IA na educação: recursos tecnológicos que contribuem para os processos que envolvem o ensino-aprendizagem
Direcional Escolas
Os recursos disponibilizados pela Inteligência Artificial adentraram no contexto escolar e nos mostram, cada vez mais, que se bem trabalhados e utilizados com responsabilidade e intencionalidade pedagógica, podem servir como suportes facilitadores para a construção do planejamento pedagógico de cada educador e de cada educadora
As discussões que compreendem a inserção tecnológica nas escolas cresceram de forma expressiva na última década. Essas discussões foram atualizadas e ganharam novos contornos na atualidade, principalmente pela utilização de ferramentas e recursos de Inteligência Artificial (IA) em algumas camadas da educação, ampliando, assim, o debate sobre as funcionalidades tecnológicas no cotidiano escolar e, em um plano maior, se é viável usar a IA como uma aliada eficiente ao longo do processo educacional.
Partindo de uma ideia comum de que ferramentas, aplicativos e recursos tecnológicos estão acoplados em nosso cotidiano, inclusive no sistema educacional de maneira geral, profissionais da área afirmam que utilizar a IA com intencionalidade clara, uso e responsabilidade éticas, e personalização do ensino, pode ser um movimento proveitoso para todo o ecossistema escolar, especialmente na etapa de planejamento pedagógico de professoras e professores. Para adentrar nesse assunto, preparamos um especial com falas de especialistas comentando sobre como a IA pode ser uma facilitadora nos processos que envolvem o ensino-aprendizagem. Confira!
Victor Silveira – Empresário e Mentor, CEO Pense Digital e Sócio do Grupo Pense Prime
“Enquanto muitos ainda discutem se devem ou não usar, o mercado já virou a chave. Estamos na terceira onda — e, como toda onda, ela não espera ninguém. Ou você aprende a surfar, ou vai ser engolido por ela. A verdade é simples, mas poucos têm coragem de encarar: não existem mais dois tipos de escolas, empresas ou profissionais… existem dois destinos. Os que usam Inteligência Artificial para crescer, escalar e vender mais — e os que insistem no modelo antigo, lento, manual e ultrapassado. E esses últimos, inevitavelmente, vão perder espaço, alunos e relevância.
A IA não veio para substituir ninguém. Ela veio para ampliar quem está preparado. Hoje, é possível criar campanhas em minutos, automatizar processos, melhorar a comunicação e tomar decisões mais inteligentes com base em dados — enquanto outros ainda estão presos ao operacional. O jogo mudou, e quem não entende isso está ficando invisível no mercado.
Na educação, isso é ainda mais crítico. Escolas que não utilizam IA para atrair, se comunicar e converter matrículas estão competindo em desvantagem real. Não é sobre tecnologia — é sobre sobrevivência e posicionamento. E é exatamente aqui que nós atuamos: ajudando empresários e instituições que ainda não sabem usar IA a se tornarem protagonistas de um novo cenário. Porque no fim, a regra é clara: a IA não vai roubar seu espaço…, mas quem sabe usar, vai.”
Victor Silveira – Empresário e Mentor, CEO Pense Digital e Sócio do Grupo Pense Prime
Caio Contro – Empresário, contador e CEO Pense Prime
“A Inteligência Artificial deixou de ser uma promessa e passou a ocupar um papel central na transformação da gestão escolar. Mais do que uma inovação tecnológica, ela se tornou uma aliada estratégica para instituições que buscam eficiência, crescimento sustentável e excelência educacional.
Ao ser aplicada com critério, a IA permite que escolas transformem dados em inteligência prática, apoiando decisões mais seguras, otimizando rotinas administrativas e reduzindo gargalos operacionais. No âmbito pedagógico, contribui para a personalização do ensino, análise de desempenho e acompanhamento contínuo da evolução dos alunos. Já na gestão, fortalece o controle financeiro, amplia a previsibilidade e melhora a performance em processos como captação, retenção e relacionamento com as famílias.
O grande diferencial não está apenas na tecnologia, mas na forma como ela é integrada à estratégia da escola. Instituições que adotam a Inteligência Artificial de maneira estruturada ganham agilidade, clareza e competitividade — liberando gestores e educadores para focarem no que realmente importa: o desenvolvimento humano e a entrega de uma educação de alto nível.”
