Guia para Gestores de Escolas

Leitura – Sem hábito não há leitor, sem desejo não há hábito

Uma das coisas mais prazerosas da vida é o exercício da liberdade de escolha. E na educação não é diferente. Engana-se quem acha que os estudantes estão aptos somente a executar ações. Este formato de educação é frio, pouco participativo e efetivo, e ainda causa um dano enorme: o distanciamento entre o interesse e o fazer.

Ouvimos muito que o brasileiro lê pouco. Mas pouco se fala sobre como acontece o processo de desenvolvimento do hábito da leitura. Leitores, em geral, são leitores porque tiveram exemplos. Que tiveram, de alguma maneira, os livros presentes em suas vidas de forma significativa: bibliotecas, salas de leitura, etc. e que participaram do processo de escolha de suas leituras.

Visito muitas escolas e, na maioria, ainda vejo que a proposta de leitura pouco considera o “querer” dos estudantes. E, assim, podem dizer: “mas se for só por querer eles não vão ler nunca”.

Vão sim. É um trabalho demorado e que demanda investimento de tempo e afeto. Não se desenvolve um hábito em poucos dias. Mas quero contribuir com ações práticas que podem ajudar muito no incentivo à leitura – aquela que está relacionada ao encantamento de ler e não aquela que simplesmente cumpre uma demanda curricular.

Leia!

Se você deseja que seu estudante reconheça a importância e o prazer da leitura, leia. Ninguém dá o que não tem. Por mais coisas lindas que você fale sobre a leitura, se você nunca lê nada, seus exemplos serão ilegítimos e todos ao seu redor perceberão isso.

Quantidade não é qualidade

Não compare a quantidade e o ritmo de leitura entre pessoas diferentes. Elas são diferentes. Um estudante pode ler um livro e ter nesta leitura uma percepção de mundo muito maior que uma pessoa que leu três livros em um mesmo período. Conheço (e acho que vocês também) estudantes que leem um livro todo para fazer uma prova. Fazem a prova. Tiram nota acima da média e, um mês depois, se você pedir a ele para comentar algo sobre a história ele não consegue formular uma frase.

– Processo de escolha participativo

Criança e adolescente tem querer sim. Eles nem sempre tem capacidade de decidir tudo, pela idade, falta de experiência, etc. – mas isso não pode ser usado para tudo. Todas as pessoas, independente da idade, devem ter sua individualidade respeitada. Imagine fazer uma atividade e deixar que eles escolham o livro a ser lido. Ou que tal fazer uma prova de geografia com base no livro de literatura que estão lendo? Vai renovar o acervo de livros da biblioteca? Que tal escolher alguns estudantes, de diferentes idades, para participar da seleção dos livros?

– Projetos baseados na leitura

Muitas leituras indicadas na escola podem originar projetos e ações em diversas matérias/núcleos de aprendizado. Percebemos em nossos projetos, por exemplo, que os estudantes se interessam mais quando as atividades se correlacionam, e sempre recomendamos aos coordenadores e professores que façam esta correlação entre todo o conteúdo que está sendo trabalhado naquele semestre/ano. Independente da idade, temos mais facilidade de compreensão e melhor aproveitamento dos aprendizados quando as diversas áreas/conteúdos conversam entre si.

– Tenha afeto

Pode parecer só poético, mas para além disso, nós, seres humanos, temos uma necessidade enorme de dar e receber afeto. Nenhum projeto, por mais maravilhoso que seja do ponto de vista do conteúdo e/ou proposta, fará sentido se o mediador for indiferente ao grupo com o qual está conduzindo a atividade. Ninguém aprende da mesma maneira e ao mesmo tempo. Perceba mais ouvindo do que falando. Os estudantes falam sobre eles mesmos quando falam de algum personagem literário. Ouça mais. Esteja atento.

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