fbpx
Guia para Gestores de Escolas

Cenário educacional para 2018

 Macroeconomia e política: ninguém se atreve a prever o futuro.       É na época de incertezas que ocorrem os maiores gaps de sucesso e fracasso entre empresas que atuam no mesmo nicho de mercado, como o ocorrido com as escolas no ano passado.

As empresas mais equilibradas na tríade: financeiro – serviço – comercial e com melhor gestão tendem a se apropriar do mercado das menos preparadas para enfrentar a instabilidade econômica, com clientes mais sensíveis emocional e economicamente. A única perspectiva certa é que teremos um cenário instável por muito tempo.

 

Financeiro Serviço Comercial
– Saúde financeira: acompanhar os custos de perto;

– Investir com sabedoria;

– Gestão da inadimplência.

– Ficar próximo do cliente: ouvir seus anseios e resolver imediatamente os problemas;

– Lutar até o fim para não perder o cliente: não confunda humilhação com valorização.

– Uma instituição de ensino não é um shopping center. Ninguém procura uma escola sem a real necessidade de matricular seu filho.

Quando uma prospecção não se transforma em cliente, assuma a responsabilidade e verifique o que deu errado.

Gestão
– Monitore o tempo todo;

– Faça as reuniões de checklist semanais;

– Crie a cultura da organização através das imagens mentais.

 

A situação atual necessita de preocupação e não de desespero. Nós empresários estamos acostumados com crises a vida toda. Só para relembrar, a hiperinflação da década de 1980, o Plano Collor no início da década de 1990 que ficou marcada por um profundo momento de recessão econômica, e o Plano Real que estabilizou a economia com um custo muito alto: a estagnação da economia por 10 anos.

Depois vivemos um período de crescimento com o fortalecimento do mercado interno, principalmente no primeiro mandato do governo Lula, e voltamos à recessão com a gestão da ex-presidente Dilma. Portanto, vivemos em crise desde a época de D. Pedro I, quando o Brasil vivia uma profunda crise econômica, as exportações de açúcar estavam em baixa e o governo foi obrigado a fazer empréstimos na Inglaterra para indenizar Portugal pela Independência e financiar a Guerra da Cisplatina. Sugiro nos prepararmos para um cenário igual ao de 2016, e o que vier será lucro.

 

Tendência de aumento do número de desistências: Presenciamos na última alta sazonalidade um aumento significativo das desistências. Uma parcela das pessoas possui motivos reais para reconsiderar a efetivação da matrícula, como a perda de emprego e mudança repentina de endereço.

Porém, algumas famílias, mesmo podendo permanecer na escola, alegaram receber propostas de descontos mais significativos, conseguiram vaga em escola pública, precisaram cortar custos (sensação de perda de poder de compra) ou mudaram de opinião, pois o aluno ficou triste que seu amigo sairá da escola.

Percebi que o número de desistência não está atrelado à data de abertura das rematrículas, isto é, esse fenômeno acontece independente da escola antecipar ou não o lançamento das rematrículas. Para reduzir a incidência de desistência, a instituição deve tomar os seguintes cuidados:

 

– Segundo o advogado especialista em direito educacional Célio Müller (www.mullermartin.com.br) é importante enfatizar e fazer valer a cláusula de desistência descrita no contrato educacional. Em caso de desistência antes do início das aulas, cobrar uma multa de até 30% do valor adiantado na primeira parcela (matrícula). Após o início do período letivo, não devolver os valores que foram pagos. Essas condições e a perda do desconto deverão constar em cláusulas expressas do contrato e dos aditivos, assim como a eventual perda de desconto promocional.

– Lutar para não perder o cliente – Agendar uma reunião e tentar resolver o problema dentro das possibilidades da instituição.

– Lançar um projeto, atividade ou ação que tenha início no final do ano e termine somente no 1º bimestre do ano seguinte.

 

Política de reajuste: Segundo as leis vigentes no país, o valor da anuidade para o ano seguinte deverá ser igual à última parcela do ano anterior, mais a composição do aumento salarial dos colaboradores, a inflação do ano e o repasse da implantação de melhorias no ensino, como a modernização das salas de aula, bibliotecas, laboratórios, quadras e nova infraestrutura.

A previsão anual do IPCA ficará em torno de 4,3% e o reajuste salarial dos professores para 2016 foi em torno de 6% (Brasil), abaixo dos 10% de reajuste das mensalidades. Por isso, para o próximo ano, há o risco da categoria pleitear um reajuste compensatório.

 

Ano IPCA Reajuste médio Pesquisa Sugestão Rabbit
2007 4,45% 6,80%
2008 5,90% 8,20%
2009 4,27% 9,30%
2010 5,91% 9,50%
2011 6,50% 10,00%
2012 5,10% 9,50%
2013 5,90% 9,50%
2014 6,50% 10,00%
2015 8,30% 10,50%
2016 6,30% 10,00%
2017 4,30% 8,90% 7,50 % a 10,50%

 

Outra sugestão é definir o índice de reajuste na véspera do lançamento oficial da rematrícula, no final de agosto, quando provavelmente as definições políticas e econômicas estarão mais claras.

O valor médio que as escolas pretendem aplicar de reajuste para o ano que vem, segundo a pesquisa de rematrículas realizada pela Rabbit Research, é em média 8,9%. A Rabbit sugere às escolas reajustarem seus valores entre 7,5% e 10,5%, para não correrem riscos, pois parto do princípio de que é melhor exceder um pouco o valor para depois, se tudo estiver bem, criar ferramentas de revisão, como descontos caso a caso, no material do segundo semestre, e outras formas de bônus, do que ficar com valores defasados ao longo de todo o ano de 2018.

 

Cláusula de segurança – A legislação vigente proíbe reajustar a mensalidade durante o ano letivo. Há interpretações jurídicas que podem assegurar um reajuste mediante autorização judicial após uma análise individual, caso haja algum cataclismo político ou econômico. Sugiro se prevenir e inserir uma cláusula que descreve essa situação.

Receba nossas matérias no seu e-mail


    Relacionados