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Realidade virtual: Educação imersiva e interativa

As ferramentas tecnológicas – e suas variadas funcionalidades – estão presentes de forma expressiva em todas as esferas sociais. No contexto educacional, na última década, em especial, essas ferramentas adentraram o cotidiano escolar e passaram a habitar diversas áreas de uma escola – do pedagógico até a gestão escolar. Nas salas de aula, a relação entre tecnologia e pedagogia pode ser benéfica, além de auxiliar na expansão de métodos de aprendizagem que privilegiem a imersão e a interação com o ensino.

Letícia Bregalanti Gomes, professora e psicóloga, afirma que as ferramentas tecnológicas podem ser grandes aliadas no processo educacional, desde que essas ferramentas sejam bem integradas à prática pedagógica. “Pesquisas recentes sobre Realidade Virtual (RV) e Realidade Aumentada (RA) mostram que essas tecnologias têm um forte potencial de melhorar a aprendizagem porque tornam o ensino mais visual, interativo e próximo da realidade do aluno”, destaca.

Para adentrar nesse assunto e conhecer as experiências de imersão e interatividade que propõem as ferramentas tecnológicas de Realidade Virtual (RV) e Realidade Aumentada (RA), conversamos com a Letícia – e a entrevista completa você confere logo abaixo!

 

Direcional Escolas: As ferramentas tecnológicas permeiam todas as esferas sociais e, inclusive, têm adentrado cada vez mais na esfera educacional. De modo geral, as ferramentas facilitadoras podem ser consideradas como aliadas efetivas no processo educacional?

Letícia Bregalanti Gomes: Sim, vivemos em uma era em que as tecnologias estão presentes em todas as áreas e na vida cotidiana de nossa sociedade, e para aqueles que estão em idade escolar essa presença tecnológica diária é ainda mais comum. E as ferramentas tecnológicas podem ser grandes aliadas no processo educacional, mas com uma condição importante: precisam ser bem integradas à prática pedagógica.

Pesquisas recentes sobre Realidade Virtual (RV) e Realidade Aumentada (RA) mostram que essas tecnologias têm um forte potencial de melhorar a aprendizagem porque tornam o ensino mais visual, interativo e próximo da realidade do aluno. A RV, por exemplo, permite criar ambientes imersivos em que o estudante “vivencia” o conteúdo, como visitar museus, explorar o corpo humano ou simular experimentos científicos, o que facilita a compreensão de temas complexos.

Além disso, há evidências de que essas tecnologias aumentam o engajamento e a curiosidade dos estudantes, fatores fundamentais para aprender melhor. Em pesquisas com alunos do Ensino Médio, a utilização da Realidade Virtual ajudou na compreensão de conteúdos abstratos, como o DNA, justamente por permitir uma experiência prática e visual. Outro ponto importante é que essas ferramentas favorecem metodologias mais ativas, nas quais o aluno deixa de ser apenas espectador e passa a explorar, interagir e construir conhecimento.

Outro ponto importante da tecnologia aplicada à educação é do ponto de vista social, a Realidade Aumentada e Virtual também tem potencial inclusivo. Estudos mostram que elas podem ajudar a adaptar o ensino para diferentes perfis de alunos, inclusive na educação inclusiva, oferecendo novas formas de acesso ao conteúdo.

Entretanto, é importante ressaltar que tecnologia, por si só, não resolve os desafios da educação. Ela precisa estar acompanhada de formação de professores, planejamento pedagógico e acesso adequado

Em resumo, as ferramentas tecnológicas — especialmente a Realidade Aumentada e Virtual — são, sim, aliadas eficazes da educação. Quando bem utilizadas, tornam o aprendizado mais significativo, envolvente e acessível, mas seu sucesso depende de como são aplicadas no contexto educacional.

 

Direcional Escolas: Pensando especificamente em metodologias pedagógicas e no cotidiano em sala de aula, quais são os recursos disponíveis da Realidade Virtual (RV) que podem ser incorporadas na aprendizagem? E quais são os seus benefícios?

Letícia Bregalanti Gomes: Pensando nas questões acima, tanto a Realidade Virtual (RV) quanto a Realidade Aumentada (RA) oferecem recursos inovadores que podem ser incorporados de forma prática ao processo de ensino e aprendizagem.

A Realidade Virtual, por meio da utilização de óculos virtuais, permite ao estudante mergulhar em ambientes totalmente digitais e imersivos em 360º. Já a Realidade Aumentada integra elementos virtuais ao mundo real, utilizando celulares, tablets ou outros dispositivos para projetar imagens, objetos em 3D e informações sobre o ambiente físico.

