Guia para Gestores de Escolas

O desafio de educar a “Geração C”

A “Geração C” é o termo que  caracteriza as crianças e jovens que passaram a fazer parte do cenário escolar a partir dos anos 90 no Brasil e no mundo. Mas por que esta geração é chamada assim? Trata-se de uma geração marcada pela cultura capitalista do consumo que realiza seus contatos pela internet em seus vários sites, links e ciberespaços – A geração do coletivo conectado. A cibercultura é seu mundo. As comunidades cibernéticas seus países e, o computador,  o celular smartfone seu corpo holográfico no mundo on-line.

A geração C é na maioria das vezes  oriunda de um modelo de família que não obedece aos caracteres conservadores e tradicionais. Com comportamentos consumistas voltados para um zelo excessivo pela aparência em detrimento da essência. Para essa geração a calça, a camisa e o calçado, inéditos são a forma de se mostrar para o mundo exterior. Celular, câmera, chip, computador, “comida calórica”, compulsão, comunicabilidade, complexos, comparações e muita competição, são típicos da sociabilidade desta nova face da cultura juvenil.

A conjuntura mundial do processo educacional tem sido marcada pela crise da educação formal, devido a diversos fatores. Dentre eles podemos salientar as lentas respostas das instituições escolares frente aos conflitos civilizatórios da “Geração C”. Educada também pelas mídias e pela cultura de massas a juventude pós-moderna vive novos dilemas com relação à temporalidade existencial e a uniformização de comportamentos. Tudo para essa geração deve ser imediato. Ela esta acostumada a clicar e conseguir.

A aula invertida, o ensino híbrido as metodologias ativas começam timidamente a responder a demanda que é emergente. A escola necessita mudar seu design, suas práticas, suas metodologias e seus métodos avaliativos.

A educação e suas instituições devem se tornar polifônicas para adquirirem o feeling dialogal com a “Geração C”. A arte propicia um canal de reencontro e revitalização da relação educando-educadores-escola. As expressões artísticas conseguem promover o protagonismo, desenvolver o gosto pela pesquisa numa metacognição apaixonante que diminui a distância entre os sujeitos do conhecimento fazendo com que a informação se torne formação e inteligência coletiva.

As escolas neste contexto de mutações convivem com os desafios diários de analisar seus processos, diagnosticar, redefinir suas táticas e estratégias para atingir níveis de proficiência que flexibilizem currículos e posturas para atingir as conexões emocionais e cognitivas da “Geração C”, motivando-a para o conhecimento.

Outra forma de educar a referida geração é propiciar momentos coletivos de convivência que visem minimizar a comparação e a competição típica do comportamento de suas tribos que travam uma guerra simbólica de imaginários, seja pelos penteados, roupas, escolha do gênero musical, times e torcidas de futebol, videoclipes, modelos midiáticos, jogos digitais e casas noturnas que freqüentam. O rótulo cria uma calomania mutante que toma conta do cotidiano da “Geração C”. 

O prazer instantâneo e efêmero seduz rapidamente a cultura juvenil pós-moderna que conectada com seus dispositivos móveis, vive como se sua existência tivesse uma trilha sonora individual que é freqüentemente substituída pelo controle remoto. Aulas não tem controle remoto! Os estudantes muitas vezes resistem ao modelo da Idade Média de aulas e fazem parte da Idade da Mídia. Acostumada com o discurso televisivo, repleto de semiótica e digitalização a “Geração C” vai para a escola sonolenta devido aos longos “bate-papos” noturnos virtuais em suas comunidades cibernéticas. As aulas são encaradas como pouco sedutoras, os conteúdos escolares são vistos como monótonos e são  muitos os alunos que criticam a forma como as aulas transcorrem sem interatividade e com métodos no estilo “decoreba”.

Conquistar essa geração é o grande desafio das instituições educacionais que desejarem sobreviver no século XXI. E isso só será possível através da aprendizagem por competências e habilidades e com uma profunda revisão do currículo organizador dos conteúdos escolares, fazendo com que se tornem significativos. O duplo foco no planejamento pedagógico e na formação continuada de educadores são peças-chaves para a mudança de paradigmas.

A escola para “Geração C” deve buscar o Protagonismo Juvenil; a educação para a pesquisa; a metodologia sóciointeracionista; a revisão curricular e a utilização social do conhecimento, passando da informação para a formação.  O cenário da globalidade é visto pelos especialistas como um momento fecundo de rearranjo da arquitetura organizacional da escola. As instituições escolares com estratégias pedagógicas e disciplinares tradicionais devem reavaliar o conceito de disciplina e suas práticas de inclusão ao conhecimento. A homogeneização de procedimentos não conseguirá sobreviver frente a uma postura juvenil multicultural e heterogênea que busca valores e pertencimento social, através de experiências acadêmicas pragmáticas para a aquisição de saberes que consigam resolver situações-problemas concretas.

Cabe ao ambiente de aprendizagem propiciar momentos de construção do conhecimento que priorizem a autonomia do alunado e até mesmo um estimulo para o voluntariado de acordo com as teorias psicopedagógicas tão debatidas, mas pouco utilizadas no contexto educacional. Trata-se do aprender a fazer.

 

O grande desafio das instituições escolares no século XXI é buscar soluções convergentes através da conectividade e da otimização com o público que educa, criando redes de comunicabilidade eficazes, fundamentadas no comprometimento, parceria e responsabilidade social. Conversar, compartilhar, compreender, capacitar com clareza coerência e coesão, conhecer, criticar, contextualizar e coexistir, auxiliarão nas intervenções educacionais junto a “Geração C”, construindo a cidadania que brota da crença na humanização.

Em suma, é tempo de mudar paradigmas e encarar o desafio de educar. Concluimos isso ao fazer mais de 300 palestras e oficinas pedagógicas sobre a Geração C pelo Brasil e Exterior pelo Movimento Educação é o Alvo.

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