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Guia para Gestores de Escolas

Famílias perdidas… escolas sobrecarregadas: de quem é a responsabilidade?

Por Aline Richetto

Recentemente atendi uma escola de Educação Infantil em que a diretora trouxe uma situação curiosa e, ao mesmo tempo, alarmante. Algumas mães pediram para que a escola cortasse as unhas das crianças. Outra sugeriu que os alunos do período integral já voltassem para casa com o uniforme limpo, argumentando que seria simples manter uma “lava e seca” na instituição. Simples assim.

Mas não é.

Esses exemplos escancaram uma realidade cada vez mais comum: muitas famílias estão perdidas. Sim, perdidas. Confundindo responsabilidades e terceirizando funções que são suas, funções que sustentam a rotina, o vínculo e o senso de pertencimento dentro de casa.

Vivemos um tempo em que os pais trabalham cada vez mais, chegam exaustos, sobrecarregados, conectados à internet e desconectados do que realmente importa. Nesse movimento, tornam-se tentados a delegar à escola aquilo que pertence à esfera íntima e intransferível da família.

E a verdade é simples e precisa ser dita: a escola jamais substituirá o papel da família.

São papéis são distintos, mas complementares. Um não anula o outro; se fortalecem. Não se trata de “eu pago, a escola resolve”. Trata-se de parceria, de aproximação, de confiança construída no cotidiano.

Para que essa relação floresça, as escolas precisam se preparar de outro modo. O cenário atual exige mais do que reuniões esporádicas e bilhetes na agenda: exige presença, escuta ativa, intenção e estratégia.

Quando digo que a escola precisa “cuidar dos pais”, não falo de atribuir mais uma tarefa à instituição, mas de prevenção. Falo de educação integral, que considera a família como parte essencial do processo formativo.

Porque quando acolho a família, estou acolhendo a criança.
Quando formo os pais, fortaleço o desenvolvimento dos alunos.
Quando a escola orienta, aproxima e treina, o que era caos vira calmaria.

Famílias seguras educam melhor.
E escolas que caminham lado a lado com essas famílias constroem ambientes mais leves, mais humanizados e muito mais potentes.

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