Guia para Gestores de Escolas

“BNCC será um motor de desenvolvimento para escolas, inclusive um diferencial de mercado”, ressalta diretor de ensino em entrevista

Por Rafael Pinheiro

Homologada no final de 2017, a Base Nacional Comum Curricular demonstrou, em sua trajetória, intensos debates, alterações e reverberações em toda a estrutura da Educação Infantil e Ensino Fundamental – etapas que compreendem o documento da BNCC. Na apresentação do documento, assinado por Mendonça Filho, Ministro da Educação na época, com a homologação da BNCC, “o Brasil inicia uma nova era na educação brasileira e se alinha aos melhores e mais qualificados sistemas educacionais do mundo”.

Estruturada em 10 competências gerais da educação básica, em termos gerais a BNCC “é um documento normativo que define as aprendizagens essenciais de crianças e jovens ao longo da Educação Básica. BNCC não é currículo, é, na verdade, uma bússola para se garantir um ensino da educação básica com equidade”, explica Ademar Celedônio, Diretor de Ensino e Inovações Educacionais do SAS.

Para compreender alguns desdobramentos da implementação da Base, sobretudo nas interferências cotidianas escolares – tanto para gestores/as como para a área pedagógica – conversamos com Ademar Celedônio, que ressaltou: “BNCC vai ser um motor de desenvolvimento para escolas, inclusive um diferencial de mercado. Quem não imergir logo vai ficar para trás e ver outras escolas obtendo mais sucesso”. Confira abaixo a matéria completa:

Ademar Celedônio, Diretor de Ensino e Inovações Educacionais do SAS.

Direcional Escolas: Na contemporaneidade, com tantas modificações socioculturais, é possível verificar na educação, sobretudo no desenvolvimento da BNCC, uma implementação linear e horizontal na cultura escolar de todo o país… esse projeto de Base trará resultados significativos em um futuro próximo?
Ademar Celedônio: A Base traz o ensino espiralado, ou seja, um mesmo conteúdo é visto em diversas etapas da vida escolar, mas com abordagens diferentes, aumentando o grau de profundidade a cada ano. Isso significa que os alunos poderão sempre ver e rever conteúdos imprescindíveis para o seu dia a dia e entender a importância deles de forma adequada. É bem dizer a seguinte lógica: Hoje eu sei até aqui, pois é isso que me interessa… amanhã, aprenderei um pouco mais. Com o tempo, tanto alunos quanto professores poderão perceber a importância do enxugamento e o seu consequente aprofundamento. O ensino e o estudo farão muito mais sentido.

Direcional Escolas: Em sua ótica, a ideia da BNCC é positiva para esse processo atual da educação?
Ademar Celedônio: Com certeza. Há anos os principais índices educacionais brasileiros estão estagnados, o resultado do Brasil no PISA não avança e as escolas se transformaram em campos de aprovação em vestibulares. Com a Base, o ensino será mais direcionado. O aluno verá menos conteúdos do que vê hoje em sala de aula, o que possibilitará uma abordagem mais aprofundada, assertiva. Dessa forma, o aluno poderá ver mais sentido naquilo que está estudando. Hoje ele estuda N assuntos de Matemática. Com a Base, ele estudará, por exemplo, matemática financeira e perceber sua função para o dia a dia. Alguns conteúdos continuam lá, mas com a possibilidade de serem vistos de outra forma. Além disso, a Base fortalece o desenvolvimento de competências para o século XXI e de habilidades socioemocionais, para que os alunos deixem de ser receptores de conteúdo e sejam agentes ativos no meio em que vivem.

Direcional Escolas: Quais são as principais competências propostas pela base?
Ademar Celedônio: A BNCC elaborou 10 competências gerais para que os alunos desenvolvam ao longo de sua vida escolar e que serão indispensáveis para o convívio social durante toda a sua vida. Dentre elas, vale a pena ressaltar aquelas que trazem a cultura digital como importante elemento na formação do aluno.
A competência número 5 diz o seguinte: “Compreender, utilizar e criar tecnologias digitais de informação e comunicação de forma crítica, significativa, reflexiva e ética nas diversas práticas sociais (incluindo as escolares) para se comunicar, acessar e disseminar informações, produzir conhecimentos, resolver problemas e exercer protagonismo e autoria na vida pessoal e coletiva”.
Ela quer dizer que o aluno deve estar inserido em um meio digital para fortalecer a sua interação com o meio e levar à percepção de que tecnologia e educação podem estar atreladas, uma ajudando a potencializar a outra. E essa percepção vai além da que o aluno deve ter. Professores, gestores escolares e pais precisam entender a tecnologia não como acessório em sala de aula ou objeto de entretenimento, mas como ferramenta de desenvolvimento.

Direcional Escolas: Qual o papel das escolas perante a BNCC? Como colocar em prática as principais mudanças da Educação Infantil ao Ensino Fundamental?
Ademar Celedônio: As escolas devem agir como agentes de formação. Após aprovada, cabe aos gestores escolares (diretores, coordenadores, supervisores) promover formações incialmente para seu corpo docente para que eles entendam cada tópico da Base. A leitura da Base na íntegra é imprescindível para gestores escolares e, para os professores, os documentes referentes a suas áreas, bem como os documentos que a antecederam, como o parecer do Conselho Nacional de Educação.
Após estar com a formação dos professores bem adiantada, deve-se promover momentos com os alunos e com os pais para explicar o que é esse documento, o que ele significa para a educação, para a escola, seus benefícios e desafios que todos, juntos, deverão ter. A escola tem, nesse momento, principalmente um papel de formação.

Direcional Escolas: Pensando em gestores/as escolares, quais serão suas ações para a implementação completa da base em sua instituição?
Ademar Celedônio: Uma sugestão de implementação é que os gestores, antes de qualquer ação, entendam o documento para pensar as melhores ações junto ao seu corpo docente. Feito isso, eles podem promover momentos com professores, preferencialmente de forma individualizada, para que se tenha mais profundidade no estudo da Base. Por exemplo, promover rodas de estudo com professores da Educação Infantil; em seguida, com professores do Fundamental, mas apenas da área de Linguagens, depois com os de Matemática, e assim em diante.
Outro ponto diz respeito ao material didático. É importante que os gestores escolham materiais didáticos que já estejam em conformidade com a Base. Poucas são as editoras e sistemas de ensino que já estão adaptando seus materiais para que já em 2019 eles cheguem nas mãos dos alunos alinhados ao documento. Nós do SAS, por exemplo, já buscamos reformular as obras da Educação Infantil ao Ensino Fundamental – Anos finais para que os alunos tenham esse contato logo no primeiro ano de implementação da Base. Dessa forma, eles já estudarão baseados nas competências gerais indicadas no documento e passarão a ter um novo olhar sobre a forma de aprender.

Direcional Escolas: Você acredita que todas as instituições de ensino estão preparadas para receber/implementar as competências da base?
Ademar Celedônio: Há escolas que ainda são resistentes ao que se propõe no documento por discordar de alguns pontos. Há ainda a sensação de que a Base não vai pegar, assim como aconteceu no ENEM, 10 anos atrás, quando ele passou a ser o principal meio de entrada para a universidade. Por conta dessa descrença, há escolas que vão ficar atrás na corrida. BNCC vai ser um motor de desenvolvimento para escolas, inclusive um diferencial de mercado. Quem não imergir logo vai ficar para trás e ver outras escolas obtendo mais sucesso.

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Para visualizar o documento completo da BNCC, acesse: http://basenacionalcomum.mec.gov.br/

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