Guia para Gestores de Escolas

Alimentação saudável: Comer bem também se aprende na escola?

Colégio na Grande São Paulo lança projeto de alimentação saudável e estímulo a degustações para apoiar as famílias na criação de bons hábitos

A Escola Castanheiras, escola democrática localizada em Santana do Parnaíba (Grande São Paulo) é um exemplo de que dentro da escola o aprendizado tem de ser em todas as áreas. E isso vale também para a alimentação. Dentro de seu projeto “Comer Bem”, a Castanheiras definiu como sua missão “melhorar a alimentação na escola, desenvolver a educação nutricional, apoiar e favorecer sistemas alimentares sustentáveis, criando um programa de educação focado na compreensão das relações entre comida, cultura, saúde e meio ambiente.”

Em todas as refeições os ingredientes são de excelente qualidade e com opção de orgânicos. Mais do que isso, fica clara  a preocupação em capacitar bem os funcionários e de ter uma estrutura que ajuda no preparo dos alimentos.

Neste aspecto, algumas ações práticas vão muito além do óbvio e impactam na vida de todos os seus alunos. Abaixo algumas delas:

  • Todos os alunos participam da plantação da horta orgânica – de onde saem muito dos alimentos que são servidos.
  • São realizadas para os pequenos rodas de conversa com os temas: “de onde vem nossa comida”; “como é produzida?”;  “quais as relações entre a comida, nossa saúde e o meio ambiente”?
  • Lancheira saudável: As turmas de Fundamental 1 (1o, 2o e 3o anos) podem pedir o preparo da lancheira diária pela escola. Os lanches são preparados diariamente e entregues na sala de aula. São compostos por um líquido  (suco natural, chá de cidreira natural, achocolatado caseiro, água de coco, iogurte), uma fruta da estação e um lanche (pão integral, bolos caseiros) . Alguns dias vêm itens “fora da ordem do dia” para eles degustarem, como algas, babaganush e homus por exemplo
  •  Exemplos de cardápio da lancheira: 1) Suco de melancia, milho na espiga e mexerica. 2) Chá de cidreira; bolo integral de cenoura e uva. 3) Achocolatado caseiro, torrada de pão com mel e mamão.  Uma vez por semana estes alunos menores (Fund) 1 vivenciam o dia da cantina, que tem como objetivo orientação-los e incentivar boas escolhas alimentares.
  • Já para os alunos do 4o e 5o anos e alunos do Ensino Médio, são oferecidos os lanches na cantina da escola, no estilo self-service. Um exemplo de cardápio do dia: chá de cidreira, suco de laranja, muffin de banana com aveia, espiga de milho, uva, melão.
  • forno combinado digital adquirido recentemente, onde os alimentos são preparados utilizando ar quente e vapor, dispensando o uso de óleo.
  • Outras mudanças que a escola implantou no sentido de melhorar a relação com o alimento são: O uso de molho de tomate pronto é proibido – usam apenas os feitos na escola; a margarina foi substituída pela manteiga; chocolate na escola, só se for o orgânico; açúcar só entra o demeraranão há caldos industrializados etc. A maioria das frutas e legumes são orgânicos (só aqueles que logisticamente não se consegue comprar e manter em quantidade é que não são). Os pães são em sua maioria caseiros.
  • A nutricionista da escola prepara uma degustação mensal para incentivar a experimentação de novos sabores. Em uma recente, o cardápio foi homus de feijão branco, couve de bruxelas ao molho de ervas, palmito pupunha em espaguete, abobrinha assada com parmesão, risoto de alho poró com gorgonzola e de sobremesa torta de maçã e jabuticaba.

 

Visão de uma especialista

Para a nutricionista especializada em introdução alimentar e alimentação infantil Camila Alves, na correria do dia a dia, os lanches da escola acabam não ganhando muita atenção. Porém, é importante lembrar que o lanche escolar não pode ser sinônimo de besteira. Isso porque é o lanche que a criança come cinco vezes na semana, é a construção de um hábito. A nutricionista considera fundamental que escolas adotem projetos de  promoção da saúde e de incentivo da criação de bons hábitos alimentares e conscientização sobre a importância de uma alimentação saudável desde cedo.

“Crianças que não se alimentam adequadamente e que consomem muitos alimentos industrializados com excesso de gorduras, sódio, alto teor de açúcar, bem como o baixo consumo de frutas e hortaliças correm o risco de desenvolver doenças crônicas como diabetes, obesidade, hipertensão entre outras”, diz Camila.

Segundo ela, o lanche saudável representa uma mudança de hábito necessária para evitar a obesidade infanto-juvenil, prevenindo também o surgimento do diabetes tipo 2 nos adolescentes. “Esse incentivo à boa alimentação que o projeto traz reflete não só na qualidade de vida da criança como também no seu aprendizado, melhorando o seu desempenho escolar, como muitas pesquisas vêm demonstrando”, completa.

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