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Revista Direcional Escolas
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Aprendizagem Ativa – Parte 1

Em 13 set, 2018
Colunas e Opiniões

Vamos conversar um pouco sobre alguns modelos de aprendizagem que são utilizados em instituições de ensino e que vem apresentando resultados positivos. Os estudantes que se lançam no mercado de trabalho já devem estar familiarizados com as rápidas mudanças na aquisição de conhecimento e agilidade das comunicações. Hoje, os processos possuem um ritmo mais intenso, nessa realidade a tecnologia deve fazer parte do projeto pedagógico da escola e o professor deve estar preparado para isso. No modelo tradicional de ensino o aluno assiste a aula e realiza uma prova, a aprendizagem possui poucas fontes de consulta e, às vezes, com um único livro ou apostila, a sala de aula tem o mesmo formato que no século XIX, mas que já se passaram cem anos…

A aprendizagem ganhou novas dimensões e passou do individual ao coletivo, do conhecimento passado através das gerações para um conhecimento disponível para todos. Passamos por várias transformações e agora temos uma forma de pensar e sentir o mundo diferente do que nossos pais vivenciaram (sem Internet).

Conteúdo Comunidade Direcional Escolas

O que isto significa? Temos hoje a utilização de ambientes virtuais, plataformas construídas com vídeo games para aprendizado, há também sistemas livres que são explorados em algumas áreas (mecatrônica, robótica), isto permite ao estudante desenvolver seus próprios experimentos. Os equipamentos estão sendo melhorados a cada ano e permitem guardar uma grande quantidade de informações, os estudantes podem trabalhar com projetos alternativos e aprimoramento de conhecimentos para lidar com sua realidade.

Dentro deste contexto vamos destacar a aprendizagem ativa que envolve um conjunto de práticas pedagógicas abordando as questões do processo ensino-aprendizagem. Nas técnicas clássicas, temos as aulas discursivas, onde é esperado que o professor “ensine” e o aluno acaba ficando em uma posição passiva para receber o conhecimento. Já na aprendizagem ativa, o aluno não é um mero expectador, mas deve ser um personagem ativo na busca desse conhecimento, deve ser proativo. Na prática envolve uma quebra de paradigma e uma mudança estratégica na atuação do professor, que deixa a forma clássica e passa a se questionar: “Meus alunos estão aprendendo ou somente decorando livros? Que conhecimentos quero transmitir?”. A resposta vem juntamente com exercícios, novos projetos, desafios que motivem esses estudantes a buscarem mais informações, eles devem ir atrás deste conhecimento. No passado, as fontes de informação eram poucas, mas com a Internet isto mudou totalmente, o que torna possível trabalhar dessa forma.

Nestes modelos, a aula necessita de mais planejamento, entretanto, a aprendizagem tornou-se um processo dinâmico e motivador e os resultados alcançados são superiores ao modelo clássico.

Podemos notar, também, que o espaço passa a ser utilizado por grupos que podem fazer trocas entre si e colaborar nesta aprendizagem: o professor ganha novas atribuições como mediador, interventor, orientador, etc. e o mais importante é ter uma escuta ativa e conseguir dar uma atenção maior às atividades nesta busca de conhecimento.

Vou comentar alguns modelos de metodologias de aprendizagem ativa e citar exemplos bem interessantes para refletir:

O Professor de Física, Eric Mazur, comenta sobre sua experiência lecionando em Harvard – ele teve sua formação através de aulas expositivas e foi nesse modelo que continuou, até que descobriu que os seus alunos aprendiam física através dos livros (conseguindo boas notas nesta disciplina), mas não conseguiam responder problemas simples do dia a dia, ou seja, não conseguiam aplicar seus conhecimentos na sua própria realidade. Passou, então, a pedir que eles conversassem entre si em pares, então um estudante explicava o assunto para o outro que não acompanhava o mesmo raciocínio na aula e nessa troca a compreensão aumentava de 50% para 80%. O Professor começou a entregar suas anotações e livros para seus alunos antes das aulas para que pudessem estudar em casa e as aulas passaram a ser utilizadas para discussão dos problemas e em pares, daí surgiu o método conhecido como “Peer Instruction” ou em português “educação por pares”. Ele escreveu um livro com este título e seu método começou a ser utilizado por outros professores de várias disciplinas com grande sucesso.

Nesse método, através das respostas dos alunos, verificava se era necessária uma nova explicação ou se continuava seguindo para próxima etapa. O importante é que os alunos se apropriassem dos conteúdos, podendo construir teorias, realizar novas pesquisas que permitissem aplicar este conhecimento dentro de sua própria realidade. Estamos falando de uma aprendizagem que permite ao estudante utilizar estes conhecimentos para melhorar o mundo em que vive, em outras palavras, um aprender integral e não somente ficar decorando fórmulas.

Outro trabalho interessante é a Aprendizagem Baseada em Projetos (ABP), em inglês “Project Based Learning/PBL”, esse método foi introduzido por W. Bender, em seu livro “Aprendizagem Baseada em Projetos” (disponível em português), esse grande educador trabalhou com crianças com dificuldades de aprendizagem e seu método se baseia no desenvolvimento do espírito crítico por meio de pesquisa e colaboração em grupo. O Professor escolhe o assunto que será debatido e os estudantes através de várias ferramentas (pesquisas, viagens a locais históricos ou de relevância, livros, depoimentos, etc.) realizam sua pesquisa e apresentam para sua classe. A utilização das riquezas das mídias digitais traz novas fontes de pesquisas e abre outras possibilidades como, por exemplo, montar um vídeo de acordo com o material escolhido. O ponto forte desta metodologia é o trabalho em grupo, um desafio para a equipe e todos devem colaborar, mas permite o desenvolvimento de um senso de responsabilidade e espírito crítico, isto é, muito importante considerando que prepara o estudante para ser um cidadão ativo e que pode compreender e lidar com sua comunidade.

Vou dar exemplos de projetos que desafiam os estudantes: os alunos foram convocados para trabalhar em grupo e desenvolver robôs que depois irão se enfrentar em uma competição “incrível”, é tudo muito emocionante! Outro exemplo de aprendizagem baseada em projeto é realizado por professores de várias disciplinas, depois de planejar as atividades reunirão os estudantes para visitar uma cidade, eles poderão pesquisar vários aspectos: fontes de abastecimento, vegetação, economia, história, saúde, problemas enfrentados pelos habitantes, etc., vivenciam a cidade e coletam informações durante a visita. Há uma infindável criatividade na escolha de projetos, mas o conceito básico de colaboração e busca de conhecimentos através da pesquisa é enriquecedor neste método.

Vou dar continuidade a este artigo e falar um pouco sobre ensino híbrido (Blended Learning) e sala de aula invertida (Flipped Classroom).

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    Lilian Cavalcanti

    Lilian Cavalcanti é gestora, psicóloga, consultora, escritora para sites e revistas, instrutora de treinamentos com grande vivência na área de gestão e psicologia aplicada ao desenvolvimento profissional. Integrante da Coordenação e gestão do ACADESC – Software de Gestão Escolar.

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