Caio Contro – Empresário, contador e CEO Pense Prime
Elaine Coimbra – Vice-presidente de comunicação da Associação Brasileira de Inteligência Artificial (Abria)
“Os recursos digitais e as ferramentas de IA já não são mais o futuro. Eles estão aqui, transformando o dia a dia das escolas brasileiras. E, no contexto pedagógico, a IA pode ser uma aliada poderosa na formação profissional docente e uma facilitadora real nos processos de ensino-aprendizagem, desde que a gente a use com critério, criatividade e olhar humano. Na formação dos professores, a IA chega para aliviar o que mais consome tempo: a preparação de aulas. Em vez de passar duas, três ou quatro horas montando um plano do zero, o educador pode pedir à IA um esboço inicial, sugestões de atividades alinhadas à BNCC, materiais complementares ou até roteiros de aula diferenciados por perfil de turma. O que muda é o foco: o professor deixa de ser produtor de conteúdo e vira curador e designer de experiências.
No meu curso de IA na Educação e nas palestras que faço, sempre mostro que o segredo está na engenharia de prompt. Quanto mais o professor sabe guiar a ferramenta, mais refinado e pedagógico fica o resultado. Não é mágica, é parceria. No ensino-aprendizagem, as possibilidades são ainda mais empolgantes. A IA permite o ensino realmente personalizado, aquele sonho do 2 sigmas de Bloom que a gente estuda há décadas. Ela atua como tutor adaptativo, ajustando o ritmo, o nível de dificuldade e o tipo de explicação para cada aluno, 24 horas por dia, sem cansar. Nas metodologias, ela ajuda a criar projetos interdisciplinares, simulações imersivas, roteiros de gamificação e atividades que colocam o estudante no centro. Na avaliação, vai muito além da nota: oferece feedback imediato, personalizado e formativo, liberando o professor para olhar o que realmente importa, o desenvolvimento socioemocional e o pensamento crítico.
Mas aqui vai o ponto que sempre defendo: a IA não substitui o professor, ela o fortalece. O grande risco não é a tecnologia em si, mas o uso preguiçoso ou ingênuo dela. Planos de aula gerados por prompt genérico costumam ser rasos e pouco inspiradores. Por isso, a formação docente precisa incluir, obrigatoriamente, o domínio crítico da IA, entender como ela funciona, onde erra, como refinar os resultados e, principalmente, como manter o protagonismo humano no processo educativo.
Além de ajudar na construção de conteúdo a IA pode ajudar a corrigir provas de múltipla escolha e uma pré-avaliação das perguntas dissertativas para depois ter a avaliação final do professor. Ela é uma assistente ao trabalho pós-aula do professor. A análise de perfil de alunos, as falhas comuns e sugerir conteúdos complementares com texto, áudio, vídeo e animações deixando a aula mais interativa, diferente do professor somente transmitindo. A IA é a melhor assistente que o professor já teve, desde que ele continue sendo o maestro. Ela cuida do repetitivo, do burocrático e do escalável. Nós cuidamos do afeto, da ética, da criatividade e do olhar que só o educador tem.”
Elaine Coimbra – Vice-presidente de comunicação da Associação Brasileira de Inteligência Artificial (Abria)
Marcia Padilha – Assessora de currículo de educação digital e midiática do espaço ekoa
“No espaço ekoa entendemos que, sem desenvolvermos uma visão que inclui, mas que vai além da elaboração de prompts, não poderemos ser bons usuários de IAs e nem formar nossos estudantes para isso. Do ponto de vista técnico, todos precisamos compreender que o termo inteligência diz mais sobre ‘modismos’ do que sobre a natureza das IAs, uma vez que o que elas fazem é decifrar padrões de uma quantidade extraordinária de conteúdos já publicados na internet e os combinar de forma eficiente em relação aos prompts solicitados, mas sempre limitadas por sua programação algorítmica e pelas bases de dados utilizadas.
No entanto, elas não criam nada de novo. Do ponto de vista ético, precisamos estar atentos a limites e vieses algorítmicos, que podem carregar discriminações, exclusões e preconceitos que podemos reproduzir sem crítica em materiais didáticos e práticas educativas nas escolas. Assim, o melhor papel para a IA na docência é o de super assistentes de pesquisas para ampliar repertórios sobre diferentes pedagogias, metodologias de ensino, processos e técnicas de avaliação, recursos didáticos, planos de aula, gestão de sala de aula etc. Mas a qualidade das ‘entregas’ das IAs e de sua interpretação crítica está diretamente relacionada à profundidade e conhecimento de cada docente sobre os temas pesquisados e sobre a docência em si. Quem compreender isso, fará os melhores usos das IAs.
