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Guia para Gestores de Escolas

Boas práticas em educação inovam o aprendizado da língua portuguesa

No universo virtual, onde as mensagens são instantâneas, escrever cartas à mão parece ser um hábito tão remoto e ultrapassado, que fica impossível pensar que a prática pode se tornar uma ferramenta para o aprendizado e aprimoramento do uso da língua portuguesa no ambiente escolar. Tudo começou como uma brincadeira e hoje o projeto “De carta em carta…encontrando caminhos” tem sido aplicado como metodologia de ensino em escolas do interior paulista. A iniciativa tem a assinatura de Meire Cristina Fiuza Canal, educadora e professora de português do Ensino Fundamental. A iniciativa foi reconhecida nacionalmente e apresentada no 4º Seminário Nacional Investigando Práticas em Sala de Aula, promovido pela Editora Positivo, em parceria com a Universidade de Lisboa, em Curitiba (PR).

No final de 1990, Meire começou a trocar cartas entre seus alunos e os de uma amiga da capital paulista. “A ideia era só brincar com as cartas, provocar interação. Ainda não era um projeto. A partir de 2000, fui morar em Bariri, interior de São Paulo, e conheci uma orientadora pedagógica. Ela me incentivou a trocar cartas com uma professora de uma cidade vizinha, que organizou o Clube de Correspondência. Passei a entender a dinâmica da iniciativa, objetivos e procedimentos”, lembra. “E assim nasceu o ‘De carta em carta’, em 2005. Queria criar situações de aprendizagem para os alunos aprimorarem o uso da língua portuguesa e melhorarem o domínio da norma padrão”, assinala.

Para a professora, o Clube de Correspondência surgiu como uma solução para motivar seus alunos à leitura, à escrita e à participação de outras atividades escolares. De acordo com Meire, os alunos escrevem sobre o que desenvolvem em sala de aula e outras informalidades. “Descobri que o interesse é despertado quando a atividade é significativa. E nada mais interessante para o jovem que conhecer pessoas diferentes”, avalia. O projeto foi tão bem sucedido que a professora passou a adotá-lo como uma atividade permanente em sua prática pedagógica. Assim, outras professoras foram convidadas a participar.

A metodologia do projeto é bem simples, como as cartas, revela Meire. “Um aluno escreve para outro sem conhecê-lo, até que, após a troca de algumas correspondências (cerca de quatro), realizamos um encontro. Na produção dos textos, trabalhamos os procedimentos de escrita, revisão e reescrita, buscando sempre escrever do modo mais interessante, claro e inteligente”, explica. Entre os resultados práticos do “De carta em Carta”, a professora destaca a solução de problemas de escrita, como ortografia, concordância, coesão e coerência. “É muito mais significativo ensinar a língua portuguesa fazendo uso real dela. Enquanto os alunos aprimoram seus textos revisando-os e refletindo criticamente sobre eles, a aprendizagem da língua acontece naturalmente. Mas não posso me esquecer de mencionar sua grande contribuição na motivação para a escrita e aprendizagem de outros saberes”, ressalta.

Atualmente, o projeto está sendo aplicado em salas de aula do ensino fundamental da Escola Municipal Professora Joseane Bianco, em Bariri, e da Escola Estadual Professora Edir, de Boraceia. Neste ano, Meire fez uma experiência com alunos de Ensino Médio da Escola Estadual Professora Ephigênia Cardoso Machado Fortuanaro, em Bariri. Eles escreveram para pacientes de um hospital especializado no tratamento de doentes com câncer. Em 2010, foi feita a troca de correspondências com alunos de Vilhena, em Rondônia.

O “De carta em carta” já envolveu centenas de alunos e dezenas de professores. Neste ano, dois professores participam com duas turmas cada um, totalizando 60 estudantes. “Como o projeto mantém os mesmos moldes do início, o futuro dele está sempre em nossas vistas. Quando acabamos uma edição, já há colegas pedindo para fazer parceria conosco para o próximo ano. Os alunos também já incorporaram a atividade não apenas aguardam para realizá-la, como cobram para que o “De carta em carta” aconteça todos os anos. Quem participa faz uma propaganda do projeto e quer participar novamente”, orgulha-se.

Segundo Meire, todas as escolas, independente de suas peculiaridades, práticas pedagógicas e conteúdo, poderiam aderir ao projeto. “Quem participa não se arrepende. Sempre agrega aprendizado, possibilita engajamento dos alunos com a própria aprendizagem, com outros adolescentes e professores, que aprendem a trabalhar juntos”, observa. A professora acredita que o “De carta em carta” contribuiu para encontrar novos caminhos de ensinar. “Por isso, fico feliz quando posso compartilhá-lo. Muitos professores buscam diferentes e significativas maneiras de ensinar. Os alunos encontram o caminho de aprender a aprender e descobrem o poder que possuem com o uso da nossa língua, cujo domínio é direito de todos”, avalia. “É essencial ao professor de língua portuguesa garantir ao aluno as habilidades de aprimorar o uso de sua língua e dominar a variedade padrão da mesma, independente de suas condições sociais, étnicas, culturais, regionais. Língua é patrimônio. Quero que meu aluno conheça a sua e domine seu uso e recursos”, argumenta.

Sobre a Editora Positivo:

Fundada há 37 anos, a Editora Positivo tem a missão de construir um mundo melhor por meio da educação. Tendo as boas práticas de ensino como seu DNA, a Editora especializou-se ao longo dos anos e tornou-se referência no segmento educacional, desenvolvendo livros didáticos, literatura infantil e juvenil, sistemas de ensino e dicionários. A Editora Positivo está presente em milhares de escolas públicas e particulares com os seus sistemas de ensino. Amplamente recomendados pela área pedagógica e reconhecidos pelos seus resultados, os sistemas foram criados de modo a atender a realidade de cada unidade escolar. Para a rede pública a editora disponibiliza o Sistema de Ensino Aprende Brasil. Já as escolas particulares contam com o Sistema Positivo de Ensino (SPE) e com o programa Conquista. Cerca de 2 milhões de alunos utilizam os sistemas de ensino da Editora Positivo, em escolas públicas e particulares, no Brasil e no Japão.

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