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Guia para Gestores de Escolas

A equipe escolar não pode ser amiga, mas, sim, companheira.

O que eu vou escrever aqui esta semana vai parecer até meio sem “noção”, mas espero que reflita e entenda a minha visão educacional. Afirmo com todas as palavras que a equipe escolar não pode ser amiga, mas sim companheira. O que muda? Tudo! Quando você é amigo, muitas vezes, verifica que seu colega está fazendo algo que poderá prejudicar o aluno e a escola e, por causa desta amizade, você deixará de falar algo, por saber que ele poderá ficar chateado e, muitas vezes, sem falar com você. Levando para o lado pessoal, começando as intrigas e fofocas que é praticamente um câncer na escola.

Já vi professores enraivados com esta situação. Não conseguem levar para o lado profissional, replicando a mensagem de que professor X é falso ou que Y quer se aparecer na escola ou que a Z não sabe mais que ela para vir criticar o trabalho feito.

Já vi professores ficarem brigados por um tentar ajudar a escola e achar que quer puxar “o seu tapete”. Daí eu trago a confirmação de que não podemos ser amigos. Para ficar mais claro, se um coordenador for muito amigo de um professor, como este poderá chamar sua atenção? Alguns já me responderam que quando se tem amizade, é mais fácil de fazer uma chamada de realidade do trabalho, mas respondo que não! Confirmo que não! E reafirmo que NÃO! Fica mais fácil de conversar ou indicar caminhos quando o grupo entende que cada um tem sua função e que o mesmo terá de desenvolvê-la pensando no bem estar do aluno, da escola e da equipe escolar.

No setor jurídico, os conflitos são mais tensos que na Educação, mas lá os profissionais conseguem discernir o joio do trigo, pensando que a “chamada” foi para o seu crescimento. Na escola, não há esta compreensão, os profissionais costumam levar para o lado pessoal e com isso se forma “panelas”, “grupos” e ninguém avança.

Cada hierarquia tem seu perfil e regulamento do que pode ou não fazer, faça dela uma “bíblia” e esteja pronto para fazer o que realmente é necessário e, se não estiver bem, o coordenador pedagógico está lá para ajudar. Caso o problema esteja com o diretor, a supervisão estará lá para auxiliar, mas cada um fazendo o seu trabalho. Não entenda que só porque ela é sua amiga que poderá fazer o que achar melhor, pois a outra pessoa pode ter a visão de que cada um faz sua parte e é daí que se tem um choque de visões.

Quando se tem amizade, se tem sentimentos, e fica difícil de fazer o que é para ser feito. Quando se tem companheirismo, ficará mais fácil, porque um ajudará o outro e, quando for preciso, intervirá para alcançarem, juntos, a Educação de qualidade.

Fui professor em diversas escolas e já vi coordenadores dizendo “farei a intervenção com tal professor porque sou mais amiga dele e você faz com o outro, porque você tem mais amizade” – se a pessoa responder: “não. Faça com os dois professores, porque você é a coordenadora do ensino fundamental I. É sua obrigação. Eu farei com os meus professores, que são do fundamental II”. Tenho certeza de quem recebeu a resposta ficará muito magoada, pois entenderá que não são “amigas”. Cria-se um clima tenso e cada uma vai por si. Mas a visão foi distorcida. Mesmo com a resposta, o receptor da mensagem tinha de entender que realmente é minha obrigação e que se eu assumir o meu cargo e, a outra, o dela, juntas, poderemos chegar a algum lugar.

Em muitas escolas, tive problemas com isso e tive de “apagar incêndio” por visões distorcidas e mostrar que não era nada contra o profissional. Uma vez estava explicando um conteúdo de Literatura e um professor bateu à porta e pediu para falar com tal aluna, eu disse que não. O professor ficou estarrecido. Mas ele precisava saber que quando o aluno sai e ele perde minha explicação, voltará confuso e poderá não ir bem às avaliações de classes e de escolas e quem levará a culpa? Mas ele entendia que pelo fato de ser “amigos” eu liberaria sem hesitar, mas eu sou companheiro, não amigo.

E o que é ser companheiro em uma escola? É quando você se une com outros profissionais com o mesmo objetivo. Ajuda-o, mesmo se for para intervir e é ajudado. Para isso acontecer, cada um precisa saber do seu papel na aprendizagem para o sucesso do aluno e da escola. Após, criarem ações coletivas para isso.

A coordenação Pedagógica precisa deixar claro qual é o objetivo da escola e qual é o papel de cada profissional para juntos chegarem ao sucesso educacional.

A inimizade também faz parte para a desunião da equipe. Pois se professor Z não gosta do Y, começará uma disputa inútil dentro da escola, que ninguém sai ganhando ou perdendo. Pare de colocar as suas impressões nas pessoas, coloque apenas o companheirismo, não importa quem seja, entenda que tanto ela quanto você estará lá para juntos chegarem a algum lugar.

Então, se você quer ser amigo de alguém, seja, mas do portão para fora. Do portão para dentro, você é um dos pilares para levantar o conhecimento e mostrar ao aluno o seu sucesso.  Com o seu pilar e de seus colegas, a escola ficará erguida com muita força e o sucesso reinará por muito tempo. Sem fofocas, intrigas e lamentações.

miniatura-alex-de-frança Alex de França Aleluia é formado em Letras. Escritor de obras sobre Educação, as quais já foram elogiadas por especialistas na área. Foi coordenador pedagógico de franquias de multidisciplinaridades. Já trabalhou como Coordenador do Programa Escola da Família. Trabalhou em cursinhos e Faculdades. Hoje faz palestras voltadas à motivação educacional. Capacitação para professores e articulistas de portais voltados à Educação. É membro da Academia de Letras do Brasil. Acesse seu site: www.professoralexdefranca.wordpress.com Facebook: Prof. E Escritor Alex de França Aleluia Twitter: @escritoralexf

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