Na RV, entre os principais recursos disponíveis, destacam-se os óculos de Realidade Virtual, que possibilitam visitas a ambientes simulados, como museus, cidades históricas, oceanos ou até o espaço. Esses recursos enriquecem aulas de História, Geografia, Ciências e Artes, tornando os conteúdos mais concretos e envolventes.

No caso da RA, ela nos permite visualizar modelos tridimensionais diretamente sobre a mesa ou no espaço da sala de aula. Assim, os alunos podem observar o sistema solar, órgãos do corpo humano, estruturas geométricas ou mapas interativos, manipulando os objetos em tempo real.

Por meio da Realidade Virtual, é possível realizar “viagens” e excursões imersivas a museus, florestas, savanas e diversos outros ambientes. Dessa forma, os alunos podem conhecer monumentos históricos, explorar oceanos, visitar planetas ou vivenciar cenários de civilizações antigas sem sair da sala de aula. Esse recurso amplia significativamente as possibilidades de ensino nas aulas de História, Geografia, Ciências e Artes, proporcionando experiências educativas dentro da sala de aula que, muitas vezes, seriam inviáveis no contexto presencial.

Outro recurso importante são as simulações e experimentos virtuais, que podem ser realizados tanto em RV quanto em RA. Em Ciências, por exemplo, é possível acompanhar reações químicas, explorar ecossistemas ou compreender processos biológicos complexos com mais segurança e interatividade.

Também se destacam os ambientes colaborativos digitais, nos quais estudantes trabalham em equipe, resolvem desafios e participam de projetos compartilhados. Além disso, essas tecnologias favorecem a produção de conteúdo pelos próprios alunos, que podem criar experiências interativas, apresentações em 3D e narrativas imersivas, fortalecendo protagonismo e criatividade.

Os benefícios pedagógicos dessas ferramentas são significativos. Em primeiro lugar, promovem maior engajamento e motivação, pois despertam curiosidade e participação ativa. O uso de recursos visuais e interativos aproxima o conteúdo da realidade do estudante e torna a aula mais dinâmica. O estudante sente-se parte do conteúdo, e não apenas espectador.

Outro ganho relevante é a facilitação da aprendizagem de conteúdos complexos ou abstratos. Conceitos difíceis de imaginar em livros ou explicações tradicionais tornam-se visíveis e interativos, favorecendo a compreensão. Ao visualizar estruturas como o DNA ou fenômenos geográficos, os estudantes assimilam melhor o conteúdo. Da mesma forma, ao “mergulhar” em uma veia do sistema circulatório humano e observar o movimento das hemácias e dos glóbulos brancos, a compreensão sobre o funcionamento do corpo torna-se muito mais clara e significativa do que por meio de uma explicação teórica acompanhada apenas de uma imagem estática em material didático.

Essas tecnologias também contribuem para uma aprendizagem mais significativa e duradoura, já que experiências práticas tendem a gerar maior retenção do conhecimento. Além disso, estimulam o desenvolvimento de competências cognitivas e socioemocionais, como pensamento crítico, resolução de problemas, colaboração e autonomia.

Por fim, a RV e a RA ampliam o acesso a experiências educativas diferenciadas, permitindo que escolas proporcionem vivências de seus alunos a contextos distantes, históricos ou científicos sem depender de grandes deslocamentos ou altos custos.

Em síntese, a Realidade Virtual e a Realidade Aumentada transformam a sala de aula ao possibilitar que o aluno aprenda explorando, interagindo e experimentando. Mais do que recursos tecnológicos, tornam-se ferramentas pedagógicas poderosas quando utilizadas com planejamento, intencionalidade e mediação docente.

 

Direcional Escolas: Com alunos cada vez mais familiarizados com os ambientes digitais, é possível afirmar que utilizar recursos da RV é uma forma de se aproximar da vivência dos estudantes e tornar o ensino mais dinâmico?

Letícia Bregalanti Gomes: Sim, é possível afirmar isso. Atualmente, muitos alunos já estão inseridos em uma cultura digital marcada pelo uso constante de jogos, redes sociais, aplicativos e experiências interativas. Nesse contexto, tanto a RV quanto a RA dialogam diretamente com essa linguagem contemporânea, incorporando elementos visuais, interação em tempo real e experiências imersivas que fazem parte do cotidiano dessa geração.

