outubro 28, 2016

Boas práticas em educação inovam o aprendizado da língua portuguesa

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No universo virtual, onde as mensagens são instantâneas, escrever cartas à mão parece ser um hábito tão remoto e ultrapassado, que fica impossível pensar que a prática pode se tornar uma ferramenta para o aprendizado e aprimoramento do uso da língua portuguesa no ambiente escolar. Tudo começou como uma brincadeira e hoje o projeto “De carta em carta…encontrando caminhos” tem sido aplicado como metodologia de ensino em escolas do interior paulista. A iniciativa tem a assinatura de Meire Cristina Fiuza Canal, educadora e professora de português do Ensino Fundamental. A iniciativa foi reconhecida nacionalmente e apresentada no 4º Seminário Nacional Investigando Práticas em Sala de Aula, promovido pela Editora Positivo, em parceria com a Universidade de Lisboa, em Curitiba (PR).

No final de 1990, Meire começou a trocar cartas entre seus alunos e os de uma amiga da capital paulista. “A ideia era só brincar com as cartas, provocar interação. Ainda não era um projeto. A partir de 2000, fui morar em Bariri, interior de São Paulo, e conheci uma orientadora pedagógica. Ela me incentivou a trocar cartas com uma professora de uma cidade vizinha, que organizou o Clube de Correspondência. Passei a entender a dinâmica da iniciativa, objetivos e procedimentos”, lembra. “E assim nasceu o ‘De carta em carta’, em 2005. Queria criar situações de aprendizagem para os alunos aprimorarem o uso da língua portuguesa e melhorarem o domínio da norma padrão”, assinala.

Para a professora, o Clube de Correspondência surgiu como uma solução para motivar seus alunos à leitura, à escrita e à participação de outras atividades escolares. De acordo com Meire, os alunos escrevem sobre o que desenvolvem em sala de aula e outras informalidades. “Descobri que o interesse é despertado quando a atividade é significativa. E nada mais interessante para o jovem que conhecer pessoas diferentes”, avalia. O projeto foi tão bem sucedido que a professora passou a adotá-lo como uma atividade permanente em sua prática pedagógica. Assim, outras professoras foram convidadas a participar.

A metodologia do projeto é bem simples, como as cartas, revela Meire. “Um aluno escreve para outro sem conhecê-lo, até que, após a troca de algumas correspondências (cerca de quatro), realizamos um encontro. Na produção dos textos, trabalhamos os procedimentos de escrita, revisão e reescrita, buscando sempre escrever do modo mais interessante, claro e inteligente”, explica. Entre os resultados práticos do “De carta em Carta”, a professora destaca a solução de problemas de escrita, como ortografia, concordância, coesão e coerência. “É muito mais significativo ensinar a língua portuguesa fazendo uso real dela. Enquanto os alunos aprimoram seus textos revisando-os e refletindo criticamente sobre eles, a aprendizagem da língua acontece naturalmente. Mas não posso me esquecer de mencionar sua grande contribuição na motivação para a escrita e aprendizagem de outros saberes”, ressalta.

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