Gestão Escolar — Planejamento Escolar para 2012

Gestão Escolar — Planejamento Escolar para 2012

Matéria publicada na edição 71 | Setembro 2011

Quatro Meses em Ebulição

Às voltas com a definição das mensalidades para 2012, buscando o equilíbrio entre receita, custos e projeção de matrículas e rematrículas, ajustando o orçamento às demandas curriculares, as escolas iniciam neste setembro um período chave para o sucesso do próximo ano. A ideia é organizar-se para crescer.

Chegou a hora. Mesmo que o sobe desce dos indicadores econômicos possa deixar algumas dúvidas no ar, é preciso começar a fechar a planilha de custos e investimentos para 2012. É necessário programar o atendimento às diversas demandas, reservar verbas para a execução do planejamento pedagógico, cumprir com prazos e normas, fechar a carga horária de professores, o calendário, defi nir valores aos pais e, principalmente, prever recursos para avançar, pois, conforme diz antigo provérbio chinês, “se não mudar a direção, terminará exatamente onde partiu”.

O Colégio Franciscano Nossa Senhora do Carmo, mais conhecido como Franscarmo e instalado há 70 anos na região da Vila Alpina, zona Leste de São Paulo, tem apostado na renovação para crescer de maneira sustentada, ano a ano. E está otimista em relação a 2012, “apesar do cenário econômico em aberto”, observa seu diretor pedagógico e administrativo, Flávio Eura. O diretor justifi ca: “fi zemos uma reestruturação pedagógica que gerou impacto positivo na comunidade”. Em números, isso representou, por exemplo, a chegada de 12 novos alunos somente no mês passado, transferidos de outras instituições de ensino. Em relação a 2012, a expectativa da escola, que tem hoje 820 alunos da Educação Infantil ao Ensino Médio, é crescer pelo menos 10%.

“Promovemos mudanças signifi cativas no Ensino Médio em princípios deste ano, como a ampliação da carga curricular obrigatória e de atividades complementares, além de alterações no formato das aulas e no material didático. Instituímos plantão de dúvidas no horário invertido, colocamos monitores na parte da tarde, e investimos no site, com a reestruturação da linguagem e novo sistema de alimentação, a partir do qual estabelecemos uma comunicação mais efetiva e rápida com os pais de todos os alunos”, acrescenta Flávio. Mas não parou aí. Ampliou-se a biblioteca, e a Educação Infantil ganhou uma sala de leitura e brinquedoteca. Como resultado, o diretor vem registrando “boa receptividade e bom número de visitas”.

Organizando o Crescimento 
Em relação a 2012, o foco dos investimentos recairá sobre a Educação Infantil e o Fundamental I, revela Flávio, o que inclui estudos para introdução do horário integral e mudanças nas atividades pedagógicas. Segundo o diretor, o planejamento orçamentário costuma ser dividido em dois eixos básicos em relação aos novos empenhos. No primeiro, está a infraestrutura, com aquisições que renovem espaços e equipamentos. No segundo, a mudança dos projetos aplicados nesses espaços, o que pressupõe investimento em recursos humanos. “O pedagógico não para e o orçamento me dá todas as diretrizes. Poder contar com uma planilha mostra como será possível fazer isso”, destaca Flávio Eura, defendendo que para planejar e assegurar qualidade do ensino, é necessário organizar antes a previsão orçamentária.

“O projeto pedagógico gera despesas que têm que estar previstas, por isso o orçamento é o foco inicial, não o principal. Preciso saber quanto tenho de recurso fi nanceiro, caso contrário, corro o risco, de um lado, de comprometer a qualidade do projeto e, de outro, a liquidez da instituição. Mas fazemos um trabalho conjunto, pois o administrativo precisa conhecer as necessidades do pedagógico e este saber dos limites orçamentários”, descreve.

Segundo Flávio, as discussões em relação ao ano seguinte começam, em geral, no mês de setembro, a partir de “alguns pressupostos”: análise do cenário econômico, observando-se as tendências em relação a crédito, liquidez e inadimplência; o retorno dos pais, aferido pelo número de visitas e feedback da pesquisa de satisfação realizada ao longo do ano pelo site; avaliação do mercado, como concorrência e o poder aquisitivo “da população que atendemos”; e, fi nalmente, compromisso com o DNA da escola. “Não adianta ter tudo planilhado se não houver qualidade de ensino”, diz. De setembro a dezembro, a instituição trabalha com três tipos de projeções, conforme um cenário mais pessimista, realista ou otimista. Mas no fi nal do ano “tem que estar tudo defi nido, para que em janeiro possamos começar a aplicar”, observa Flavio. O diretor revela que no orçamento de 2011 reservou 15% do faturamento para as inovações no Ensino Médio e nos próximos quatro meses estará às voltas com números e cálculos para defi nir o patamar de investimentos em 2012 na Educação Infantil e Fundamental I.

Prazos, Calendário e Novidade no Currículo 
O Sieeesp (Sindicato dos Estabelecimentos de Ensino no Estado de São Paulo) propõe, ao final do ano, dois modelos de organização do calendário escolar para sua rede de associados. Segundo a educadora Marlene Schneider, do Departamento Pedagógico da instituição, “a diferença entre eles está nas férias de julho”. “Elas podem ser de 30 dias corridos ou 20 dias em julho e 10 em dezembro, a critério da escola”, explica.

Ambos os modelos contemplam os 200 dias letivos e 800 horas mínimos determinados pela Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDBEN). Apresentam sugestões de datas de início e término do ano letivo, férias docente e discente, recesso escolar, feriados, data de divulgação de resultados finais e reuniões administrativas, pedagógicas e de pais. Marlene chama atenção para a obrigatoriedade da oferta de ensino de Música no currículo de Artes a partir do próximo ano, conforme determina a Lei Federal 11.769/2008.

