Um estudo nacional mostra que acolhimento, qualidade do ensino e comunicação são fatores decisivos para fortalecer a relação entre instituições e famílias.
A educação brasileira vive um momento de profundas transformações. Mudanças no comportamento das famílias, novas expectativas em relação ao desenvolvimento dos alunos, avanços tecnológicos e um mercado cada vez mais competitivo fizeram com que a percepção de valor das escolas deixasse de estar relacionada apenas ao desempenho acadêmico.
Hoje, famílias avaliam a experiência completa: a qualidade do ensino, o relacionamento com professores e gestores, a comunicação, a segurança, a estrutura oferecida e, principalmente, a capacidade da escola de criar vínculos e acompanhar as necessidades de seus alunos.
Com o objetivo de compreender esse novo cenário, o Grupo Rabbit, por meio da Explora tendências e evidências, realizou a Pesquisa de Satisfação Institucional 2026, um dos maiores levantamentos já realizados sobre a percepção das famílias em relação às instituições de ensino.
O estudo reuniu dados de 203 escolas, totalizando 13.426 respondentes, com análise de 65 perguntas distribuídas em 12 blocos temáticos, permitindo uma visão ampla sobre os principais fatores que impactam satisfação, recomendação, permanência e percepção de valor das famílias.
Uma relação construída pela confiança
Os resultados mostram que as escolas possuem uma avaliação positiva por parte das famílias. A nota média geral atribuída às instituições foi de 9, sendo que 71% dos respondentes deram notas entre 9 e 10.
Outro indicador que reforça essa percepção é o NPS (Net Promoter Score), utilizado mundialmente para medir a probabilidade de recomendação de uma marca ou um serviço. Na pesquisa, o índice consolidado alcançou +71,3, considerado um patamar de excelência.
O levantamento aponta que 76,5% das famílias são promotoras das escolas, enquanto 18,3% permanecem neutras e 5,2% são classificadas como detratoras.
Mais do que um resultado positivo, os dados revelam que a escolha e a permanência em uma escola estão diretamente ligadas à confiança construída ao longo da jornada educacional.
O acolhimento se consolida como um dos maiores diferenciais das escolas
Durante muitos anos, a percepção de qualidade escolar esteve fortemente associada aos resultados acadêmicos. A pesquisa mostra, porém, que a experiência emocional e relacional ganhou protagonismo. Ao responderem quais são os principais diferenciais das instituições, as famílias destacaram:
Acolhimento, cuidado e afeto: 31,3%; Ensino, método e conteúdo: 28,6%; Professores e corpo docente: 9,3%; Estrutura física e limpeza: 8,6%
O resultado evidencia que a escola valorizada pelas famílias é aquela que consegue unir excelência pedagógica com proximidade humana.
O ambiente escolar passou a ser percebido como um espaço de formação integral, onde o aluno precisa se sentir seguro, pertencente e acompanhado em seu desenvolvimento.
Comunicação: o desafio entre informar e criar conexão
Um dos pontos mais estratégicos revelados pela pesquisa está relacionado a comunicação. Apesar da avaliação positiva do atendimento, existe uma diferença entre atender e comunicar de forma eficiente. A qualidade do atendimento recebeu nota 9,31, enquanto a clareza das informações ficou em 8,82, indicando que muitas instituições possuem equipes preparadas para resolver demandas, mas ainda podem avançar na antecipação de informações e na transparência dos processos.
Outro dado importante mostra que 58,6% das famílias afirmam se sentir sempre ouvidas pela escola, enquanto 35,8% dizem sentir isso na maioria das vezes.
A escuta ativa aparece, portanto, como uma oportunidade de fortalecimento do relacionamento. Famílias querem participar, compreender decisões e perceber que suas opiniões fazem parte da construção da escola.
Quando analisados os canais de preferência, o comportamento digital das famílias fica evidente: o WhatsApp é apontado como principal canal por 76,5% dos respondentes, seguido por reuniões presenciais (32,5%) e agenda eletrônica (28%).
A comunicação escolar precisa acompanhar essa mudança de comportamento, combinando tecnologia, agilidade e proximidade.
Ensino continua sendo o centro da percepção de valor
Embora fatores emocionais tenham grande relevância, a qualidade acadêmica permanece como um dos principais pilares da escolha das famílias.
No bloco relacionado ao ensino e desenvolvimento, a qualidade do ensino recebeu nota 9,24, sendo o atributo mais bem avaliado. Também receberam avaliações positivas aspectos como inclusão e respeito às diferenças (9,14), adequação do material didático (9,07) e desenvolvimento acadêmico do aluno (9,07).
Na decisão das famílias sobre permanência na instituição, os principais fatores considerados foram: Ensino, método e conteúdo: 29,7%; Mensalidade, preço e custo-benefício: 14,2%; Acolhimento, cuidado e afeto: 12,3%; Desenvolvimento e felicidade do aluno: 10%
O dado reforça que as escolas precisam comunicar não apenas o que ensinam, mas o impacto que geram na formação dos alunos. A percepção de valor será determinante para a retenção das famílias.
A pesquisa também traz importantes informações sobre rematrícula e fidelização
Do total de respondentes, 74,6% afirmam que pretendem renovar a matrícula, enquanto 20,4% ainda consideram essa decisão e 4,9% indicam que não pretendem renovar.
Entre os fatores que poderiam levar uma família a não permanecer na instituição, a mensalidade, o preço e o custo-benefício aparecem como principal ponto de atenção, representando 31,6% das respostas.
Esse resultado mostra que o desafio das escolas não está apenas no valor financeiro, mas na capacidade de demonstrar continuamente o valor entregue.
Uma família permanece quando percebe evolução, cuidado, qualidade e diferenciais claros na experiência educacional.
O futuro da educação passa pela escuta das famílias
Os dados da Pesquisa Rabbit 2026 mostram que escolas fortes são construídas a partir do equilíbrio entre diferentes dimensões: excelência acadêmica, relacionamento humano, comunicação eficiente, inovação e capacidade de adaptação.
Ouvir as famílias deixou de ser apenas uma ferramenta de avaliação. Tornou-se uma estratégia essencial para compreender expectativas, identificar oportunidades de melhoria e fortalecer a relação entre escola e comunidade.
Em um cenário de mudanças constantes, as instituições que conseguem transformar dados em decisões estratégicas estarão mais preparadas para construir experiências educacionais relevantes e sustentáveis.
