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Guia para Gestores de Escolas

Acolhimento e cuidado emocional no retorno às aulas presenciais

Por Rafael Pinheiro / Fotos Divulgação

Após dois anos de instabilidades, mudanças e readaptações em todo o sistema educacional, estamos diante de um novo cenário: o retorno total às aulas presenciais neste primeiro semestre de 2022. Para além dos cuidados sanitários e de saúde, é preciso, neste movimento de retorno, propiciar um acolhimento emocional efetivo, alimentando uma ressocialização afetiva, leve e atenciosa às demandas socioemocionais de todos e todas

Atravessamos, nos últimos dois anos, instabilidades que marcaram todas as áreas sociais e reverberaram em mudanças, adequações e (re)elaborações de nossos fluxos cotidianos. Com o aumento do índice da população adulta vacinada no país e, recentemente, a população infantil liberada para a vacinação, avistamos, cada vez mais, atividades realizadas em formato presencial. Diante deste atual cenário, o primeiro semestre estudantil de 2022 começará presencialmente, ainda que as taxas de transmissão da variante Ômicron se mostrem alarmantes.

Tendo como foco o retorno às aulas presenciais, trouxemos, neste especial da Conversa com o Gestor, falas de diretores/as, gestores/as, coordenadores/as pedagógicos/as, orientadores educacionais, especialistas em educação e psicólogas que traçaram sugestões para ações e práticas que podem ser realizadas no retorno às aulas presenciais a fim de promover o acolhimento e o cuidado emocional dos estudantes.

Tania Fontolan – Diretora Pedagógica da Somos Educação

“Tivemos um longo período de interrupção de atividades, seguida por retomadas intermitentes no segundo semestre de 2021. Agora, o retorno em 2022 se faz em meio à convicção da importância do prosseguimento das atividades presenciais e, também, dos temores deste novo pico de infecções. Considerando-se todos esses elementos, é de suma importância um planejamento cuidadoso que considere:

A necessidade de um acolhimento socioemocional: abrir espaço para que os alunos falem de seus medos, de suas perdas e se sintam amparados e apoiados pelos educadores da escola e pelos colegas, em dinâmicas bem conduzidas;

O compartilhamento das boas perspectivas de superação da pandemia. Vacinas, novos tratamentos e o conhecimento sobre as boas práticas alimentam nossas esperanças de superação desse processo. Esperança é crucial para alimentar o ânimo e o engajamento;

Planejamento de atividades que incorporem o diagnóstico de lacunas e dificuldades de aprendizagem e proposição de atividades de superação. A motivação é maior quando efetivamente sentimos que estamos aprendendo;

É importante também cuidar do equilíbrio emocional dos educadores. Muitos foram mais atingidos e estão mais sensíveis aos impactos da pandemia. Identificar suas dificuldades, ampará-los e ajudá-los na superação das dificuldades resultará em um retorno mais produtivo e acolhedor para os estudantes. E por fim, cuidar para que protocolos de prevenção sejam seguidos por todos aumenta a segurança e a confiança da comunidade escolar e das famílias.”

Marizane Piergentile – Diretora de educação da rede Adventista do ABCDM e Litoral de São Paulo

“O retorno presencial de 2022 tem um gosto diferente e carrega uma expectativa de compensação dos últimos 2 anos, onde estivemos longe, porém perto. Dessa vez, a expectativa de trazer os alunos nos fez montar um projeto com foco no socioemocional que envolvesse tanto os estudantes quanto o corpo docente.

O preparo para o socioemocional dos alunos acontece antes da chegada deles, ou seja, começa com o preparo dos professores. O nosso corpo docente já está sendo preparado e participando de encontros em suas respectivas unidades, onde eles participam de reflexões, projetos práticos, reforçam a autoestima e aprendem um pouco mais sobre capacitação técnica e acolhimento.

A partir desse acolhimento do professor, começamos a prepará-los para receber as demandas pessoais de cada aluno e como lidar com as situações que os mesmos viveram durante o isolamento. Preparamos os professores para observar e lidar com a dificuldade dentro do coletivo consequente do isolamento social, sinais de violência ou abuso, ansiedade e luto.”

