Guia para Gestores de Escolas

Arquitetura: Novas perspectivas

A contemporaneidade evidencia um conjunto heterogêneo de reflexões, desdobramentos, alternativas e novos olhares sobre a nossa realidade. Nesse sentido, avistamos estudos e ações práticas que propõem reformulações, adaptações e inovações – sobretudo no que tange os elementos da infraestrutura. Nas últimas décadas, mudanças contínuas despontaram no segmento educacional, especialmente em novas perspectivas arquitetônicas.

“Há uma relação profunda entre a proposta pedagógica, a organização da escola e o seu espaço físico. Os três aspectos têm uma grande influência entre si”, diz a docente do curso de Arquitetura e Urbanismo do Centro Universitário Newton, Márcia Augusta Pereira. Há uma grande discussão, diz Márcia, acontecendo entre educadores, arquitetos e pessoas interessadas sobre quais são as necessidades atuais. Tendo a arquitetura escolar no centro dessas discussões, o movimento de repensar uma infraestrutura, com o objetivo de se adaptar a novos tempos, representa uma atenção às urgências e necessidades mutáveis e flexíveis que os estudantes do século XXI anseiam. “A arquitetura, portanto, precisa proporcionar espaços que tornem essas experiências possíveis, espaços saudáveis, generosos e que facilitem a proposta pedagógica escolhida pela escola a que ela atende”, completa a docente.

ESPAÇO FÍSICO FLEXÍVEL

Interação, flexibilidade, movimentação e adaptação são elementos facilmente encontrados na Wish School (SP). Para Andressa Lutiano, sócia-fundadora e diretora da instituição, a arquitetura escolar pode funcionar como uma metáfora da metodologia de educação.

Assim, a premissa da Wish “é que os espaços sejam tão flexíveis quanto nossa proposta pedagógica; tão adaptáveis às necessidades do indivíduo quanto a metodologia. Temos, portanto, a ideia de que é o espaço que deve se adaptar às pessoas, e não o contrário. Para mim, abertura, flexibilidade e personalização são chaves de metodologias ativas, e para as demandas relacionadas às ideias de educação para o século XXI”, ressalta a diretora.

No intuito de manter um espaço físico diferenciado, em 2021, com o início das turmas do Ensino Médio e a inauguração da Wish21 (projeto baseado nos conceitos de projetos de vida e aprendizagem autodigirida), a instituição agregará à sua estrutura novos e amplos espaços que servirão a diferentes funções. “Por exemplo, um espaço mais voltado para o corpo e outro para o maker, com um grande ateliê. Mas todos integrados. As novas paredes também se moverão, e procuramos aproveitar todos os cantos para a criação de espaços”, conta Andressa.

“Agregado à atual estrutura, esse novo espaço irá reforçar as ideias de autonomia e personalização como chaves para a aprendizagem, e esperamos que isso se reflita em todos os âmbitos: na organização da nossa rotina, na divisão do nosso tempo, no conceito de transdisciplinaridade e também na construção, formatação e utilização do próprio espaço físico”, completa a diretora.

INTERAÇÃO E PROTAGONISMO

Localizado na região norte de São Paulo, o Colégio Dom Bosco prepara, para 2021, novos espaços projetados para a educação do futuro. Atenta a uma arquitetura inovadora, a instituição promoverá espaços colaborativos, com metodologias ativas, autonomia e protagonismo dos estudantes, com o intuito de transformar a experiência de aprendizagem dos alunos.

“O espaço de aprendizagem, hoje, não é mais a sala de aula com carteiras, mas amplos espaços com puffs, sofás, cadeiras e mesas móveis, que possibilitam a formação de grupos de trabalhos, deem acesso à tecnologia, que propiciem o acolhimento de pequenos e grandes equipes”, conta Ana Paula N. Cabral Nascimento, coordenadora pedagógica geral do colégio. Dessa forma, a aliança entre metodologias ativas e novas perspectivas arquitetônicas, aproxima a escola, cada vez mais, das competências e das habilidades necessárias na contemporaneidade.

“O Colégio Dom Bosco, sempre à frente de seu tempo, continuamente, investe na inovação – tem um olhar apurado para ir além do básico, e com uma busca constante em sua excelência. Para nós, era um fato de que a maneira de ensinar e aprender iria mudar e não demoraria muito mais tempo. Na ocasião da aquisição do novo prédio, no final de 2019, já se projetava uma estrutura diferenciada com a flexibilidade e versatilidade que o espaço nos permite fazer, desde não ter paredes e divisórias até os móveis com rodinhas e de fácil movimentação, pensamos na utilização do espaço por vários grupos ao mesmo tempo, permitindo maior troca e autonomia, assim, vislumbramos um espaço bem diferenciado. Acredite, isso tudo foi pensado antes da pandemia”, destaca Ana Paula.

Na prática, conta a coordenadora, com as inovações e as propostas de novos espaços, os alunos terão mais envolvimento e autonomia com o conhecimento, além de estimular o aprendizado com estratégias didáticas diferentes (rotação de estações, rotação individual, aula invertida, entre outras), com projetos interdisciplinares e colaborativos.

Questionada se a pandemia evidenciou algumas reflexões sobre diversas características na educação, inclusive sobre o espaço físico e seu aproveitamento, Ana Paula ressalta: “Com certeza. Salas amplas, flexíveis em sua organização é uma realidade em muitos lugares, mas no Brasil precisamos de uma pandemia para mostrar que temos que olhar de outra maneira para o processo de ensino-aprendizagem”.

“As gerações estão vindo com outras necessidades e precisamos acompanhar as mudanças. Em palestras sobre educação, anteriores à pandemia, o que mais se ouvia era a fala de que usamos sala do século XIX, com professores do século XX e alunos do século XXI, retrato exato da reflexão que vem sendo feita e da necessidade de adequação arquitetônica e das metodologias ativas para desenvolver as competências necessárias para o século XXI”, completa a coordenadora. (RP)

Saiba mais:
Andressa Lutiano – [email protected]
Ana Paula N. Cabral Nascimento – [email protected] 
Márcia Augusta Pereira – [email protected]

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