Guia para Gestores de Escolas

Ciência e técnicas na violência em sala de aula

As sucessivas notícias sobre atos de violência dentro de salas de aulas permitem várias hipóteses para suas causas. Dentre as mais importantes, chamo a atenção para o que estes acontecimentos mais evidenciam. As falhas na prevenção para a possibilidade de agressões entre alunos e contra professores em um grau impensável até pouco mais de dez anos atrás.

Os dedicados profissionalmente a estes ambientes têm noção – mesmo básicas – do natural destempero da infância e adolescência, e de como poderiam lidar com tais casos, satisfatoriamente, em um contexto diferente do atual. Mas esta outrora agressividade estudantil virou conflito (até de famílias das escolas), caso de polícia e motivo de processos judiciais de toda ordem.

Há a constatação de se viver numa hostilidade dentro das escolas determinada pelas relações sociais do “mundo exterior”. Não cabe aqui se aprofundar nos vetores que incitam este quadro, mas demonstrar que se temos capacidades de perceber esse grau de influência negativa ao equilíbrio da nossa casa de ensino, algo precisa ser feito.

Até este momento, a forma de lidar com tais situações de forma a envolver todos numa escola é a adoção de programas de mediação escolar. Clara e objetivamente estruturados e publicizados para que a comunidade saiba que há, ao alcance de todos, um espaço ao qual recorrer nos momentos em que o problema pode estar se formando. A principal missão deste trabalho é constituir espaço para a auscultação dos fatos que interferem no ambiente. Ter subsídios para interpretação das informações que indiquem incômodos, descontentamentos, incitações, desavenças. Enfim, permita entender o que está começando a acontecer, processar o conjunto de informações e aferir o que pode vir à frente. Intervir, proteger e servir.

Sim, a missão educacional está maior e com mais responsabilidade.

Isso porque há sinais claros da necessidade de processos que estruturem um ambiente que “vigie” o “animus da comunidade escolar” capaz de gerar um tipo próprio de formação dos seus integrantes. Dessa forma, permitir que saiam da condição de observadores passivos críticos para a de atuantes que se importam em difundir a cultura de paz, e da importância da composição de conflitos para harmonizar o convívio e ensinar as vantagens e benefícios de usar a resiliência e suas técnicas no seu dia a dia. Enfim, construir soluções através do diálogo presencial entre os envolvidos e de atividades que expressam sentimentos com gestores, professores e demais integrantes da escola abertos a escutar e dialogar para disseminação de uma educação pela paz.

Uma escola viva é um ambiente onde há conflitos. Isso não é ruim. Faz parte. E lidar com os conflitos é a essência da aprendizagem explícita expressa em práticas que transferem conhecimentos, habilidades, atitudes, valores, emoções, significados e sensações. Viver é a aventura de enfrentar riscos. Aprender. Assim, o que se teme, então, é que um ambiente educacional inflamado pelo desequilíbrio ao seu redor determine a perca de controle sobre a aprendizagem implícita dos futuros cidadãos. Reativa, incidental, latente, alimentada pela forma como procedem os adultos, a educação implícita é a que transfere exemplos.

Portanto, precisamos definir que tipo de interpretação vamos dar ao poema de Antonio Carlos Belchior, pois também agora quem deu a ideia de uma nova consciência e juventude também está em casa contando o vil metal; devemos perceber – muito mais agora do que antes – o risco de nossos filhos serem os mesmos, ou, a pior versão de nós mesmos.

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