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Passeios: Experiências imersivas com intencionalidade pedagógica

A relação entre diversão e aprendizagem, quando bem estimulada, propicia experiências enriquecedoras para todos/as os/as estudantes em variadas etapas de ensino. Os passeios e as excursões para ambientes externos, pensados a partir de uma intencionalidade pedagógica, estabelecem uma conexão fluida e positiva com o conhecimento. Dessa forma, as atividades desenvolvidas fora do espaço físico escolar possibilitam não só uma aproximação prática e densa com os conceitos e os conhecimentos apreendidos em sala de aula, como também amplia os sentidos, as experiências e os repertórios de estudantes com o ensino.

EXPANDIR AS EXPERIÊNCIAS

Kito Vivolo, educador e diretor de experiências educacionais, defende que as experiências em ambientes externos ampliam o repertório de alunos e alunas de um modo que “o conteúdo sozinho não consegue alcançar”. Nessa ampliação, estudantes aprendem com os sentidos, com a convivência, com o ambiente e com as emoções envolvidas, gerando memória, significado e engajamento nas vivências.

“A diversão não é o oposto da aprendizagem”, alerta Vivolo, “ela é uma ponte”, complementa. “Desde a educação infantil, aprender brincando, explorando e se relacionando com o mundo é essencial e comprovadamente mais eficaz. O que muda ao longo dos anos não é a importância da experiência, mas a intencionalidade pedagógica que acompanha cada etapa”, afirma.

De acordo com o educador, essas experiências imersivas de aprendizado para além da sala de aula não substituem as bases teóricas, assim como a fixação de conteúdos e as abordagens metodológicas adotadas por professores/as, mas elas alcançam outras dimensões. “Caminhar por uma cidade histórica, observar um bioma de perto ou conviver alguns dias em grupo cria um tipo de aprendizado que não cabe em uma apostila. O estudante entende o contexto, faz conexões, cria referências próprias. Ele não apenas estuda um tema, ele vive aquilo. E é essa vivência que transforma a experiência em aprendizado duradouro”, explica.

No contexto do turismo educacional, por exemplo, conseguimos observar de forma evidente que estudantes “aprendem por meio da experiência, da observação, da interação e da resolução de desafios reais”, conta Marilia Rabello, empresária do setor. “Entre os principais benefícios estão o aumento do engajamento, o desenvolvimento da autonomia, da cooperação, do senso crítico e das habilidades socioemocionais”, complementa.

PASSEIOS E EXCURSÕES NO CALENDÁRIO ESCOLAR

As excursões e os passeios educativos podem ser inseridos no calendário escolar ao longo do ano letivo desde a educação infantil, atentando-se para as especificidades de cada faixa etária e da demanda de desenvolvimento de cada etapa escolar. Para a educação infantil, indica Marilia Rabello, passeios curtos, em ambientes seguros e próximos, como parques, fazendinhas pedagógicas e espaços lúdicos, com foco na exploração sensorial e no brincar, são boas opções. Já para o ensino fundamental, visitas a museus, centros históricos, reservas ambientais, acampamentos pedagógicos e projetos de educação ambiental e social são boas recomendações, principalmente os acampamentos que integram conteúdos curriculares e vivências práticas.

No ensino médio, etapa final da educação regular, Rabello recomenda passeios com maior aprofundamento pedagógico, como viagens de estudo, visitas técnicas, projetos de imersão, ações de voluntariado e experiências que estimulem a reflexão crítica, a autonomia e a preparação para a vida acadêmica e profissional.

É interessante ressaltar que a programação dos passeios e a sua inclusão ao longo do calendário do ano letivo deve estar em consonância com o planejamento pedagógico da escola, com objetivos claros e alinhados aos conteúdos curriculares. “É importante que haja um trabalho prévio em sala de aula, preparando os estudantes para a experiência, e atividades posteriores de sistematização e reflexão. Dessa forma, o passeio deixa de ser apenas um momento recreativo e passa a ser parte efetiva do processo de ensino-aprendizagem, contribuindo para o desenvolvimento integral do aluno”, ressalta Rabello.

Para enfatizar essa ideia, Kito Vivolo afirma que “o passeio não deve ser um evento isolado no calendário. O ideal é que exista um antes, um durante e um depois bem definidos. Antes, com preparação e contextualização. Durante, com objetivos claros e acompanhamento pedagógico. Depois, com reflexão, discussão e conexão com os conteúdos trabalhados. Quando isso acontece, o passeio deixa de ser apenas uma saída e passa a ser uma experiência educativa completa”.

DICAS PARA CONTRATAR EMPRESAS ESPECIALIZADAS

Para gestoras e gestores escolares que pretendem buscar e contratar empresas especializadas que oferecem serviços de passeios, excursões ou acompanhamentos, Kito Vivolo e Marilia Rabello separaram algumas dicas valiosas que podem auxiliar a gestão escolar.

A primeira indicação de Vivolo é “buscar empresas consolidadas, com histórico, experiência real e entendimento profundo do universo educacional. Organizar viagens é uma parte do processo”. Trabalhar com crianças e adolescentes, conta o educador, exige muito mais do que reservar hotéis, transporte e passeios. “Envolve compreender desenvolvimento infantil e juvenil, dinâmica de grupos, segurança, responsabilidade e tomada de decisão em situações reais”.

Nesse sentido, “é fundamental escolher empresas que tenham a educação como base do trabalho, e não apenas a viagem como produto. Isso passa por roteiros com intencionalidade pedagógica clara, alinhamento com a proposta da escola e capacidade de adaptação às diferentes faixas etárias e perfis de estudantes”, destaca.

Outra recomendação do educador é observar a equipe que acompanhará os alunos e as alunas no passeio. “Empresas especializadas em crianças e jovens investem em seleção, formação e treinamento contínuo de equipes, porque sabem que acompanhar um grupo vai muito além de cumprir horários. É estar presente, acolher, mediar conflitos, orientar e garantir que todos se sintam seguros e amparados. Escolher a empresa certa é garantir que imprevistos serão tratados com responsabilidade, cuidado e agilidade, e que alunos, escolas e famílias serão bem atendidos do início ao fim do processo”, diz.

Rabello reforça que o/a gestor/a deve priorizar empresas que possuam experiência comprovada em turismo educacional, equipe qualificada e propostas alinhadas às diretrizes pedagógicas da escola. “É fundamental avaliar a segurança, a infraestrutura, a clareza dos objetivos educacionais e a capacidade da empresa de personalizar as atividades de acordo com a faixa etária e o currículo escolar. No caso dos acampamentos, por exemplo, destaca-se a integração entre lazer, educação e valores socioemocionais, garantindo experiências significativas, seguras e transformadoras para os estudantes”, finaliza. (RP)

 

Saiba mais:

Kito Vivolo – kito@nr.com.br

Marilia Rabello – mrabello220@gmail.com

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