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Cultura da avaliação e da autocrítica: Especialista americano participa de seminário em SP

A educação agrega, em toda a sua estrutura, mudanças significativas em todo o seu corpo sociocultural. Interferências globais, processos e desenvolvimentos transitam com maestria nos polos educacionais, sobretudo na contemporaneidade, espaço que desloca nossa atenção a todos os movimentos e, consequentemente, reflete e potencializa as ações em todas as camadas que estruturam as instituições escolares e seus respectivos serviços – da administração a sala de aula.

Nos processos que envolvem a busca pela excelência no âmbito educacional, bem como a análise efetiva (e criativa), assim como o fomento do pensamento crítico, observamos a urgência de uma incorporação estratégica, com aspectos assertivos que, de certa forma, culminam em resultados, impactos e aprendizagens. Tendo como foco o pensamento avaliativo e a transformação social, ocorreu ontem, em São Paulo, o 14º Seminário Internacional de Avaliação, reunindo profissionais que trabalham em organizações do terceiro setor e do governo, além de especialistas e estudantes que atuam nos campos da educação integral, avaliação e pesquisa social.

O seminário, promovido pelo Itaú Social, Fundação Roberto Marinho, Instituto C&A e GIFE – Grupo de Institutos Fundações e Empresas, que ocorreu no Centro Cultural São Paulo, discutiu a necessidade das organizações sociais e escolas brasileiras estarem o tempo todo atentas às prioridades, estratégias, mensuração de resultados e impactos, para promoverem modificações sociais efetivas. E, com esse propósito, a programação do seminário contou com uma mesa de diálogo sobre avaliação e transformação social (com João Franca, Michael Patton, Naércio Menezes, Neca Setubal, Paulo Januzzi e Mônica Pinto) e o pensamento de Paulo Freire e sua influência na prática e teoria da avaliação (com Michael Patton, Moacir Gadotti, Vilma Guimarães e Thomaz Chianca).

A palestra magna trouxe a presença de Michael Quinn Pattonespecialista em avaliação e presidente da Utilization-Focused Evaluation (Avaliação Focada em Uso, em tradução livre) nos Estados Unidos. Considerado um dos pais da avaliação como disciplina e como campo profissional, Patton escreveu vários livros que são referência básica para avaliadores e pesquisadores sociais, incluindo “Avaliação Focada na Utilização”, na qual enfatiza a importância de projetar avaliações para garantir sua utilidade, em vez de simplesmente criar relatórios longos que não resultam em quaisquer alterações práticas.

Michael Quinn Patton, especialista em avaliação.

O especialista, em sua apresentação, abordou diversos eixos de seu conceito, como: avaliação como instrumento essencial de aprendizagem e de transformação social; avaliações de impacto podem (e devem) ser utilizadas em situações de alta complexidade, não estão restritas a apenas um método de pesquisa e são fundamentais para qualificar o processo de tomada de decisão; o “pensamento avaliativo” deve ser adotado de forma sistemática no dia a dia das organizações e dos projetos; as ideias de Paulo Freire influenciam de maneira significativa a prática e a teoria da avaliação.

Para ele, a consciência crítica, a união dos efeitos produção-ação, a integração de emoção-razão, além de compreender que toda pedagogia é política são pontos trabalhados pelo educador Paulo Freire que dialogam diretamente com as questões de avaliação – e a forma que ela é conduzida e teorizada. “Temos uma tendência a seguir um hábito, a pensar e mobilizar aquilo que faz sentido. Mas o que sabemos? O que é eficaz? É necessário pensar diferente e incluir conexões com um panorama global”.

Segundo Patton, a “pedagogia da avaliação” está alocada em uma transformação pelo todo, compreendendo alguns aspectos, como clareza, intenção, foco, sistematização, operação, processos, desfechos, ideias específicas, conclusões, competências culturais e engajamento no processo envolvido em cada avaliação. “Precisamos de uma teoria da transformação, pensando em como mudanças econômicas, políticas, culturais e sociais precisam ser ouvidas. E trabalhar além de projetos, transformar os sistemas em resultados, reunindo diversas perspectivas e perceber que a transformação educacional não surge de um processo isolado, mas de informações que surgem da interdisciplinaridade”.

Além da palestra e dos debates, a Fundação Roberto Marinho lançou o livro “Pedagogia da Avaliação e Paulo Freire: Incluir para Transformar”, reedição, traduzida e ampliada, da revista New Directions for Evaluation – “Novos Rumos para a Avaliação”, publicação oficial da Associação Americana de Avaliação (AEA). A obra foi organizada por Michael Patton e Vilma Guimarães.

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