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Conversa com o Gestor — Kátia Martinho Rabelo / Colégio Magister – A ação educativa na parceria com as famílias

Matéria publicada na edição 88 | Maio 2013 – ver na edição online
Instituição criada há mais de quatro décadas na zona Sul de São Paulo, o Colégio Magister vem introduzindo uma série de inovações desde 2009, com destaque para as ações com a família e a adoção de processos de gestão na área pedagógica. Resultam daí, por exemplo, a criação da figura do professor tutor e a divulgação aos pais de seu plano diretor anual. Confira na entrevista a seguir com a diretora Kátia Martinho Rabelo.

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A trajetória da diretora Kátia Martinho Rabelo se confunde com a do próprio Colégio Magister, instituição criada pelos pais Alberto Palos Martinho e Ilka Ferreira Senise Martinho no Jardim Marajoara, zona Sul de São Paulo, há 45 anos. Kátia acompanhou a expansão da escola e hoje é uma das mantenedoras de um negócio que começou como curso de admissão e agora oferece duas unidades que se impõem na paisagem do bairro com ampla infraestrutura, como a brinquedoteca que reproduz uma minicidade, viveiros, hortas, quadras e um parque aquático para os pequeninos.

Graduada em Administração, especialista em Gestão e Recursos Humanos, Kátia acaba de se qualificar no mestrado do Programa de Pós-Graduação em Educação, área de Psicologia da Educação, pela PUC de São Paulo.

Segundo ela, “o tema da pesquisa é pensar a atuação de professores especialistas nas diversas áreas do conhecimento, mas que ampliam o olhar cuidadoso aos seus alunos para além da especificidade e por meio da atividade de tutoria”, introduzida pelo Colégio em 2009. Os professores tutores trabalham em todas as turmas do Fundamental II e Ensino Médio, sobre “questões socioafetivas, emocionais, cognitivas” dos estudantes relacionadas às atividades em sala de aula e aos compromissos extraclasse. Os tutores realizam pelo menos um encontro trimestral com o pai e/ou a mãe, visando dar apoio à aprendizagem. Os pais têm acesso ainda ao plano diretor anual da escola, a duas reuniões de formação no ano, ao Dia da Família Cultural (agendado, em 2013, para 18 de maio), aos encontros de final de trimestre, além de ações pontuais, como a Tarde das Avós, na Educação Infantil, e os programas Ciranda Cirandinha e Era Uma Vez (respectivamente, do 1º e 2º ano do Fundamental), entre outros.

Kátia explica que as estratégias introduzidas desde 2009 vêm no sentido de criar “um contexto favorável ao letramento e às novas abordagens em torno do conhecimento”. É preciso, acrescenta, “formar os pais dentro da escola”, para que compreendam “o quanto a educação tem mudado e o que está sendo oferecido para as crianças e jovens”, “um projeto favorecedor do aluno e da família leitora”. Paralelamente, a própria escola trabalha para mudar alguns de seus paradigmas e subsidiar uma nova postura entre os educadores, de forma a conduzir seu Plano de Gestão, que inclui metas até 2017.

Tudo é pensado dentro da perspectiva da moderna gestão organizacional, com planejamento, planilhas, previsão de custos e dos materiais necessários, além, é claro, de metas. Os mantenedores contam, inclusive, com consultorias para organizar o processo administrativo e viabilizar as necessidades pedagógicas. E entre as mudanças em curso, encontram-se a reestruturação dos parâmetros de avaliação dos estudantes e também dos professores, coordenadores e direção. “O gestor educacional não pode perder de vista o processo educativo e a viabilidades de suas ações”, no caso, voltadas a um projeto pedagógico de recorte humanista (O Magister faz parte de um grupo de escolas brasileiras filiadas à Unesco) e à formação integral do aluno.

Revista Direcional Escolas – Qual a proposta de educação do Colégio Magister?

Kátia Martinho – O Magister se define como uma escola humanista, no sentido de que valoriza a formação integral. O aluno não é só cognição, temos que pensar também no desenvolvimento social, biológico e emocional. Então, o Magister pensa de forma inclusiva e busca estratégias para que todos possam aprender nas suas diversidades, nas suas dimensões todas. Temos documentos que falam das aprendizagens mínimas necessárias para cada nível de ensino, com o compromisso interno dos professores.

Revista Direcional Escolas – Quais são essas estratégias?

Kátia Martinho – Temos buscado situações práticas de ensino cada vez mais inovadoras, como aproximar a família para que ela compreenda os novos processos educativos, para entender o processo de alfabetização e letramento, como se dá o conhecimento científico, o aprendizado de Matemática etc. As assessoras de Língua Portuguesa e Matemática já estiveram com os pais neste ano falando sobre como é esse novo fazer na área.

Revista Direcional Escolas – Você costuma dizer que se não houver um ambiente leitor também na família o resultado não acontece. Explique um pouco.

Kátia Martinho – Quando a gente traz a família para se formar na escola, é também para que tenhamos resultados na aprendizagem do aluno. É importante que o contexto familiar seja favorável, não que a gente vá dar responsabilidade para a família, mas é importante que dentro deste ambiente em que o aluno e a criança estão inseridos, haja um contexto de cultura e conhecimento.

Revista Direcional Escolas – Quando começou esse processo no Magister?

