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Guia para Gestores de Escolas

Socioemocional: Cuidado e acolhimento

Há algum tempo percebemos um movimento no interior dos processos e dos fluxos educacionais: uma atenção maior para as ressonâncias socioemocionais dos estudantes. Se, como apontam muitos especialistas da área de educação, o desenvolvimento das habilidades socioemocionais é de extrema importância para a formação dos alunos e das alunas, a pandemia instaurada pela Covid-19 elevou – e deixou ainda mais evidente – a importância de uma escuta ativa e de um olhar apurado para os sentimentos de crianças, jovens e adultos.

Como comenta Carolina Delboni, pedagoga e especialista em adolescência, “saúde mental é um dos assuntos mais urgentes e contemporâneos. Precisamos olhar, falar e cuidar. Sejamos adultos, adolescentes ou crianças. Porque a vulnerabilidade é intrínseca ao ser humano”, diz. Desse modo, como a maioria das instituições de ensino retomaram as aulas presenciais neste segundo semestre, ressaltamos o cuidado na transição entre o ensino remoto e a aula presencial – transição que pode despertar sentimentos de ansiedade, medo e insegurança nos estudantes, principalmente entre os mais novos.

Para a professora do Ensino Fundamental do Colégio Anglo Chácara Santo Antônio, Camila de Lucca, é necessário priorizar o acolhimento dos alunos durante a retomada presencial, exercitando uma escuta empática em sala de aula. “Alguns alunos ainda se sentem apreensivos de conviver com pessoas fora de seu círculo familiar, outros trazem sentimentos negativos referentes à pandemia e outros estão aliviados e felizes por estarem de volta. É importante ouvir cada um e atuar dentro das necessidades individuais”, afirma.

De acordo com a docente, é fundamental trabalhar com atividades em grupo que incentivem a construção de vínculos afetivos entre as crianças, reforçando, assim, o sentimento de coletividade e união, necessários para ajudar os estudantes que estiverem vivenciando momentos difíceis de luto, tristeza ou solidão. Nesse sentido, a educação precisa se tornar um processo mais humanizado e efetivamente afetivo, capaz de enxergar o estudante dotado de particularidades e subjetividades, que impactam diretamente no seu desempenho e na sua experiência dentro do ambiente escolar.

Para complementar essa ideia, Celso Lopes de Souza, psiquiatra e cofundador de um programa de aprendizagem socioemocional nas escolas, ressalta que as instituições de ensino precisam pensar em propostas pedagógicas que reforcem as habilidades socioemocionais que foram comprometidas durante o último ano. “A falta de interação física afetou as aptidões sociais e emocionais de todos, principalmente da comunidade escolar”.

Segundo o psiquiatra, a pandemia jogou uma lupa para a regulação das emoções, já que a maioria das famílias vivenciaram experiências intensas durante esse período. Assim, escolas que trabalham com alfabetização socioemocional têm mais recursos para abordar esse tema com os estudantes, gerando novos canais de escuta para auxiliar crianças e adolescentes a lidar com as emoções. (RP)

Saiba mais:
Camila de Lucca – [email protected]
Celso Lopes de Souza – [email protected]

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