Guia para Gestores de Escolas

A escola do século XXI: Qual é o papel do gestor na escola contemporânea?

Por Rafael Pinheiro / Fotos Divulgação

“O gestor escolar tem um papel fundamental em orientar e acompanhar as ações desenvolvidas em sua escola. É ele que pode mobilizar professores e equipe para o acompanhamento do aprendizado de seus alunos”, diz Sonia Dias, coordenadora de implementação do Itaú Social

Sonia Dias

O desenvolvimento educacional, observado como um extenso e complexo mecanismo social, questiona, na atualidade, métodos, ferramentas e movimentos guiados para alcançar resultados positivos – e significativos. A contemporaneidade evidencia – tanto na gestão escolar como no universo peculiar nas salas de aula – a produção de novas formas de vivência escolar e de experimentações, reformulando, assim, ideias e metodologias ativas no denso processo de formação do cidadão.

As transformações na sociedade e o surgimento de novas fontes de conteúdo, de diversas ferramentas de conhecimento, assim como a democratização dos aparelhos tecnológicos e a entrada de uma nova geração de alunos nas escolas, dissolveu, aos poucos, os formatos engessados e as relações entre aluno-professor; professor-aluno; aluno-gestor; professor-gestor.

“O papel transformador da educação pode ser exercido a partir de uma educação que ofereça qualidade para todas as crianças e adolescentes”, diz Sonia Dias, coordenadora de implementação do Itaú Social. “Uma educação que se utilize tecnologias e diferentes suportes de forma a potencializar a circulação de saberes”, completa.

Sob a ótica de novos horizontes e novas perspectivas, a educação transformadora apropriada à contemporaneidade, conta a coordenadora, deve permitir a apropriação do seu contexto local, conhecer o potencial de seu território, oferecer a circulação por diferentes espaços, conhecimentos, metodologias e a possibilidade de contato e diálogo com outros estudantes, outros saberes, além do desenvolvimento da criatividade e do pensamento crítico.

O avanço educacional, bem como a pluralidade pedagógica, reforça um discurso presente na contemporaneidade: a busca pela diferença e os caminhos possíveis para a formação integral dos estudantes. “Devemos observar, analisar e questionar a organização curricular, a formação docente que contemple a especificidade da proposta pedagógica voltada para a realidade da vida dos alunos a serem preparados para um mundo diversificado”, diz Kazuko Yamauchi, educadora e fundadora da Escola Roberto Norio, localizada em São Paulo.

Kazuko Yamauchi

“A prática educativa não se resume somente na gestão ou nos educadores. É um processo social envolvendo todos os agentes: Professores, Alunos, Pais, Funcionários e Gestores”, complementa Yamauchi.

As transformações embarcam nas instituições de ensino em todos os campos, tanto na área pedagógica como na gestão do ensino, fazendo com que cada escola, sob a ótica de sua identidade singular, compreenda as reais necessidades de seus novos estudantes, redefinindo o repertório de líderes educacionais, seu papel frente à administração, seu relacionamento e convivência com os docentes e os caminhos escolhidos diante de problematizações.

Todos os caminhos, de certa forma, culminam na gestão, intercalando propostas que ajustem todos os núcleos de uma comunidade escolar. “Gestão escolar é um elemento determinante do desempenho de uma escola. Deve ser elo de ligação entre todo o corpo escolar”, reflete Yamauchi. Dessa forma, diante de tantas movimentações e reverberações no âmbito educacional, surge o questionamento: Como garantir a qualidade da gestão em tempos de constantes mudanças?

GESTÃO EM FOCO

“O gestor escolar – seja o diretor ou o coordenador pedagógico – tem um papel fundamental em orientar e acompanhar as ações desenvolvidas em sua escola. É ele que pode mobilizar professores e equipe para o acompanhamento do aprendizado de seus alunos, além de ser responsável por oferecer as melhores condições para que o aprendizado e a experiência escolar dos alunos sejam bons”, afirma a coordenadora de implementação do Itaú Social, Sonia Dias.

A definição de gestão nos remete à um emaranhado de sensações, obrigações, tarefas e decisões. Se observarmos, de maneira sucinta, a gestão engloba particularidades, motivações, diagnósticos, orientações, acompanhamentos e análises centrais para uma melhoria no espaço comum. Além de conduzir estratégias, inspirar novas soluções, valorizar as habilidades dos indivíduos e trabalhar, em conjunto, em prol do mesmo objetivo.

