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Guia para Gestores de Escolas

A Prisão dos Bons

As ruas da cidade e a cidadania

 

É visível que o Brasil e os brasileiros passam por uma crise moral. O mundo está cada vez mais estarrecido com a corrupção entre os políticos, empresários e povo em geral, mas, por causa do que? Qual é o percentual de pessoas que já se enriqueceram ilicitamente?        Não posso acreditar que estamos todos envolvidos neste estado de corrupção ativa, em busca de enriquecimento ilícito, acredito que esse número de pessoas é pequeno e não passa de 5% da PEA, e ainda considerando as pessoas corruptas de toda natureza, inclusive quadrilhas que roubam ou assaltam residências e bancos, a quem eu chamo de “pessoas com esperteza ativa”, e penso, qual a razão delas existirem se não pela nossa própria atuação?

É que certamente nós brasileiros “do bem” somos muito pacíficos, muito pacientes, muito inativos e sempre delegamos poder para alguém nos representar, muitas vezes até na reunião de pais e mestres na escola do nosso filho.

Constantemente vejo nos comentários da mídia, que o povo brasileiro não sabe votar…    Será que o problema é esse? Acho que não, pois vejo muita gente dizer: “odeio política”.     Se odiamos a política, relegamos seus cargos e restringimos nossa participação social a uma ociosidade ímpar, aguardando simplesmente a votação obrigatória, momento em que pacífica e condicionadamente escolhemos, em uma relação, alguém que mal conhecemos para nos representar; Atitude insuficiente para melhorar nossa sociedade e a “classe política”; Para exemplificar melhor essa relação vou citar Eliseu Rigonatti (2001) que diz não ser suficiente não praticar o mal, é necessário a pratica do bem, no limite das nossas forças para não chorar o mal que aconteceu por causa do bem que não fizemos, e ele continua:

“… é necessário lutar com os que lutam, trabalhar      com os que trabalham, saber ouvir e de tudo tirar ensinamentos…” 

 O trabalho voluntário

   A inatividade de um povo em termos de participação política é representada por uma ausência de interesse pelo trabalho voluntário filantrópico em quaisquer serviços do terceiro setor;          Não estamos acostumados a sair da nossa “casa cadeia” para um trabalho que beneficie o social e o coletivo, na vila ou na cidade onde residimos.             Votamos e acabou-se, por ai cessa nossa contribuição cívica, caímos na ociosidade, voltamos para nossa “casa-cadeia” e para o nosso “mórbido-sofá” a fim de assistir durante quatro anos pela televisão aos desmandos políticos dos eleitos.          Assim, não é que não sabemos votar, não sabemos é viver participativamente.

As ruas da nossa cidade são para os cidadãos de bem, entretanto ao agirmos dessa forma, saímos das ruas e as deixamos para aquelas “pessoas com esperteza ativa”, que não se fazem de rogadas e lá se instalam para nos espreitar, nos espionar, como verdadeiros agentes penitenciários sem a indicação governamental.      O mais interessante nessa elucubração é que nós mesmos compramos os ferros e construímos as grades da nossa “casa-cadeia”… A prisão dos bons.

Não vou escrever por ora nesse artigo sobre os enormes benefícios do trabalho voluntário, cujo salário é a felicidade e a alegria, tão almejadas por todos, em virtude da satisfação redundante de sua extrema utilidade.             Escreverei outro artigo oportunamente, inclusive sobre as vantagens de oportunizar pequenos trabalhos voluntários aos jovens do ensino médio e outras crianças com altas habilidades dentro da escola, afim de melhoria da auto-estima e evitar a indisciplina agressiva.

A escola prisão

 Nos tempos atuais há muitas pessoas que se importam quase que exclusivamente com seu trabalho profissional, muitos nem conhecem a escola por dentro, não acompanham as atividades escolares de seus filhos, não frenquentam as reuniões, e nem conhece o que a escola oferece nos finais de semana, gerando mau exemplo às crianças que estão sempre a nos observar, assim como aquelas “pessoas com esperteza ativa”.

Relendo alguns assuntos de Michel Foucault (2003), a escola se configura como um ambiente parecido com uma prisão em sua disposição física, seus mecanismos de disciplinarização, sua organização hierárquica e sua vigilância constante.

Desde os tempos da província que a escola se mantém quase a mesma. Ainda hoje construímos seus prédios á semelhança das penitenciárias: Classes distribuídas lado a lado sem nenhuma comunicação, grandes nas janelas, refeitório comunitário, muros altos e com grades, portões sem nenhuma visibilidade com o lado externo à escola. Horários rígidos para entrar e sair, todos entram nas salas superlotadas, com as carteiras enfileiradas de onde não podem sair até a hora de um intervalo, também monitorado, este controle aliado a outras regulamentações forma um sistema punitivo com os dispositivos disciplinares que fazem funcionar a formação da “docilidade” na participação social, não temos mais os jovens tão participativos como tínhamos na UNE.

Para Foucault (1977):

“A disciplina aumenta as forças do corpo (em termos econômicos de utilidade) e diminui essas mesmas forças (em termos políticos de obediência).”

Nessa perspectiva para Kruppa:

“(…) o poder e o saber produzidos pelas normas disciplinares  são fundamentais para a organização burocrática. Em uma sociedade de instituições burocratizadas como a nossa, o poder disciplinar se desenvolve em todo tecido social”.

Concluindo, percebemos que por um lado nossa ociosidade em termos de ausência de um trabalho voluntário filantrópico produz esse estado de corrupção latente, incentiva essas “pessoas com esperteza ativa” a se apropriarem dos cargos políticos e ocupar as ruas vazias da cidade;  Por outro lado fomos formados na mesma escola que citamos acima, tendo como preceitos esse jeito dócil de comportamento social e nossas crianças estão tendo a mesma formação, a perspectiva é da manutenção do status quo.     Para quebrar esse paradigma, da prisão dos bons – escola e residência – é preciso pensar em ocupação dos espaços públicos com trabalho social; É interessante frisar que estamos muito preocupados em adquirir um local pra morar, em contra partida deixamos as vias públicas e as instituições que são propriedades legítimas do cidadão, ao acaso, para depois reclamarmos a falta de segurança. Avante! Nosso tempo voa, tome decisão saindo da ociosidade para a utilidade.

PENSEMOS NISSO!

dalaquaAntonio Luiz Dallaqua professor PEB I, efetivo da Rede Estadual, leciona na E.E.Profª Philomena Baylão na DIR Norte2.  Formado em pedagogia pela Fundação Santo André e possui cursos sobre alfabetização em Língua Portuguesa e alfabetização matemática.  Bacharel em Ciências Contábeis pelo Instituto de Ensino Superior Santo André.

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