnicos’ como comportamentais. Como educadores, devemos evitar o conhecimento unicamente compartimentado, que limita a visão dos estudantes e trabalhar de maneira integrada, ressaltando as diversas conexões principalmente com as questões socioemocionais que podem servir de apoio para a aprendizagem de outros tópicos e aspectos de cunho mais técnico, pois quando os estudantes trabalham de maneira colaborativa, ética, responsável, de maneira crítica, empática, etc. acabam tendo um melhor entendimento e auxiliando os colegas a aprenderem mais e de maneira mais significativa”.

Por onde começar e como fazer a relação entre as emoções e o aprendizado?

Para trabalhar as competências socioemocionais, o educador precisa, primeiramente, ter uma experiência pessoal com elas. Para tanto, gestores e professores precisam ter momentos de estudo e prática em grupo. Discutir o PPP e os planos de aula de maneira colaborativa também faz parte do processo.

Os pilares socioemocionais estão diretamente ligados à aprendizagem, não se desenvolvendo de forma separada dos aspectos cognitivos, mas sim de forma integrada, sendo ambos igualmente importantes para a formação humana.

É esperado que a caminhada de ensino-aprendizagem seja essencialmente interativa e por isso, nas escolas, os estudantes precisam ser constantemente levados a colocar em prática uma série de competências, seja durante a autoavaliação sobre o próprio desempenho (erros, conquistas, planejamento, etc.), seja nas oportunidades de interação com colegas, professores e outros participantes do contexto escolar.

As escolas podem propor e potencializar o desenvolvimento dessas competências com maior ou menor intencionalidade de acordo com as práticas de ensino, e oferecer mais oportunidades para o desenvolvimento de competências como autoconhecimento, resiliência, colaboração e organização.

Um bom começo é pautar as atividades pelas particularidades de cada estudante, reconhecendo o valor da diversidade, conectando a aprendizagem àquilo que realmente faz sentido para a vida da criança, do adolescente e do jovem em formação. Personalizar as experiências de aprendizagem pode ser o grande fator para que todos os alunos tenham as mesmas chances de sucesso escolar.

Quando a BNCC faz referência a estudantes no centro do processo, ela está sugerindo que ele seja ouvido e efetivamente levado em conta enquanto se planeja o processo de ensino e aprendizagem. Há inúmeras metodologias que podem favorecer essa atuação na prática de educadores e quando isso acontece, há muito mais resultados positivos, tanto na aprendizagem quanto na formação integral.

Fazer uso de metodologias que ajudem a desenvolver as competências socioemocionais pode gerar muitos efeitos positivos à formação dos estudantes. A seguir, temos exemplos de aspectos que podem ser influenciados por algumas dessas competências:

– Pensamento Crítico: ter condições de analisar e avaliar a consistência de um raciocínio faz com que os estudantes tenham mais clareza sobre uma ideia e evitem pressões sociais que os levem ao conformismo.

– Comunicação: a facilidade de se comunicar com eficácia faz com que os estudantes consigam expressar suas ideias e estabelecer boas ligações com colegas e adultos. Essa competência é muito importante na criação de laços e impacta diretamente no desdobramento das interações diárias.

– Abertura para o novo: tendo essa capacidade desenvolvida, os estudantes podem explorar o mundo. Ela impulsiona o aprendizado, cultivando a flexibilidade, curiosidade, novas ideias, ambientes e desafios.

– Autonomia e responsabilidade: quando o aluno tem um maior conhecimento de si, entendendo suas potencialidades e vulnerabilidades pode assumir uma maior autonomia sobre suas ações, utilizando a autorregulação a seu favor nas situações experienciadas, inclusive nas de aprendizagem.

São várias as possibilidades para promover o desenvolvimento integral nas salas de aula. O Brasil é um país plural, rico em diversidade, que reúne experiências variadas, logo, é importante garantir que as diferentes realidades e contextos específicos sejam observados e discutidos localmente. Isso é personalização do ensino!

As 10 Competências Gerais propostas pela BNCC para a Educação Básica no Brasil, reúnem aspectos cognitivos e socioemocionais. Cabe aos educadores a definição de suas escolhas, bem como dos meios e ferramentas para concretizar a educação integral. Esse é um trabalho que deve a muitas mãos e envolve gestores, professores, pesquisadores, organizações, famílias e os próprios estudantes.

Receba nossas matérias no seu e-mail


Relacionados
× Fale conosco!