Pesquisas indicam que essas tecnologias tornam o aprendizado mais próximo da realidade dos estudantes, pois utilizam formatos com os quais eles já estão familiarizados fora do ambiente escolar. Isso contribui para elevar o interesse, a participação e o envolvimento nas atividades propostas. Em diferentes contextos educacionais, observa-se que o uso da RV e da RA desperta a curiosidade e facilita a compreensão de conteúdos complexos ou abstratos, como estruturas biológicas, fenômenos naturais e conceitos científicos.

Além disso, ambientes imersivos e interativos tendem a ampliar a atenção e o engajamento cognitivo dos alunos, justamente por combinarem imagens, movimento, exploração e participação ativa. Na prática, isso torna a aula mais dinâmica e menos centrada apenas na exposição tradicional do professor.

Do ponto de vista social e pedagógico, a Realidade Virtual e a Realidade Aumentada também contribuem para a permanência e o interesse dos estudantes, ao incorporarem elementos lúdicos, colaborativos e participativos que fazem sentido para o perfil dos alunos contemporâneos.

Em uma linguagem mais direta, utilizar RV e RA na educação é falar a “língua” do estudante de hoje. Mais do que inserir tecnologia na sala de aula, trata-se de aproximar a escola da realidade dos alunos e transformar o processo de aprendizagem em uma experiência mais ativa, interessante e significativa.

 

Direcional Escolas: Na prática, como inserir essa educação imersiva e interativa nas metodologias pedagógicas? E qual o papel do docente em propiciar essa imersão?

Letícia Bregalanti Gomes: Na prática, a educação imersiva não exige, necessariamente, grandes investimentos ou mudanças estruturais. Ela pode começar com estratégias simples, desde que bem planejadas, acompanhadas de formação adequada para os docentes e de propostas pedagógicas direcionadas ao uso eficiente da tecnologia em sala de aula.

A Realidade Virtual (RV) e a Realidade Aumentada (RA) apresentam melhores resultados quando integradas ao planejamento pedagógico, e não utilizadas como recursos isolados. Essas tecnologias tornam-se mais eficazes quando inseridas em momentos estratégicos da aula, como na introdução de novos conteúdos, na exploração prática de conceitos ou na consolidação da aprendizagem.

Por esse motivo, mais do que disponibilizar equipamentos, oferecemos soluções completas para a implementação dessas metodologias. No caso da Realidade Virtual, os óculos são integrados a uma plataforma educacional com milhares de conteúdos organizados por faixa etária, disciplina e objetivos pedagógicos, acompanhados de sugestões de atividades e planos de aula prontos para aplicação.

Da mesma forma, a Realidade Aumentada é disponibilizada de maneira prática e funcional, com atividades alinhadas a cada projeção tridimensional. Isso permite que o professor utilize modelos em 3D como extensão do conteúdo trabalhado, enriquecendo a explicação e favorecendo a visualização de temas complexos.

Outro diferencial importante é a facilidade de implementação. Para a utilização da RA, basta instalar o aplicativo em um dispositivo com leitor de QR Code. Após a instalação, não é necessário acesso à internet no momento da aula, o que elimina a dependência de redes wi-fi escolares. No caso da Realidade Virtual, os conteúdos também podem ser previamente programados, permitindo a utilização offline durante a aplicação em sala.

Essas tecnologias não substituem os materiais didáticos já utilizados pela escola, tampouco o papel do professor. Ao contrário, atuam como recursos complementares que reforçam os conteúdos de forma mais visual, interativa e didática. Nesse processo, o docente ocupa posição central, sendo responsável por mediar a experiência, orientar a exploração dos ambientes virtuais, estimular a reflexão crítica e conectar a vivência tecnológica aos objetivos curriculares.

A RV e RA potencializam a aprendizagem quando o professor organiza situações em que o aluno possa explorar, questionar e construir conhecimento, em vez de apenas observar passivamente a tecnologia.

Também é comum que instituições invistam em inovação, mas encontrem dificuldades no momento da aplicação cotidiana, especialmente quando o uso das ferramentas exige tempo adicional de planejamento ou processos complexos de implementação. Pensando nessa realidade, nossas soluções foram desenvolvidas para tornar a utilização simples, prática e imediatamente aplicável, reduzindo barreiras e favorecendo a continuidade pedagógica.

Em síntese, a educação imersiva acontece quando tecnologia e pedagogia caminham juntas. A Realidade Virtual e a Realidade Aumentada oferecem experiências transformadoras, mas é a combinação entre recursos adequados, planejamento estruturado e mediação docente que converte essas experiências em aprendizagem significativa.

 

Saiba mais:
Letícia Bregalanti Gomes – leticiabregalanti@gmail.com

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