Do contrário, corre-se o risco de começarmos a reproduzir erros, superficialidades e vieses sem nos darmos conta, produzindo trabalhos repetitivos, com pedagogias que não condizem com cada escola ou com as normativas nacionais ou regionais, didáticas questionáveis, sem supervisão humana. Atrás de uma suposta hiperprodutividade, pode-se colocar em xeque a qualidade de ensino oferecido por um docente ou uma escola. Uma onda de trabalhos errados e de retrabalho já vem ocorrendo amplamente em setores do mundo empresarial e corporativo, creditadas a uma preguiça intelectual derivada do uso indiscriminado das IAs. Aqui, novamente, temos a centralidade da formação em serviço, do discernimento e da maturidade profissional de cada educador ou educadora. A inteligência e a responsabilidade pelos nossos estudantes continuam sendo humanas. Quem souber equilibrar os benefícios e riscos do uso das IAs na atividade docente, talvez não dispare na frente, mas caminhará com consistência e qualidade.”
Marcia Padilha – Assessora de currículo de educação digital e midiática do espaço ekoa
Vanessa Moschetti – Fundadora da St. John’s Academic Centre & Publisher/Language e da St. John’s International School
“Os recursos digitais e a Inteligência Artificial vêm redefinindo a forma como o conhecimento é acessado, construído e aplicado, tornando-se aliados importantes tanto na formação docente quanto nos processos de ensino-aprendizagem. Mais do que uma tendência, a IA já faz parte do cotidiano escolar e, quando bem integrada, apoia o professor na preparação de aulas, na diversificação de metodologias, na personalização do ensino e na análise de desempenho dos alunos. Com isso, é possível otimizar o tempo pedagógico e ampliar a capacidade de acompanhamento individual, tornando o aprendizado mais eficiente e significativo.
No entanto, o foco não está na tecnologia em si, mas no desenvolvimento das competências humanas. Nesse cenário, o papel do professor se fortalece como mediador do conhecimento, responsável por orientar, provocar reflexões e estabelecer critérios para o uso consciente e ético da IA. Ferramentas inteligentes ampliam o acesso à informação e dinamizam a pesquisa, mas exigem dos alunos habilidades como seleção, análise crítica e reconstrução do conhecimento. Assim, competências como pensamento crítico, autonomia e responsabilidade tornam-se centrais no processo educativo.
Na St. John’s, a IA é integrada de forma estruturada e intencional, sempre com propósito pedagógico. Os alunos utilizam a tecnologia como apoio à pesquisa e à produção de conteúdo, sendo incentivados a compreender, questionar e construir conhecimento com autoria. Além disso, plataformas acadêmicas permitem o acompanhamento das entregas e identificam possíveis inconsistências, oferecendo ao estudante a oportunidade de revisar e aprimorar seus trabalhos. Dessa forma, a IA deixa de ser um risco e se torna uma ferramenta potente para formar indivíduos críticos, éticos e preparados para um mundo em constante transformação.”
Vanessa Moschetti – Fundadora da St. John’s Academic Centre & Publisher/Language e da St. John’s International School
Renan Navarro Martins – Assistente técnico educacional no Colégio Marista São José – Barra
“A realidade escolar foi ‘engolida’ pela Inteligência Artificial, uma ferramenta que só víamos em desenhos e filmes e que não achávamos que iria se tornar realidade, mas que tomou forma e força. Estudantes que utilizavam essas potencialidades em casa, de maneira recreativa para criar imagens ou responder curiosidades mais complexas, passam a utilizar como recurso de pesquisa escolar. O período pós-pandemia de COVID-19 acelerou boa parte do crescimento das chamadas Tecnologias da Informação e Comunicação (TICs), dando autonomia aos estudantes, transformando a IA em parte do material escolar.
Claro que, além dos estudantes, nós, educadores, também fomos lançados a um mundo completamente novo, com desafios e inseguranças. ‘Como vou adaptar minha aula com tanta tecnologia?’ ou ‘Como competir com essas tecnologias?’ foram alguns questionamentos que muitos de nós tivemos até compreender um pouco melhor sua utilização e entender que ela é uma aliada, e não uma inimiga ou uma ameaça. Quando o educador compreende que precisa de formação e capacitação para utilizar e se adaptar às novidades tecnológicas como a IA — ser rigoroso com a política de segurança, pois estamos lidando com crianças e jovens, usando de forma responsável com um foco educacional —, o ambiente escolar passa a ser um local seguro de utilização de IA. Nos dias de hoje, temos muitas IAs aliadas aos educadores, seja para criar uma imagem de mapa mental ou ajudar na elaboração de uma aula, baseada na BNCC.
