Segurança, cuidado e bem-estar são aspectos essenciais que devem ser reforçados de maneira efetiva no espaço educacional diariamente. Para alcançar esse zelo de forma plena e irrestrita, que atenda toda a comunidade escolar, é preciso que a gestão escolar compreenda as dinâmicas do espaço físico da escola, desenhando e implementando protocolos de ação que, de fato, garantam a segurança, o cuidado e o bem-estar de todos e todas.
Eric Amorim, empresário do setor, especialista em Segurança Escolar e autor do “Guia Prático Minha Escola Segura”, destaca que a criação de protocolos de segurança para a escola transforma “boa intenção em gestão real”, e na prática “eles reduzem acidentes, organizam a resposta quando algo acontece e criam respaldo jurídico, porque registram que a escola atua com diligência, monitoramento e melhoria contínua”.
Para adentrar nesse assunto, conversamos com o especialista que destaca elementos essenciais para garantir a segurança efetiva das escolas. Confira abaixo a entrevista completa.
Direcional Escolas: Segurança, cuidado e bem-estar são essenciais no espaço educacional. Qual a importância de a gestão escolar desenvolver protocolos eficientes de segurança para atender toda a comunidade escolar?
Eric Amorim: Protocolos são o que transformam boa intenção em gestão real. Na prática, eles reduzem acidentes, organizam a resposta quando algo acontece e criam respaldo jurídico, porque registram que a escola atua com diligência, monitoramento e melhoria contínua. Hoje, segurança escolar deixou de ser “assunto do aluno” e passou a ser proteção da comunidade inteira, incluindo equipe, familiares e visitantes, o que é reforçado por leis recentes e pela própria expectativa social de bem-estar e previsibilidade no ambiente educacional.
No “Guia Prático Minha Escola Segura”, eu bato muito nessa tecla: quando a prevenção vira rotina documentada, a escola sai do improviso e entra em compliance, com impacto direto em reputação, confiança das famílias e sustentabilidade institucional.
Direcional Escolas: Quais elementos, cuidados e atenções são indispensáveis para integrarem esses protocolos?
Eric Amorim: Eu gosto de pensar em três blocos: prevenção, resposta e aprendizado. Na prevenção, entram identificação e mitigação de riscos ambientais e comportamentais, manutenção preventiva, supervisão consciente com posicionamento estratégico e vigilância ativa, além de educação estruturada para formar hábitos seguros.
Na resposta, o protocolo precisa deixar claro como garantir segurança da cena, como aplicar primeiros socorros dentro dos limites legais de atuação do profissional da educação, quando acionar serviços de emergência e como evitar transporte improvisado.
No aprendizado, nada se sustenta sem registro da ocorrência, comunicação transparente com a família, reunião de análise e revisão do processo usando um ciclo de melhoria como PDCA. Isso fecha a lacuna entre “aconteceu” e “não pode se repetir”.
Um ponto indispensável é ter organograma interno de emergência com responsáveis por treinamento e reciclagens, atendimento inicial, maleta, acionamento de emergência, retirada das demais crianças do local, registro e comunicação. Esse desenho reduz pânico, acelera resposta e protege escola e profissionais.
Direcional Escolas: É importante que esses protocolos estejam visíveis para todos/as da comunidade escolar e sejam, inclusive, enviados aos pais e/ou responsáveis para uma comunicação mais clara entre escola e família?
Eric Amorim: Sim, por dois motivos. Primeiro porque protocolo que “existe, mas ninguém conhece” não é protocolo, é arquivo. Segundo porque transparência diminui conflitos, alinha expectativas e cria corresponsabilidade com as famílias. O livro recomenda a elaboração de um Manual da Família com direitos, deveres, responsabilidades e regras, justamente para reduzir ruído e tornar a escola mais previsível e segura.
Além disso, instrumentos como ficha de saúde e termo de responsabilidade mútua fortalecem o cuidado, melhoram a tomada de decisão em emergências e deixam claro o compromisso de informação verdadeira e contínua entre família e escola.
Direcional Escolas: Implementada nas escolas em 2019, a Lei Lucas determina que professores e funcionários de escolas devem ser capacitados em primeiros socorros. Qual a importância dessa Lei e quais os seus impactos no cotidiano escolar?
Eric Amorim: A Lei 13.722/2018, conhecida como Lei Lucas, consolidou um ponto inegociável: a escola precisa ter gente preparada para agir com rapidez e técnica. O impacto imediato é redução de tempo de resposta e melhor condução de urgências comuns, mas o impacto mais profundo é cultural: a escola passa a estruturar prevenção sistêmica, treinar, simular cenários e documentar processos. E hoje essa visão se amplia, porque outras leis reforçam que segurança não se restringe ao estudante, e sim à comunidade escolar como um todo, com responsabilidade coletiva sobre proteção e bem-estar.
No “Guia Prático Minha Escola Segura”, eu resumo assim: cumprir a Lei Lucas é o mínimo, organizar papéis, protocolos e evidências é o que realmente blinda a escola no cotidiano e no campo legal.
Direcional Escolas: Como é feita a capacitação em primeiros socorros e quais são os principais tópicos abordados nesse treinamento?
Eric Amorim: A capacitação eficaz é prática e contextualizada, conectada à realidade escolar. Ela precisa cobrir noções de primeiros socorros, gestão de riscos e simulação de cenários críticos, além de treinar a equipe para atuar com estabilidade emocional e coordenação.
Os tópicos que não podem faltar são avaliação e segurança da cena, atendimento inicial conforme protocolo e limites legais, acionamento adequado de emergência, organização do ambiente e proteção das demais crianças, além do que vem depois: registro técnico e comunicação com a família com clareza e sem alarmismo.
O livro também reforça que só “saber” não basta. Cada pessoa precisa conhecer seu papel dentro do organograma e a escola precisa manter reciclagens e certificados acessíveis, com revisão anual dos protocolos.
Direcional Escolas: Para gestores e gestoras que pretendem contratar empresas especializadas em segurança escolar e que oferecem capacitação em primeiros socorros, quais são as dicas para buscar essas empresas?
Eric Amorim: Eu sugiro olhar além do marketing e fazer três perguntas objetivas. A primeira é se a empresa entrega método com prática, simulação e avaliação técnica, e não apenas aula expositiva.
A segunda é se ela ajuda a escola a estruturar processos, com protocolos documentados, organograma de funções, rotinas de manutenção e evidências de conformidade, porque isso sustenta prevenção e respaldo jurídico.
A terceira é se existe plano de continuidade: reciclagens, revisão periódica e cultura de melhoria após ocorrências, com registro, feedback e PDCA.
Se a instituição não fala de documentação, simulado, rotina e revisão, ela está treinando reação, mas não está construindo prevenção sistêmica, e hoje é isso que o gestor precisa para proteger vidas e patrimônio.
Saiba mais:
Eric Amorim – eric.amorim@impactoforschool.
Guia Prático Minha Escola Segura – https://impactoforschool.
