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Revista Direcional Escolas
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Um novo Deus

Em 19 maio, 2015
Colunas e Opiniões

Há algum tempo, decidi testar a credibilidade da ciência entre alunos de pós-graduação. Mais que isso até, pensei em entender um pouco sobre como as pessoas veem a ciência em suas vidas. Afinal, vivemos num mundo em que aquilo que é “cientificamente comprovado” parece ter poder supremo sobre as reflexões pessoais e coletivas. Lembrei-me, até mesmo, da famosa “morte de Deus”, proposta por Nietzsche, em que o filósofo alemão do século XIX assinalava, entre outras coisas, que deixamos a “verdade” divina de lado e passamos, agora, a endeusar os saberes da ciência. O que será que pensamos de fato? Como vemos aquilo que nos colocam como definitivo a partir de uma possível demonstração vinda dos meios científicos? Mudamos nossa maneira de ver o mundo a partir de tais constatações? Duvidamos? Quem, ou o quê, nos tornamos a partir de uma leitura – ou matéria jornalística televisiva – que nos apresenta novas descobertas ou “comprovações” científicas? Então, decidi fazer uma brincadeira com minhas alunas – e mais um ou dois alunos – de pós-graduação em educação.

Naquela noite de terça-feira, como de costume, entrei na sala de aula (lotada) e, sem olhar para meu público, saí provocando:

Conteúdo Comunidade Direcional Escolas

– Senhoras! Viram a última notícia sobre o tomate?

Após colocar meu material sobre a mesa, dirigi o olhar para todas elas. Com uma mescla de curiosidade e certa passividade, me miravam como a esperar o desfecho daquela fala.

– Sim! – repeti – Vocês não viram? Como alunos de pós podem ser tão alheios ao mundo? A notícia sobre o tomate e a impotência. Todos estão comentando isso!

Mais uma vez, os olhares curiosos, e, desta vez, mais atentos que antes. E emendei:

– Vocês mulheres, e, talvez e principalmente, os homens deveriam estar atentos a isso. Tomate provoca impotência masculina!

Em meio a sorrisos e olhares desconfiados, percebi uma ligeira perplexidade no ar. Como eu havia planejado. E logo veio a fala esperada:

– Eu nunca ouvi nada disso, professor! – como sempre, a aluna do canto, indagadora e -colaborativa – É sério ou é mais uma de suas brincadeiras? – Seguiam-se sorrisos e olhares com certa expectativa.

Bingo! Era o momento de atuar. E, como um ator veterano, girei agilmente o corpo e me dirigi à minha pasta que estava sobre a mesa. Com gesto solene, retirei de lá uma revista científica que havia trazido especialmente para aquela encenação. Tratava-se de um exemplar da revista New england jornal of medicine, o qual havia escolhido pelo nome, na biblioteca, sem ter sequer aberto para ler os títulos dos artigos. Levantei-a e mostrei a elas. Leram o nome da revista e as expressões começaram a se transformar magicamente. E sem que qualquer aluna (ou aluno) pedisse para ler o conteúdo, começou uma avalanche de perguntas. Questões e falas do tipo “ … mas, meu pai comeu tomate a vida toda …”, “meu marido só come salada de tomate…” ou “ … alguém me dá receita de molho branco?”, “professor, acho que deve ser para quem come demais, não é?”

A conversa tornou-se intensa e animada. Brincadeiras e uma certa indignação com a surpreendente notícia tomaram conta da conversa durante quase quinze minutos. E ninguém me perguntava sobre a quantidade de pessoas entrevistadas, a metodologia de pesquisa utilizada ou o país onde tal estudo se realizara. De toda aquela conversa, a única coisa que não se questionava era a veracidade da notícia. O nome da revista – talvez ignorado por 100% dos alunos, pessoas militantes na Educação – parecia bastar para que a matéria ganhasse ares de verdade inquestionável. De repente, um novo dogma parecia se incorporar aos saberes daqueles alunos. Agora, a questão era como conviver com aquela revelação. Viver com ou sem tomates. Ao final, é claro, abri o jogo e contei sobre a brincadeira.

Entre alívio teatral e vergonha sutil, o que sobrou foi um questionamento interessante que embasou a aula daquela noite. Falamos sobre ciência e verdade. E a questão central foi o fato de confiarmos plenamente naquilo que nos garantem ser “científico”. Mas, quem nos garante? Baseado em quê? Sob quais pressupostos? A partir de quais metodologias? Naquela noite, pude ouvir muitos relatos nos quais situações polêmicas foram decididas pela simples – e comum – referência a “provas científicas”. E o pior de tudo: vários alunos afirmaram que o simples relato da “prova” já servia para dar ares de verdade à proposição que se queria validar. Na maior parte dos casos, disseram, não houve sequer questionamento sobre os veículos das tais matérias “científicas”. O termo sacrossanto ciência parece conter, em si, a verdade implícita. E o pior de tudo: parece que as pessoas não se preocupam em saber que diabos quer dizer isso que se venera e se costuma chamar ciência. O que será isso?

Talvez seja oportuno, quem sabe no próximo texto, discutirmos o que é ciência. Por ora, vale observar que nós humanos talvez adoremos verdades. E, mais que isso, amamos muito aqueles que são seus portadores. Como já disse acima, segundo Nietzsche, houve um tempo em que íamos buscar a verdade em outro mundo. E, hoje, parece que tal mundo está colado, fundido ao nosso. Porém, teima em não se materializar. Vive pairando, voando; estranho, mas presente. E o seu rastro parece ser tão luminoso quanto uma possível revelação divina. Mais do que tudo, objeto de fé. Afinal, em meio a tantas especulações a quem podemos confiar o poder da verdade.

Um dia, Galileu Galilei quase foi queimado vivo porque, entre outras coisas, questionou nossa crença cega. Hoje, se estivesse aqui, provavelmente sentir-se-ia perplexo. Talvez se olhasse no espelho e, com o rosto ruborizado, murmuraria meio escondido:

– Se soubesse que criava outro Deus, talvez preferisse ficar com o antigo.

 
joao-luiz-muzinatti
Prof. João Luiz Muzinatti é Mestre em História da Ciência. Engenheiro, é também professor de Matemática, Filosofia e Ciências em nível de graduação, pós-graduação, e Ensino Fundamental e Médio.
Atua ainda como diretor do ABC Dislexia (com atendimento a alunos, consultoria, cursos e palestras em Educação), além de consultor do MEC (Ministério da Educação) em Filosofia para a TV Escola – programas “Acervo” e “Sala de Professor”. Foi diretor do Colégio Santa Maria, em São Paulo; coordenador pedagógico do Colégio Franciscano Pio XII (também em SP); e diretor do Espaço Ágora – Terapêutico e Educacional.
Trabalhou como engenheiro daFlender Latin American – consultor no Chile, e escreveu e lançou o livro de poesias “Inventário de mim” (Ed. Scortecci) .
Mais informações: [email protected] ; www.abcdislexia.com.br 

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    João Luiz Muzinatti

    É Mestre em História da Ciência. Engenheiro, é também professor de Matemática, Filosofia e Ciências em nível de graduação, pós-graduação, e Ensino Fundamental e Médio. Atua ainda como diretor do ABC Dislexia (com atendimento a alunos, consultoria, cursos e palestras em Educação), além de consultor do MEC (Ministério da Educação) em Filosofia para a TV Escola – programas “Acervo” e “Sala de Professor”.

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