Nessa perspectiva, devemos tomar cuidado com a crescente sensação de autonomia que os estudantes estão criando com a IA, pois ela não poderá substituir jamais a interação humana. A utilização dessas ferramentas deve ser feita com ética, cabendo ao educador o papel de garantir que ela seja sempre utilizada de maneira crítica, segura e responsável, estabelecendo regras e limites em sua utilização.”
Renan Navarro Martins – Assistente técnico educacional no Colégio Marista São José – Barra
Maria Carolina Araújo – Diretora Regional do Colégio Ábaco
“A Inteligência Artificial, de fato, tem se mostrado uma grande aliada na educação, não como uma substituta, mas como um suporte que potencializa o trabalho do professor. Na formação docente, a IA auxilia principalmente na gestão do tempo, permitindo automatizar tarefas mais repetitivas, como plano de aula, curadoria de material e criação de avaliações, e direcionar o esforço para o que realmente importa, que é a dimensão humana do ensino, como a mentoria e o acompanhamento do aluno.
Já nas práticas de aula, a IA facilita a aplicação de metodologias ativas e a adaptação de conteúdos em diferentes níveis de compreensão, tornando o ensino mais personalizado. Isso está alinhado ao que a Unesco aponta como fundamental, que é o uso da tecnologia para promover a equidade, garantindo que o aprendizado respeite o ritmo de cada aluno. Nesse sentido, a IA atua como um apoio importante para um ensino mais individualizado, ampliando possibilidades e oportunidades, inclusive para alunos de inclusão. Outro ponto relevante é a avaliação: com a análise de dados, até mesmo em tempo real, é possível ter uma visão mais ampla de cada aluno e de cada turma, identificar lacunas com mais agilidade e desenvolver planos de ação mais eficazes.
O educador que souber utilizar a IA de forma complementar terá um diferencial, pois conseguirá ampliar o alcance das suas aulas, obter feedbacks mais rápidos e diversificar suas práticas. A IA entra no contexto pedagógico como uma ferramenta que possibilita ganho de escala com personalização, tornando os processos de ensino-aprendizagem mais dinâmicos e orientados por evidências, com foco no desenvolvimento global do aluno, sem deixar ninguém para trás. O trabalho docente se torna mais assertivo e menos sobrecarregado. Por isso, na formação docente, é fundamental preparar os professores para o uso dessas ferramentas, garantindo que saibam aproveitar ao máximo o potencial da IA.”
Maria Carolina Araújo – Diretora Regional do Colégio Ábaco
Karla Priscilla Ferreira – Coordenadora de Inovação da Rede Missionárias
“A IA vem se consolidando como uma aliada estratégica na educação ao transformar o modelo tradicional de ensino em uma relação dinâmica entre professor, estudante e tecnologia. Nesse contexto, a IA não substitui o papel humano, mas amplia suas capacidades, permitindo práticas mais eficientes, personalizadas e inclusivas. Seu uso adequado contribui para tornar o processo educacional mais adaptável às necessidades contemporâneas, desde que acompanhado de critérios éticos e pedagógicos bem definidos.
Na formação docente, a IA possibilita um desenvolvimento contínuo e personalizado. Professores podem identificar suas próprias lacunas de competência por meio de ferramentas de autodiagnóstico, além de contar com sistemas que simulam situações reais de sala de aula para treino e aperfeiçoamento. Esses recursos também favorecem a colaboração entre educadores, conectando profissionais com interesses semelhantes e facilitando o compartilhamento de práticas e experiências. Já no processo de ensino-aprendizagem, a IA apoia o planejamento de aulas, a criação de materiais didáticos e a personalização do ensino, permitindo que cada aluno avance no seu próprio ritmo, com acompanhamento e feedback constantes.
Além disso, a IA promove mudanças significativas na avaliação e na gestão educacional. Sistemas inteligentes permitem o monitoramento em tempo real do desempenho dos estudantes, auxiliando na identificação precoce de dificuldades e na tomada de decisões pedagógicas mais assertivas. Ao mesmo tempo, impulsionam uma revisão dos métodos avaliativos, valorizando habilidades mais complexas, como pensamento crítico, criatividade e colaboração. Outro impacto relevante está na automação de tarefas administrativas, liberando o professor para focar em aspectos mais humanos da educação. Para que todos esses benefícios sejam efetivos, é fundamental que o uso da IA seja orientado por princípios de segurança, ética e proteção de dados.”
Karla Priscilla Ferreira – Coordenadora de Inovação da Rede Missionárias