Camila Akemi Karino – Diretora Pedagógica da Geekie

“Nós comumente escutamos sobre a importância da inteligência emocional e sobre o impacto dessa habilidade no desempenho acadêmico e profissional. Talvez, isso nunca tenha ficado tão explícito no contexto escolar, como agora. Migrar para o mundo digital e se adaptar a um contexto de isolamento foi um grande desafio, mas a retomada ao presencial em 2022 será um desafio tão grande quanto. A forma como encaramos esse desafio pode ser o diferencial para a jornada ser mais leve e bem-sucedida. Destaco aqui dois elementos importantes. O primeiro é que como educadores tendemos a pensar no outro: como acolher os alunos, como apoiar as famílias etc. Mas a inteligência emocional também se aplica a nós mesmos. Por isso, é importante que estejamos abertos para reconhecer e saber lidar com nossas próprias emoções e reações. A frase que viralizou nas redes sociais ‘Inspirar, respirar – e não pirar’, cabe muito bem aqui.

O segundo elemento tem como referência Carol S. Dweck – professora da Universidade de Stanford e autora de ‘Mindset: a nova psicologia do sucesso’ – defende que somos capazes de nos modificarmos e desenvolvermos por meio do próprio esforço e da experiência. Aplicando ao nosso momento, encarar a jornada com a mentalidade de que não temos que ‘saber’ lidar com tudo e se colocar num papel de aprendente torna o processo menos árduo e, com certeza, mais construtivo.

Esses dois elementos vão garantir um início com o pé direito. No entanto, não poderia deixar de dar dicas sobre como apoiar os alunos: (1) garanta espaço de acolhimento e apoio – separe momentos para falas espontâneas, pare para escutar e deixe claro a quem eles podem recorrer se precisarem de apoio. Uma dica é usar a rotina de pensamento ‘Cor, Símbolo e Imagem’, na qual o estudante escolhe uma cor, um símbolo e uma imagem que represente ou capture a essência de como cada um está se sentido; (2) valorize elementos positivos – vamos elevar as energias, agradecer, deixar explícito os pontos fortes do retorno ao presencial. Uma dica é o pote da gratidão. Cada estudante registra e compartilha em um papel algo a agradecer; por fim, (3) dê o tempo necessário – todos estão encarando suas angústias e criando rotinas novas. Não force. Dê tempo para os estudantes se adaptarem. Observação e apoio num primeiro momento. Depois tudo irá transcorrer melhor.”

Rogéria Sprone – Diretora Pedagógica do Colégio Joseense

“O preparo emocional dos professores e dos alunos é muito importante nessa volta às aulas. No primeiro momento se faz necessário acolher e escutar os colaborares e os professores. Deixá-los seguros sobre o ambiente e as práticas pedagógicas é primordial, para o restante ser tranquilo. Durante os primeiros dias de aula, vamos incluir atividades lúdicas, atividades dinâmicas e rodas de conversas com os alunos a fim de promover a escuta e o direcionamento no retorno escolar.”

Ana Paula Yazbek – Pedagoga, mestra em educação e Diretora Pedagógica do espaço ekoa

“O período de adaptação demanda muita atenção e planejamento. A cada início de ano precisamos lidar com uma pluralidade de aspectos, dos quais podemos destacar reorganização do espaço físico, chegada de novas pessoas na equipe, retorno de crianças e famílias antigas e chegada de novas crianças e famílias. Para garantir que a recepção de todos e todas seja tranquila, no espaço ekoa dedicamos dias de nosso planejamento com a equipe pedagógica para planejar o acolhimento de todas as crianças. Consideramos que a adaptação ocorre numa tríade – crianças + familiares + escola – e que as expectativas são diferentes. Para as crianças são muitas novidades que precisam ser assimiladas; para as famílias há a ansiedade sobre como será o acolhimento a sua criança e sobre como ela irá reagir; e para a escola há o desejo de garantir que este momento inicial transcorra da melhor maneira possível.

No planejamento, além de discutirmos sobre os aspectos subjetivos que ajudam aos professores compreenderem as diferentes ações e reações de familiares e crianças, fazemos o levantamento de propostas que favoreçam seu bem-estar e integração. Selecionamos os livros que serão lidos, preparamos materiais, selecionamos propostas e cuidamos para que o espaço físico esteja extremamente acolhedor para receber a cada uma das crianças e famílias. Realizamos uma reunião com as novas famílias, na qual apresentamos a equipe e conversamos sobre como a adaptação irá acontecer dia após dia. É um momento de estabelecimento de parceria que contribui para que pais e mães sintam que seus filhos e filhas serão bem recebidos neste novo espaço.

