Guia para Gestores de Escolas

BNCC, Cultura Digital e o ensino de Ciência da Computação como disciplina obrigatória

Em 1967, Papert criou a linguagem de programação LOGO, com a qual a criança ensinava uma tartaruga a desenhar algo por meio de comandos, adotada em diversas escolas no Brasil e no mundo. Na década de 90, a simpática tartaruga desapareceu das escolas em função da popularização das interfaces gráficas, dos editores de imagens e dos programas multimídia.

Atualmente, com a tecnologia dominando e controlando todo nosso cotidiano, e com a ascensão de softwares cada vez mais intuitivos que não dependem mais de cursos especializados para aprender a operar, bem como a escassez de mão de obra qualificada no mercado de tecnologia, surgiu novamente a necessidade de ensinar Ciência da Computação nas escolas de ensino Infantil, Fundamental e Médio.

Em 2012, com o projeto ProgeTiger, a Estônia foi o primeiro país a adotar a disciplina de Ciência da Computação como obrigatória para alunos a partir dos 7 anos. Hoje, esse país tem um forte ensino com base tecnológica, fazendo com que seja referência em tecnologia no mundo. Lembrando que a Estônia é uma das primeiras colocadas no ranking do PISA – assim como Finlândia, Japão e Singapura – e todos esses países estão adotando o ensino de tecnologia por meio do ensino de Ciência da Computação e metodologias inovadoras como o ensino híbrido.

Agora, diversos países de Primeiro Mundo, seguidos principalmente pelo Reino Unido, estão criando políticas públicas para inserir a disciplina de Ciência da Computação na grade do ensino básico. Em menos de dez anos, teremos todas as escolas do mundo ensinando esta importante disciplina, assim como ensinam Matemática e Ciências.

No Brasil, vemos os primeiros passos desta tendência presentes na BNCC (Base Nacional Curricular Comum), baseada em padrões internacionais, como o framework da CSTA (Computer Science Teachers Association), para criar a competência de Cultura Digital. Em sua terceira versão, mais madura e melhor estruturada, podemos dizer que agora as coisas começarão a fluir mais rapidamente. Com a competência Cultura Digital, na qual há um significativo aumento da aprendizagem de computação pelos alunos, verificam-se aprendizagens de linguagens de programação, escrita e desenvolvimento de algoritmos, análise de dados, utilização de classes, métodos, funções e parâmetros para dividir e resolver problemas, sendo a maioria desses inseridos dentro dos componentes curriculares de Matemática e Ciências.

E a melhor notícia ainda é que as escolas do mundo todo podem adotar a disciplina de Ciência da Computação, tendo como base o ensino híbrido, usando a plataforma CS Plus, que engloba não somente a BNCC, mas também o framework da CSTA, sendo o sistema de ensino mais completo do mundo neste segmento.

E engana-se quem supõe que aprender computação serve somente para ter mais facilidade com o mundo da tecnologia ou seguir carreira na área. A disciplina de Ciência da Computação trabalha diversas habilidades, entre elas: criatividade, curiosidade, raciocínio lógico, resolução de problemas complexos, criticidade, reflexão, interpretação, pensamento sistêmico e computacional, foco e concentração, autodidatismo, interação, entre outros.

A pergunta que fica, agora, não é SE a sua escola irá adotar Ciência da Computação como disciplina obrigatória, mas QUANDO. Afinal, segundo especialistas do mundo todo, aprender a programar no século XXI é tão importante quanto aprender a ler e escrever foram no século XX.

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