Para o diretor adjunto do Colégio Marista Arquidiocesano de São Paulo, Carlos Dorlass, assim como o mundo mudou, os gestores também mudaram. “Ele deixou de ser apenas inspirador, para também adquirir o viés de líder. O jeito de fazer gestão nos dias atuais é diferente do modelo tradicional. O gestor precisa aprender constantemente”.

De acordo com Dorlass, o gestor é, hoje, um profissional com muitas obrigações (advogado, médico, professor, psicólogo, administrador e, algumas vezes, especialista em tecnologia), ou seja, é um profissional que deve ter uma boa percepção do que está ao seu redor, saber administrar bem os recursos de sua escola, enfrentar os problemas diários sabendo que a palavra final ainda é a dele.

Carlos Dorlass

“A gestão do século XXI considera o seguinte cenário: um mundo em constante transformação, marcado por mudanças que vão desde a invasão dos smartphones até a adoração dos youtubers. Portanto, a gestão do século XXI está atenta ao desenvolvimento de habilidades nos alunos. Estamos tratando de habilidades como criatividade, resolução de problemas, autonomia de aprendizagem, entre outros atributos”, reitera o diretor do Arquidiocesano.

INTERAÇÕES TECNOLÓGICAS

“Estudos feitos na América Latina atestam que a atuação da equipe diretiva é o segundo fator de maior importância no aprendizado dos estudantes. O fator mais importante é, obviamente, a atuação do professor”, indica Fernando Melo, gestor pedagógico da Rede Clarissas Franciscanas (MG). “A liderança e o papel dos gestores são fundamentais para produzir mudanças estruturais na escola, e esse tempo demanda que a escola se movimente”, complementa.

Nesse contexto, a renovação do ensino envolve diversos aspectos culturais e caminhos que, em sua maioria, resultam na importância da comunicação e atualização de escolas diante de uma nova tendência – formar alunos de maneira completa para acompanhar o movimento digital do século XXI.

“Muitas escolas têm adotados boas práticas para a atualização de suas propostas e metodologias. O avanço da tecnologia tem proporcionado às escolas a personalização de suas ações pedagógicas, por meio da análise e síntese dos dados da aprendizagem dos alunos, permitindo a elaboração de itinerários de estudo específicos para a necessidade de cada um. Plataformas educacionais gamificadas, por exemplo, têm sido utilizadas com êxito por muitos educadores”, reflete o gestor.

Segundo Melo, a gestão do conhecimento deve ser orientada para que a escola se torne uma organização que aprende, com seus colaboradores e processos, sobretudo em um contexto em que a mudança é a regra. “A integração dos projetos e dos currículos escolares com a vida real, o fomento ao uso de metodologias ativas que permitem que professores e estudantes estejam conectados e que reformulem o espaço da sala de aula, e a abertura para que as novas tecnologias estimulem experimentação e a cocriação no ambiente escolar são iniciativas que têm mostrado caminhos para a consolidação da escola contemporânea junto a sociedade hiperconectada”.

FORMAÇÃO INTEGRAL

No Colégio Oshiman, localizado em São Paulo, a reflexão sobre o papel da escola na formação das crianças e dos jovens é um exercício diário – e coletivo – que exige competência, comprometimento, sensibilidade e dedicação dos educadores e dos familiares. “Nossa intenção é formar o indivíduo buscando a sua felicidade, pois assim ele semeará a felicidade. E o que é a felicidade? É a autoestima, mas também os limites bem trabalhados”, afirma a diretora Mayumi Madueño.

Colégio Oshiman (SP)

Com uma educação voltada à formação do ser, o objetivo principal não é o resultado, e sim o processo que leva de forma natural a este resultado. O cotidiano dos alunos no colégio é repleto de desafios e conquistas em diversas áreas na busca do desenvolvimento harmônico do intelecto, do emocional e do físico, com ênfase na ética e no respeito às diferenças. Dessa maneira, o Colégio Oshiman oferece uma educação onde o aluno procure ser um agente criativo, sensível e transformador na sociedade.

Segundo a diretora, a formação integral de cada aluno – que ocorre dentro de sua própria individualidade – é uma preocupação de todos, não apenas dos educadores, mas também da coordenação e direção. “O comprometimento da equipe é importante e é conquistado por meio do comportamento dos próprios gestores. Quando a equipe é convocada para trabalhar fora do horário habitual, toda a direção deve estar presente e, se esperamos que sejam flexíveis, multitarefa, a direção também deve ser”, ressalta.

 

Saiba mais:

Carlos Dorlass – [email protected]

Fernando Melo – [email protected]

Mayumi Madueño – [email protected]

Kazuko Yamauchi – [email protected]

Sonia Dias – [email protected]

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