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Por que o Gestor Escolar precisa desaprender o conceito de empatia que nos foi ensinado?

Cuidar das pessoas e investir em conexão humana tornaram-se condições essenciais para o bom funcionamento de qualquer organização. Na escola, esse cuidado sempre fez parte da rotina. Mesmo no passado, quando o foco estava mais concentrado no conteúdo, as relações humanas ocupavam um lugar importante: professores apoiavam colegas, gestores conheciam as histórias de suas equipes e as famílias reconheciam a escola como uma comunidade.

A pandemia, porém, marcou um divisor de águas. No retorno às aulas presenciais, coube à escola acolher alunos emocionalmente fragilizados, famílias inseguras e profissionais esgotados. Aos poucos, o ambiente em que um ajudava o outro foi sendo substituído por uma rotina de conflitos, cobranças e urgências. Gradativamente, a gestão passou a funcionar como um para-raios: tudo chega à coordenação ou à direção, com a expectativa de que seja resolvido naquele momento.

Nesse cenário, o professor ocupa uma posição decisiva. É ele quem está diariamente com todos os alunos e, indiretamente, se relaciona com todas as famílias. O clima da sala de aula, o desempenho dos estudantes, a percepção das famílias e até os índices de rematrícula passam, em grande medida, pela relação construída com esse profissional.

Entretanto, muitos professores trabalham hoje muito abaixo do potencial que possuem. Isso não significa falta de competência ou de comprometimento. Uma definição utilizada na gestão de pessoas ajuda a compreender o problema: desempenho é igual a potencial menos interferências. O potencial continua existindo, mas está encoberto pelo cansaço, pela sobrecarga emocional, pela dificuldade de estabelecer limites, pela falta de atenção dos alunos e por relações cada vez mais tensas com as famílias.

Por isso, oferecer apenas novas técnicas ou formação pedagógica teórica pode não ser suficiente. Antes de acrescentar ferramentas, é preciso reduzir as interferências que impedem o professor de acessar os recursos que já possui. E é justamente nesse ponto que o gestor precisa rever o conceito de empatia que aprendeu.

Durante muito tempo, entendemos empatia como a capacidade de nos colocarmos no lugar do outro. Na prática, porém, muitos gestores não apenas se colocam nesse lugar: entram na tempestade junto com o professor, absorvem sua angústia e assumem como próprias as suas dores. Essa é a chamada empatia afetiva. Embora nasça de uma intenção legítima de acolher, ela pode deixar duas pessoas emocionalmente sobrecarregadas e nenhuma delas em condições de encontrar uma saída.

Imagine alguém dentro de um buraco. A empatia afetiva nos leva a pular lá dentro para mostrar que a pessoa não está sozinha. O problema é que, depois disso, temos duas pessoas presas. A empatia cognitiva propõe outra atitude: aproximar-se, ouvir com respeito, reconhecer a dor e, permanecendo do lado de fora, oferecer uma escada, uma corda, uma mão que apoie e ajude na saída para dias mais leves.

Praticar a empatia cognitiva não significa agir com frieza, ignorar o sofrimento do professor ou minimizar as dificuldades da sala de aula. Significa manter a estabilidade necessária para ajudá-lo a recuperar sua capacidade de agir. O gestor pode dizer: “Entendo que essa situação está sendo muito difícil. Conte-me o que aconteceu, o que você já tentou e vamos pensar no próximo passo”. Assim, acolhe sem retirar do professor o protagonismo e a responsabilidade sobre aquilo que somente ele pode construir com sua turma.

O respeito dos alunos, por exemplo, não será conquistado pelo diretor todas as vezes que um estudante for encaminhado à sua sala. A gestão precisa apoiar, pode observar uma aula, deve oferecer recursos e ajudar o professor a avaliar estratégias. É na convivência cotidiana, porém, que regras, limites e vínculos precisam ser construídos. Precisamos garantir um ambiente em que o professor possa retomar essa construção que ninguém pode fazer por ele.

Enquanto Gestor Escolar, precisaremos desaprender a empatia que nos faz absorver todas as dores e assumir todos os problemas, com se somente nós pudéssemos resolver cada um deles. O papel da Gestão não é entrar em cada tempestade, mas permanecer firme o suficiente para oferecer abrigo, direção e caminhos possíveis.

Ao encontrar o equilíbrio entre a empatia afetiva e a cognitiva, a liderança protege a própria saúde emocional e ajuda o professor a reencontrar seu potencial, sem o desgaste que se acumula atualmente. Esse movimento produz um efeito em toda a comunidade escolar: melhora o ambiente de trabalho, fortalece as relações, favorece a aprendizagem e devolve à escola aquilo de que ela mais precisa neste momento — pessoas capazes de apoiar umas às outras, para que possam juntas cumprir o propósito da escola de formação integral de cada estudante.

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