O calendário deve ser enviado à Diretoria de Ensino para homologação, “se possível até novembro, juntamente com a matriz curricular”, recomenda Marlene. “O Plano Escolar deve ser avaliado no planejamento do ano seguinte e entregue até março, para homologação, nas Diretorias de Ensino jurisdicionadas”, finaliza. (R.F.)

 

Planejamento: processo em três tempos

A consultora e pedagoga Célia Godoy descreve o período do planejamento escolar como um momento de “trabalho árduo” e, no caso específico do coordenador pedagógico, “o final do ano é ainda mais intenso”. Em meio ao fechamento de notas, ao agendamento dos ensaios das festas escolares, como a semana da criança, ao planejamento das reuniões, atendimento aos pais, entre muitos outros, é preciso “deixar a escola em ordem para iniciar o próximo”, pensando, planejando e construindo estratégias que deem conta de manter os alunos na instituição e “conseguir mais”.

Mas não adianta, segundo Célia, fazer tudo no encerramento do ano. “A ‘semana de planejamento’ que acontece no final de cada ano (dependendo da escola), ou ainda no mês de janeiro, contribui pouco para a construção de novas metas e para a promoção das mudanças devidas, impostas, desejadas ou sonhadas”, diz. “Normalmente são realizados ajustes, palestras motivacionais, entrega de calendário, estudos segmentados, ideias para a recepção dos alunos no primeiro dia de aula etc.”, o que não permite “construir estratégias desafiadoras, envolventes e contagiantes, para que haja participação de todos os envolvidos neste processo”. “Embora receba vários nomes (avaliação institucional, global, plano pedagógico etc.), o planejamento é sempre um ato avaliativo que busca a localização das causas, mapeamento, escuta atenta, integração, interação e estratégias”, enumera Célia Godoy.

Torna-se assim indispensável organizar o próprio planejamento, reservando-lhe tempo e dividindo-o em três momentos distintos, recomenda a consultora, que propõe inicialmente um pré-diagnóstico e escuta atenta, seguido da construção do diagnóstico situacional, e, finalmente, da definição conjunta das ações. Confira abaixo o cronograma proposto por Célia Godoy (clique aquipara acessar o modelo completo). (R.F.)


A Andragogia como Estratégia de Crescimento

O termo andragogia já está na Wikipedia e diz respeito à “arte ou ciência de orientar adultos a aprender”. Ele faz contraposição com a pedagogia, a qual é tomada, por sua vez, como a arte de ensinar crianças. “A andragogia é utilizada há um bom tempo pelas grandes empresas e, nas escolas, ela se propõe a reduzir falhas e potencializar as qualidades do corpo docente e da equipe de atendimento na busca dos resultados”, explica o consultor em marketing educacional, Christian Rocha Coelho. O termo teve origem na obra de Malcolm Knowles – “The adult learner”, publicada nos anos 70 nos Estados Unidos em parceria com dois outros autores.

Christian atribui à atuação do professor o principal chamariz das rematrículas ou, se não estiver indo bem, forte razão para a perda de alunos. “A satisfação do aluno e da família é construída no trabalho diário da sala de aula”, aponta Christian. O consultor observa que falta clareza aos colaboradores e aos próprios gestores quanto aos papéis e responsabilidades de cada um nesse processo. Portanto, qualquer estratégia de crescimento deve contemplar a reorganização funcional da instituição, diz. “Esse é o tendão de Aquiles das escolas, onde mais pecam, pois em geral todo mundo é responsável por tudo.”

Segundo ele, a andragogia pressupõe, em um primeiro momento, desenvolver um organograma das funções e responsabilidades dos colaboradores, se possível disponibilizando isso visualmente em seus quadros e murais. “É importante criar uma imagem mental do ambiente de trabalho, para que todos vejam o trabalho de todos, instituindo-se uma gestão em rede”, explica Christian. Mas um tipo de colaborador chama atenção especial: o coordenador pedagógico. “Ele possui o papel andragógico de lapidar o corpo docente, além de garantir que a proposta pedagógica funcione no dia a dia.”

Após a organização do quadro, torna-se necessário, em um segundo momento, iniciar o monitoramento e a lapidação das pessoas. “Não se muda o comportamento dos adultos, que já se encontra bem fi xado, mas o processo da andragogia consegue mudar atitudes”, observa. Consegue também motivar, movimentar e tirar o educador da chamada zona de conforto, pois “o monitoramento serve para passar a confi ança que o corpo docente precisa para enfrentar as novidades”. Entretanto, para monitorar “é preciso saber o que mudar”, informação que se obtém a partir de avaliações diárias do professor. Elas envolvem observações quanto ao cumprimento do conteúdo programático, postura com aluno, didática, adequação da metodologia, organização da aula, disciplina e relações interpessoais. E devem servir, em consequência, para a instituição “valorizar e normatizar o que quer que se repita, os aspectos positivos”.

Finalmente, em um terceiro momento, entra a fase da análise de desempenho e da “meritocracia”, “criando-se formas concretas de avaliação e premiando-se quem cumpre as metas”. É um processo para quatro anos, pondera Christian, lembrando que a motivação é a chave de tudo. Afi nal, “o professor é o grande formador de opinião, para o bem ou para o mal”, arremata o consultor.

A andragogia é o tema do 7º Crescer – Encontro de Mantenedores, Coordenadores e Gestores, que Christian Rocha Coelho promoverá no próximo dia 15 de setembro, no Expo Center Norte, em São Paulo. (R.F.)

>> Clique aqui para acessar o modelo de atribuição de funções e processo andragógico, de autoria de Christian Rocha Coelho. 

 

 

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