Nos primeiros dias as crianças são acompanhadas por um adulto de referência e ficam um período reduzido para que possam ir se ambientando pouco a pouco. No decorrer da semana, passam a ficar mais tempo e começam a distanciar-se de seus familiares. Quando passam a ficar sozinhas, são acolhidas pelos professores e professoras e, se necessário, seus familiares podem retornar para ajudá-las por mais tempo. O período de adaptação é um trabalho que demanda muita atenção, sensibilidade, parceria e empatia e ao final dele todos saem fortalecidos e cheios de boas novidades para partilhar”.

Letícia Reina – Gestora Pedagógica da Árvore

“O retorno às aulas vai acontecer, novamente, com algumas dúvidas e inseguranças em relação aos contágios da Covid-19 e suas variantes. E, como sempre acontece, essa volta pós-férias precisa de um olhar carinhoso de todos os educadores na retomada da rotina. Por esses motivos, é fundamental reservar um tempo e um espaço na agenda dos gestores, professores e estudantes, com o objetivo de proporcionar uma troca de ideias e experiências vividas durante o recesso escolar. Como, por exemplo, realizar encontros com os times de professores, escutar como foram os dias de férias, como estão de saúde, se estudaram algo diferente, quais foram os momentos de lazer etc. Uma ideia é ter, na semana de planejamento, horários destinados a essa escuta e troca.

E, do mesmo modo, com os estudantes. É importante reservar momentos de conversas nos primeiros dias, com o intuito deles compartilharem seus medos, dúvidas e conquistas. Também oferecer cantinhos de leitura, brinquedos destinados às crianças, estações de pinturas e desenhos, disponibilizar uma circulação livre, autônoma e a exploração do espaço físico da escola, mas sempre de forma segura. Além disso, as rodas de conversas dirigidas pelos professores são muito importantes. Podem ser feitas perguntas sobre as famílias, os passeios feitos, as visitas e os filmes vistos. Abrir essas possibilidades acolhe e cria espaço para o novo. Esse cuidado com o emocional e uma escuta atenta aos alunos permite que os novos conteúdos cheguem de modo mais tranquilo e significativo. Estudantes acolhidos e escutados ficam mais preparados para ouvir, refletir e aprender”.

Juliana Hampshire – Psicóloga e Coordenadora Pedagógica do LIV

“Depois de dois anos vividos com tanta incerteza, o retorno às aulas presenciais deve ser pensado com bastante cuidado. Aprendemos protocolos de segurança sanitária, reinventamos nossa forma de ensinar, mas ainda estamos aprendendo a (re)construir os laços em presença física.

Talvez o ponto mais importante é que cada pessoa sentirá o retorno de uma maneira diferente. Por isso, legitimar o sentimento do outro é tão importante. Para algumas pessoas foi mais difícil que para outras o distanciamento, assim como a adaptação às aulas presenciais pode exigir mais pra um do que para outro. 

Entender, portanto, que o retorno, assim como todo o ano letivo é um processo singular, é fundamental. Não precisamos correr atrás do tempo perdido, não precisamos também achar que será um grande alívio voltarmos todos para o presencial. Encontrar-se com o outro é sempre, em maior ou menor grau, um desafio, algo que requer habilidades socioemocionais que podem ser desenvolvidas. 

A habilidade chave é a comunicação: investir em atividades que tenham como guia a escuta de si e do outro é um excelente caminho. Outra sugestão é conseguir caminhar para um lugar em que a turma se torne um grupo, em que cada estudante possa se sentir pertencente, deixando uma marca sua, e aprendendo também a escutar e valorizar o outro. A turma pode ir construindo, com apoio de um educador, um nome, valorizando uma identidade comum como um projeto, por exemplo, gostos, traços. Entendendo que o processo de se readaptar aos encontros leva tempo, e um tempo para cada um. Algo que não pode ser abreviado, mas que pode ser contornado a partir de escuta, de acolhimento e de metas traçadas para o desenvolvimento dos alunos e da turma, de maneira conjunta. Explicitar o objetivo das atividades propostas pode contribuir muito para o engajamento dos alunos em sala de aula!”

