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Arquitetura escolar: Projeto arquitetônico sustentável

A estrutura física, tanto externa como interna, é o principal eixo que sustenta uma instituição de ensino. Essa estrutura arquitetônica carrega o histórico da instituição, sua marca e seu propósito pedagógico, as adaptações ergonômica, de segurança e acessibilidade, assim como agrega os espaços de socialização e os trabalhos de aprendizagens, além de influenciar no bem-estar físico e psicológico, e no acolhimento que uma escola oferece cotidianamente. Estreitando o olhar sobre estruturas arquitetônicas contemporâneas e interferências naturais nas escolas, é possível criar (ou adaptar) uma arquitetura escolar sustentável?

Suelen Gregatti da Igreja, diretora do Quintal de Investigação – Escola de Infância trilíngue que está em processo de inauguração em São Paulo, defende que a preocupação com a arquitetura, com a sustentabilidade e com a relação da criança com o espaço está cada vez mais presente em escolas de referência internacional, “justamente porque hoje compreendemos melhor que o ambiente em que uma criança passa tantas horas por dia também participa do seu processo de desenvolvimento e aprendizagem”, diz.

“Quando pensamos em arquitetura escolar, não estamos falando simplesmente sobre onde colocar paredes, portas e janelas. Se queremos que uma criança compreenda por que precisamos preservar a água, cuidar do solo, reduzir resíduos, proteger a biodiversidade e rever nossos padrões de consumo, é muito mais significativo que ela possa acompanhar esses processos todos os dias. E a arquitetura pode fazer com que isso deixe de ser apenas um discurso e passe a fazer parte da vida cotidiana da escola”, destaca a diretora.

Na prática, é possível construir e/ou adaptar uma escola para que ela seja mais sustentável e, ao mesmo tempo, tenha baixo custo operacional. Suelen nos conta que é preciso desmistificar a ideia de que sustentabilidade significa acrescentar equipamentos sofisticados nas escolas ou investir em uma construção cara. Muitas das decisões “estão na orientação do edifício, na localização de portas e janelas, no aproveitamento da iluminação natural, na ventilação, no sombreamento, na escolha dos materiais, no tipo de cobertura, na preservação de árvores existentes e na proporção entre superfícies permeáveis e impermeáveis”, diz.

Para gestores que pretendem buscar empresas especializadas em arquitetura sustentável, Suelen recomenda: “saiam do senso comum”. “Ao procurar arquitetos, engenheiros ou empresas, o gestor deveria fazer perguntas muito concretas: como a água vai circular neste terreno? De onde vêm a iluminação e a ventilação naturais? Onde haverá sombra? Quais árvores já existem e podem ser preservadas? Como os resíduos orgânicos poderão retornar ao ciclo da própria escola? Por isso eu procuraria profissionais que compreendam que arquitetura sustentável numa escola não consiste em finalizar um projeto convencional. Ela começa na concepção do espaço. E precisa conversar profundamente com o projeto pedagógico”, finaliza. (RP)

 

Saiba mais:

Suelen Gregatti da Igreja – sue.igreja@gmail.com

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