Aulas imersivas: Recursos tecnológicos no processo de aprendizagem
As ferramentas tecnológicas e suas múltiplas funcionalidades já fazem parte do cotidiano da sociedade e, nas escolas, essa presença se tornou ainda mais evidente na atualidade. No cotidiano escolar, essa aproximação entre tecnologia e pedagogia abre novas possibilidades para o processo de ensino e aprendizagem. Quando utilizada de maneira planejada e com intencionalidade pedagógica, a tecnologia pode ampliar experiências, estimular a participação e favorecer propostas mais interativas, dinâmicas e imersivas.
EXPERIÊNCIAS IMERSIVAS
Renato da Silva Oliveira, empresário do setor, destaca que as experiências educacionais imersivas podem ser viabilizadas com a Realidade Virtual (RV) e a Realidade Aumentada (RA), sendo experienciadas tanto individualmente, com a utilização de óculos VR, como em ambientes de imersão coletivos, como os planetários.
“Enquanto as experiências individualizadas prestam-se mais à apreensão de conhecimento (estudar pode ser um processo individual ou coletivo, mas aprender é um processo solitário e subjetivo), as experiências coletivas podem ser exploradas por seus potenciais motivacionais e para aumentar o engajamento (planetários são ambientes não formais extremamente lúdicos e envolventes)”, explica Oliveira.
No panorama de possibilidades de recursos imersivos, a gameficação, segundo o empresário, pode ser eficaz em processos educacionais, já que criam situações nas quais competências e habilidades específicas podem ser colocadas à prova, de maneira que pode ser simultaneamente competitiva e colaborativa.
INSERÇÃO NO COTIDIANO ESCOLAR
Nas escolas, quaisquer implementações indicadas acima são possíveis e viáveis, e a escolha por uma ou outra envolve necessariamente a adequação ao projeto pedagógico com a integração ao currículo, além de criteriosa avaliação de custos/benefícios. Na prática, mais do que incorporar ferramentas, trata-se de compreender como elas podem contribuir, de forma significativa, para os diferentes processos que acontecem dentro da escola.
De acordo com o empresário, algumas observações são importantes para se atentar ao processo de implementação dos recursos. “Além de ultrapassar as questões relacionadas ao financiamento das implementações materiais, com infraestrutura e equipamentos, é fundamental considerar um necessário investimento em qualificação técnica do pessoal, tanto discente como, principalmente, docente”, diz Oliveira. “Então, possivelmente, qualquer implementação terá que ocorrer de maneira gradual (trocar o pneu da bicicleta com ela andando) e com capacitação prévia e, depois, contínua dos envolvidos”, complementa. (RP)
– Como esse modelo de ensino, utilizando recursos digitais, difere das aulas expositivas tradicionais e quais são os seus pontos positivos para o processo de aprendizagem?
Dependendo de como é implementado, o ensino com recursos digitais pode ser muito semelhante às aulas expositivas tradicionais. Ele pode diferir bastante na adaptabilidade e na individualização do aprendizado, quando personalizado para cada aluno, o que pode ser potencializado pela utilização de IA sempre que possível. Algumas vantagens desse ensino mais individualizados estão na adaptação da velocidade e ritmo de aprendizagem, na interação e “retroalimentação” contínua e no uso em locais e horários diversos (o que potencializa muito a EAD). É importante ter em vista algumas de suas desvantagens, que podem e devem sempre suplementadas, e que estão, entre outras, na menor sociabilidade, na falta de rumo dado por professores ou monitores (os alunos têm que decidir constantemente) e na necessidade de maior autodisciplina, tanto para cumprir metas como para não se perder no mar de possibilidades oferecidas a todo tempo pelos sistemas digitais.
– Podemos afirmar que os recursos tecnológicos podem contribuir para uma educação mais inclusiva e personalizada?
Sim, sem dúvida. Entretanto, o uso de recursos tecnológicos de ponta não garante que tenham eficácia. É fundamental o planejamento e a prévia adequação desses recursos ao projeto pedagógico e ao currículo da instituição, assim com a formatação de sua utilização efetiva de maneira testada e de eficácia conhecida.
Saiba mais:
Renato da Silva Oliveira – [email protected]