Kátia Martinho – A partir de 2009 começamos a desenvolver processos de gestão, e dentro dos trabalhos pedagógicos também. Eles não ficaram circunscritos à organização administrativa da escola. Temos ações pensadas até 2017. A família está contemplada neste plano, em como a formação vai chegar a ela para que possa entender esse processo. A gestão auxilia a atividade pedagógica, que é pensada em seus âmbitos conceituais, mas também em como vamos viabilizar, fazer, planejar e projetar essa ação.

Revista Direcional Escolas – Como é o trabalho do professor tutor?

Kátia Martinho – Estabelecemos que a cada trimestre todos os alunos precisam ser atendidos pelo professor tutor, que convoca o pai e faz o atendimento com a família, quantas vezes forem necessárias. Todos os pais de alunos do Fundamental II e Ensino Médio têm que ser chamados, não apenas daqueles que têm dificuldade. E monitoramos. A ação do tutor auxilia na inserção do aluno, pois muitas vezes este não consegue se organizar em sala de aula e em casa, e não se dá conta disso. Algo que o pai fazia antes e hoje não tem tempo de acompanhar mais. E a gente não pode culpar o pai, esse agora é o papel da escola. Não trouxe material, não fez lição de casa, o que está acontecendo? Esse é o material do professor tutor. Antes tínhamos orientadores fazendo esse papel, mas ganhamos muito agora com o olhar favorecido pelo grupo de professores, afinal, dentro da sala de aula, são os professores que devem atuar. O problema está na sala de aula, está nas ações educativas, então esse debate tem que se dar entre professores. A finalidade do professor tutor é olhar o aluno de forma integral e cuidar das aprendizagens, verificar o que está acontecendo, discutir com a família como está a rotina do aluno, o que está priorizando. Vamos cuidar das aprendizagens, esse é o novo foco.

Revista Direcional Escolas – Por que foi instituído o Dia da Família, rompendo a tradição de se comemorar de forma separada o Dia das Mães e Dia dos Pais?

Kátia Martinho – Há quatro anos rompemos com o Dia das Mães e o Dia dos Pais. A escola precisa incluir os sujeitos responsáveis pela formação da criança e a família tem hoje novas constituições. Mas o Dia da Família traz também a perspectiva educativa, falamos nesse dia da leitura, com várias oficinas, palestras, feira do livro, dramatização. Neste ano a leitura é o nosso convite para a família vir à escola.

Revista Direcional Escolas – Qual o perfil de gestão do Magister?

Kátia Martinho – Para gestar hoje precisa ter muita competência e responsabilidade. O princípio é zelar pela transparência das relações, pela idoneidade nos seus processos. No Magister tudo é público, adotamos essa premissa. Além disso, viabilizar as situações inovadoras demanda também pensar em como fazer. Precisa fazer um orçamento, prever verbas para investir em corpo docente, fazer projetos, pensar carga horária e os materiais necessários etc. Trabalho com diversas planilhas, minha formação ajuda muito nisso. Trazer os processos administrativos para a gestão pedagógica é muito importante, pois se não fizermos todo um cronograma de ações, os projetos não vão ser viáveis lá no final.

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 PERFIL DA ESCOLA / COLÉGIO MAGISTER

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colegio-magister2Localização: Rua Beijui, 100 (Unidade I) e Av. Eng. Alberto de Zagottis, 1301 (Unidade II). Jardim Marajoara, zona Sul de São Paulo

Mantenedora: O Conselho Diretivo é formado pelos mantenedores Alberto Palos Martinho e Ilka Ferreira Senise Martinho e os filhos Kátia Martinho Rabelo (Diretora Administrativa e Pedagógica), Karin Martinho Nogueira (Diretora Administrativa da Unidade II) e Marcos Alberto Martinho (Diretor Administrativo Financeiro).

Ciclos escolares: Do Berçário ao Ensino Médio. O Magister oferece ainda opção de Educação Bilíngue.

Regime de aula: Para a Educação Infantil e Fundamental I, a escola disponibiliza horário semi e integral. Há opção ainda de horário estendido aos pequeninos. O Fundamental II e o Ensino Médio ocupam o período matutino, mas este tem atividades no horário invertido.

Nº de alunos: 1.100 em 2012

Equipe: A escola emprega 333 colaboradores em todas as áreas (pedagógica, administrativa e de manutenção). Há 87 professores (18 tutores) e uma equipe de 12 profissionais que fazem a gestão pedagógica (coordenadores e assistentes). O Colégio possui ainda, no setor administrativo, coordenadores para eventos e comunicação, informática educacional, esportes, dança e artes marciais, entre outros. E conta com assessorias externas para as áreas financeira, fiscal, de gestão pedagógica, Língua Portuguesa, Matemática e Educação Bilíngue.

Mensalidades em 2013: De: R$845,00 a R$1.240,00

Instalações: As instalações do Magister são modernas e arejadas, dispondo de salas temáticas (Matemática, Artes e Ciências), laboratórios de Informática, Biologia, Física e Química, teatro de arena; quadras poliesportivas; horta; ampla biblioteca, brinquedoteca e parque aquático. A Unidade I possui 8.900 m2 e a II, 11.668 m2.

Por Rosali Figueiredo

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Kátia S. Martinho Rabelo
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