A Teoria do Oceano Vermelho e Oceano Azul
Por Christian Coelho

A Teoria do Oceano Vermelho e Oceano Azul, desenvolvida pelos pesquisadores W. Chan Kim e Renée Mauborgne, foi apresentada no livro “A Estratégia do Oceano Azul” e reflete com clareza a realidade do mercado educacional nos últimos anos.
Houve um tempo em que o mercado educacional era um Oceano Azul, com águas claras e tranquilas, caracterizado por baixa concorrência e oportunidades naturais de crescimento para as escolas. O setor era pouco profissionalizado nas áreas de vendas, administração e finanças, e a competição entre instituições era limitada.
No entanto, o mundo mudou, e o mercado educacional atual se encaixa melhor no conceito de Oceano Vermelho. Nesse cenário, a concorrência é acirrada, diversas instituições disputam os mesmos alunos, as margens de lucro diminuem e a diferenciação torna-se um grande desafio. Muitas escolas acabam competindo por preços mais baixos, intensificando ainda mais essa batalha.
A transformação do mercado educacional de um Oceano Azul para um Oceano Vermelho ocorreu por diversos fatores, entre eles:
- Diminuição da taxa de natalidade – Redução no número de crianças nascidas nos últimos anos, impactando a demanda por vagas escolares.
- Entrada de grandes grupos e investidores – Expansão de redes educacionais, aumentando a concorrência no setor.
- Diversificação de segmentos – Escolas que, ao não crescerem naturalmente, passaram a oferecer novos níveis de ensino para atrair mais alunos.
- Impacto da pandemia na precificação – A crise gerada pela pandemia forçou a redução das mensalidades, especialmente na educação infantil.
- Crescimento das escolas públicas-privadas – O avanço da qualidade no ensino público elevou a concorrência com as instituições particulares.
- Maior conscientização sobre diferenciação e vendas – As escolas perceberam a necessidade de se destacar, mas, aos olhos dos clientes, ainda parecem muito semelhantes.
A experiência de vida dos líderes escolares deve ser um recurso estratégico nas tomadas de decisão, ajudando a escola a se adaptar às mudanças do mercado, em vez de se tornar um obstáculo que a prenda ao passado. Confira as principais diretrizes para acompanhar as novas demandas:
- Buscar excelência na prestação de serviços – Implementar uma gestão de alto desempenho, minimizando erros do dia a dia para aprimorar a experiência de alunos e famílias.
- Definir posicionamento e qualidades – Criar uma proposta de valor que justifique o preço e atraia um público específico.
- Ampliar a presença digital e o marketing educacional – Fortalecer a comunicação e captação de alunos por meio de estratégias digitais eficazes.
- Atendimento comercial eficiente – Estar preparado para atender com excelência as demandas das famílias interessadas na escola.
- Criar parcerias estratégicas – Estabelecer alianças com as melhores empresas do setor educacional.
- Investir na experiência do aluno e da família – Criar ambientes acolhedores, modernos e interativos que favoreçam o aprendizado.
- Focar na inovação pedagógica – Adotar trilhas de aprendizado adaptativas, metodologias ativas e ensino híbrido.
- Implementar programas socioemocional – Oferecer suporte multidisciplinar e acompanhamento individualizado para alunos e responsáveis.
- Investir no ensino bilíngue – Ampliar a oferta de idiomas para fortalecer a formação dos alunos.
- Aprimorar a comunicação com a comunidade escolar – Criar canais eficazes para ouvir e compreender as necessidades das famílias e alunos.
É comum que escolas busquem diferenciais investindo em serviços de apoio pedagógico, mas, muitas vezes, isso eleva os custos para as famílias sem agregar o valor esperado. Isso não significa que marcas e serviços adicionais não sejam importantes, mas a fidelização e o boca a boca vêm, antes de tudo, da satisfação das famílias com o essencial: a qualidade do ensino em sala de aula.
Antes de procurar soluções externas que prometem crescimento instantâneo, é fundamental focar na excelência do básico: atender bem e ensinar bem.