Flavio José dos Santos Lima – Coordenador Pedagógico do Ensino Fundamental – Anos Finais do Poliedro Colégio de São José dos Campos

“Sabemos que as instituições de ensino precisam ir além da educação formal, pois ela é o principal espaço de convivência e interação social que potencializa o desenvolvimento de habilidades emocionais e sociais. Por isso, uma escola acolhedora é imprescindível na formação das crianças e adolescentes.

No início do ano, principalmente após um longo período de isolamento em que muitas crianças ficaram fora do espaço escolar, é fundamental criar dinâmicas para conhecer o espaço físico e principalmente para criar vínculos com os colegas, professores e todos os colaboradores do ambiente escolar. Dinâmicas coletivas são de suma importância para estabelecer vínculos afetivos. Acima de tudo, a escola precisa ter uma equipe pedagógica, com Orientação Educacional, para ser uma referência de acolhimento para o estudante e a família.

É importante também que a instituição prepare sua estrutura física para que possa transparecer esse ambiente acolhedor. Algumas ações podem ajudar muito nesse aspecto, como a criação e a renovação de espaços de conivência, a prática frequente de atividades de recreação e as comunicações visuais.”

Andressa Scalco e Marcos Lanner – Orientadores Educacionais do Colégio Augusto Laranja

“O início do ano letivo de 2022, após os grandes desafios enfrentados pelos alunos e professores nos dois anos anteriores e as férias escolares, também marca um novo momento na vida escolar dos estudantes. Os encontros e atividades presenciais habituais estão, aos poucos, retornando à rotina, de forma que devemos dar continuidade ao repertório de ações já realizadas em 2021 e ser compreensivos com os desgastes gerados até aqui. Estamos todos tão cansados como cheios de expectativas por uma melhora no contexto da pandemia, de forma que qualquer nova frustração tem impacto redobrado.

Algumas ações que consideramos relevantes para a recepção dos alunos nesse início de ano letivo de 2022:

Possibilitar espaços de diálogo e compartilhamento de experiências entre os estudantes. O exercício de compartilhar é potente: os colegas podem se identificar entre si, ampliar o sentimento de pertencimento, ampliar seu repertório de ação, bem como regular melhor a ansiedade diante do novo. Lembremos que o mesmo cuidado cabe aos professores. Como estarão o maior tempo com os alunos, estarem bem emocionalmente é essencial para que possam também fortalecer emocionalmente os alunos.

Estabelecer pontos de segurança e referência para os alunos com maior comprometimento emocional. Assim, poderão se sentir seguros de que tem a quem recorrer em caso de uma crise ou dificuldade.

Percorrer o espaço escolar e fazer um reconhecimento físico e pessoal com os estudantes também favorece a construção de segurança do aluno no ambiente escolar.

Manter proximidade com as famílias, estabelecendo uma comunicação contínua e clara. Para que os alunos se sintam seguros em um ambiente fora de casa, é necessário que seus pais estejam seguros de que esse ambiente é adequado, competente e cuidadoso para com seus filhos.

Promover atividades que favoreçam a construção e manutenção do bem-estar físico e emocional: palestras informativas, atividades lúdicas, de relaxamento, rodas de conversa, etc.

Repactuar regras, combinados e rotinas escolares. Os alunos perderam o hábito, seja pela pandemia, seja pelas férias, da convivência no espaço comum escolar e das necessárias regras e combinados que o gerenciam. É fundamental retomá-las e justificá-las com mais frequência nesse retorno.”

Juliana Lenço – Coordenadora Pedagógica da Escola Cristã Jundiaí

“Toda prática que priorize a escuta é bastante adequada para o momento de retorno às aulas. Todos temos uma ‘história com a pandemia’ para contar. Nem sempre esta história será contada com palavras. Para ouvir estas histórias podemos lançar mão das mais estratégias e ideias, lembrando que a escuta acontece de forma efetiva quando estamos o mais presente possível para poder ouvir com os olhos, ouvidos e coração.
Os professores podem propor rodas de conversa, dinâmicas e jogos para que os alunos se conheçam melhor, identifiquem interesses em comum, bem como diferenças que podem ser trabalhadas para criar sinergia durante as aulas.

Pensamos que a gestão pode preparar momentos de formação e planejamento interessantes, interativos e descontraídos para acolher a equipe de trabalho de forma sensível e atentar não somente às questões pedagógicas, mas também sociais e emocionais do corpo docente.”

