Guia para Gestores de Escolas

Como tornar o erro uma emoção positiva

Hoje em dia, com os avanços e descobertas na área da inteligência emocional, muitos setores vivenciam, sem dúvida, uma revolução. Na educação, essa transformação é ainda mais presente. E você sabe por quê?

A arte de saber como o ser humano aprende e o entendimento de como as informações e os estímulos são consolidados são habilidades essenciais para os desafios atuais da educação, e um dos aspectos que não podemos mais desconsiderar é a influência das emoções no processo de aprendizado.

Estudos demostram o quanto o estado emocional e o aprendizado são face da mesma moeda, profundamente interconexas. Todos nós lembramos as emoções vividas nos anos da escola, daquele professor que nos fazia entusiasmar com a matéria ou daquele que nos apavorava com a prova, daquela matéria fácil de entender ou da outra que nos dava medo, pois não a compreendíamos.

Perceba, é mais fácil lembrar das emoções vividas do que dos conteúdos estudados, pois a ativação emocional favorece a criação de memórias duradouras e influencia a memória de longo prazo. As emoções favorecem a construção da identidade e de quem eu acredito ser, pois são arquivadas na memória autobiográfica.

Avaliamos, por exemplo, a experiência do erro. Se a criança aprende com medo de errar e esse medo se estende por anos, isso a levará a um mecanismo de reação. O medo de errar tende a levar o aluno a viver uma sensação de impotência, incapacidade e de fracasso, levando-o assim a acreditar na percepção de desqualificação.

A experiência do erro é essencialmente percebida emocionalmente como fonte de dor e sofrimento, realimentando o sentimento de medo e, consequentemente, o de fuga. O medo da prova, da avaliação, leva ao sentimento de culpa e de incapacidade. Essa sensação pode ser resgatada no futuro em situações profissionais, por exemplo, em uma reunião, apresentação ou em momentos de tomada de decisão, manifestando-se em comportamentos de desistência, insegurança, ansiedade e falta de persistência.

O medo é um sentimento antagonista ao aprendizado, ele bloqueia e dificulta o rendimento, além de transformar a aprendizagem em uma experiência de sofrimento. É aí, então, que o professor representa um grande aliado do aluno e o ajuda a compreender e superar o erro.

O ato de falhar precisa ser encarado como um direito do aluno, como um processo de evolução, desativando emoções negativas ligadas ao erro e criando situações positivas, pois o erro faz parte do processo de melhoramento contínuo do ser humano. Reconhecer na criança o direito de errar elimina a formação do sentimento de culpa e de incapacidade.

Motivar as crianças a verem as falhas como algo positivo e reforçar que elas têm o direito de errar e aprender com o erro desenvolve um relacionamento de confiança com o educador e consigo mesmo. O educador não terá, aqui, a função de julgar, mas de promover o aprendizado e também as emoções positivas ligadas à gratificação e ao sentimento de autoeficácia e autoconfiança do aluno, para que ele possa lidar com essa questão no presente e no futuro.

Quando a experiência do erro é percebida como algo natural no processo de aprendizado, e útil para expandir o potencial de cada criança, o educador permite que emoções positivas, como motivação para estudar, gratificação e autoestima sejam ligadas ao aprendizado, permitindo assim que os alunos se tornem pessoas mais seguras, sem medo de estabelecer seus objetivos e capazes de serem donos dos seus próprios destinos, tendo como busca a realização pessoal e a convivência cooperativa.

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