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Guia para Gestores de Escolas

Até que ponto a educação bilíngue pode alterar a percepção de mundo do seu filho?

por Carla Probst

Estimular o aprendizado de inglês desde a infância tem despertado cada vez mais a atenção dos pais. Muito se discute acerca dos benefícios desse incentivo, mas pouco se alerta sobre os efeitos decorrentes dele. Preocupados em assegurar uma educação que vai além daquilo trabalhado no modelo convencional de ensino, os pais podem, em alguns casos, deixar escapar detalhes importantes. Atentas a esse cenário, há escolas que garantem fornecer certo nível de fluência ou mesmo proficiência no idioma sem sequer especificar as referências seguidas para isso. Inglês avançado com base em qual parâmetro? Há ainda instituições que se autonomeiam bilíngues e dispensam, por conta própria, a apresentação de certificados que validem esse ensino.

Quando o assunto é educação bilíngue, a precaução deve ser ainda maior, já que a confusão começa com os próprios termos comuns a esse universo, como escola bilíngue, internacional ou com programa bilíngue. Em tese, escola bilíngue é aquela que engloba, necessariamente e de maneira integrada, o ensino do inglês e do português. Escolas internacionais, por outro lado, trazem outros idiomas na grade, como francês e alemão, além de seguirem os moldes europeu e americano, o que resulta em uma série de mudanças na rotina dos alunos, como a adição de um ano ao ensino médio.

Nas escolas internacionais –  validadas pelo International Baccalaureate -, a perspectiva holística se estende a todas as disciplinas. Um dos exemplos que ilustra essa composição menos restritiva é o módulo de serviço social, que, em algumas instituições, sugere o desenvolvimento de ações junto à comunidade para criar um senso de solidariedade mais cristalizado entre os estudantes. O objetivo é nítido: formar cidadãos íntegros e engajados em causas de cunho social. Para isso, também compõem o currículo disciplinas como o estudo filosófico do homem, que, ao lado das demais, é ministrada em tom instigante, provocando a reflexão, a criatividade e o pensamento crítico.

Os métodos de avaliação também são mais mensuráveis. No lugar de exames de múltipla escolha, as provas são discursivas e em inglês, combinação que vale para as cinco áreas do conhecimento. Ao final do curso, além de apresentarem o portfólio com as atividades extracurriculares realizadas ao longo dos anos, os alunos escolhem um tema original e com o qual tenham afinidade para redigir e apresentar uma monografia.

Essas são apenas algumas propostas comuns em escolas internacionais e distantes daquilo sugerido por entidades com apenas programas bilíngues. Estas, por sua vez, incluem disciplinas não essenciais ao currículo brasileiro – como artes e educação física – e as ministra em inglês. Trata-se de um contra turno com mais horas de ensino em inglês, diferencial que, isoladamente, não inspira a visão crítica ou o debate de ideias.

Das famílias, deve partir uma compreensão plena daquilo que se projeta para o futuro dos filhos. Se a ideia é mantê-lo em contato com o inglês desde a infância sem maiores pretensões, escolas com programas bilíngues dão conta. Caso exista a pretensão de promover um contato mais direto e com acesso à cultura do país da língua ensinada, por exemplo, vale escolher uma escola certificada do idioma. Aos que almejam preparar as crianças para migrarem entre vários idiomas e lidarem com os desafios do mundo globalizado, escolas internacionais são a melhor opção. Qualquer que seja a escolha, é preciso sempre questionar as diretrizes e referências seguidas pela escola, evitando decepções de qualquer ordem.

*Carla Probst é gerente dos exames de Cambridge da Cultura Inglesa de Curitiba e especialista em avaliação para crianças.

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