Regina Silva – Diretora Pedagógica no Educacional Ecossistema de Tecnologia e Inovação

“O retorno às aulas em 2022 traz elementos mais desafiadores do que nos anos anteriores, já que com tanto tempo fora da sala de aula os estudantes voltarão cheios de dúvidas e receios. Gestores e professores serão também um pouco ‘psicólogos’ ao enfrentar esses novos desafios, portanto nesse momento será fundamental abrir espaços descomplicados para o diálogo, construindo uma forte rede de engajamento de toda a comunidade escolar, sem deixar de lado a busca ativa dos estudantes que abandonaram a escola durante a pandemia. Pedagogicamente, será necessário flexibilizar planejamentos, cronogramas e currículo, pois a realidade é dinâmica, e a correção do percurso é importantíssima para o sucesso de todos os envolvidos nos processos de ensinar e aprender. Atividades de diagnóstico individual e recomposição de aprendizagens também serão imprescindíveis para manter diversidade e afinidades em harmonia.

Nesse sentido, a tecnologia pode aportar um imenso valor, ainda mais considerando que, de um modo geral, tanto professores quanto alunos tiveram que se apropriar desses recursos durante o período de suspensão das aulas presencias. Os estudantes têm aspirações, modos e ritmos de aprender e se relacionar distintos, e esses elementos devem ser levados em consideração para o resgaste das relações afetivas, da motivação e da autoestima, a fim de garantir os direitos de aprendizagem de todos e de cada um.”

Débora Gasparello – Psicóloga do Colégio Stella Maris

“Cada pessoa vivenciou um processo diferente durante o distanciamento, então precisamos ser solidários e construir um ambiente seguro para que não reste dúvida de que a escola é o melhor lugar para se estar. Com muito diálogo e escuta, a construção de práticas pedagógicas e lúdicas que tragam algum contexto afetivo pode ser aplicada desde o primeiro dia do ano letivo.

Exemplo de atividade: Construir barquinhos de papel com os alunos para mostrar que mesmo diante dos desafios da vida, necessitamos ter resiliência para passar pelo mar turbulento e continuar. No processo, questione quem já fez barquinho de papel e escute o estudante. Depois do processo de produção, traga a reflexão sobre o caminho percorrido para que ele virasse um objeto e criar uma história sobre os desafios que pode encontrar pela frente. Os amassados do papel são marcas que ficam e que pode parecer que se perde toda a estrutura do objeto. Mas ao respirar, acalmar, lembrar das alegrias e surpresas boas que já vivenciamos na vida podemos criar novas perspectivas. O barquinho pode virar um colete salva-vidas, representada pelas pessoas que estão conosco. São os momentos de alegria, de surpresa e o imenso amor que sentimos uns pelos outros que sempre nos sustentarão, darão forças para recomeçar e criar novos barcos.”

Sueli Bravi Conte – Mantenedora e Diretora Geral do Colégio Renovação

“Estamos mais uma vez envolvidos com o retorno das aulas presenciais e muito preocupados com a questão física, mas principalmente com a saúde emocional dos alunos. Eles perderam muito com a pandemia e, por isso, estamos preparando uma acolhida especial para o retorno. Nossa equipe se preparou para ouvir mais quais são os principais conflitos que estão na cabeça de crianças e, principalmente, dos adolescentes. As crianças normalmente sentem e falam o que os incomoda, mas os adolescentes sentem e a maioria se cala.

Como psicóloga, sei que neste momento o principal fomento da Educação é acolher, deixar os alunos conversarem sobre suas tristezas, perdas, medos e inseguranças e ajudá-los a entender que iremos conviver com a pandemia ainda por alguns anos e que precisamos nos adaptar para continuar sem medo. Portanto, devemos estar abertos. Apesar de saber que estamos todos frágeis e sensíveis neste momento, não podemos esquecer quem é o adulto nesta relação e devemos trabalhar em parceria, em que ‘o maior acolhe o menor’, especialmente no sentido das vivências, aprendizagem e conhecimento sobre as fragilidades que a vida nos impôs com a pandemia. Vamos retornar com segurança e, principalmente, valorizando a saúde física e emocional de todos que participam do processo ensino-aprendizagem. Não existe maneira fácil de iniciar, mas será com perseverança, amor e união que venceremos mais uma etapa. A confiança será fundamental e somente de mãos dadas poderemos atravessar esta ‘correnteza’ que tenta nos impedir de caminhar.”

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