Guia para Gestores de Escolas

Dica — Material Didático – Matemática

Matéria publicada na edição 62 | Outubro 2010 – ver na edição online

Como trabalhar a problematização e investigação.

O diagnóstico não é dos mais animadores. “Os indicadores de aprendizagem de Matemática no Brasil são muito ruins. Somente 33% dos alunos terminam o Fundamental sabendo o que precisam”, observa Kátia Stocco Smole, coordenadora do grupo Mathema, doutora na área pela Universidade de São Paulo e autora de “Ler, Escrever e Resolver Problemas”, em parceria com Maria Ignez Diniz (Editora Artmed, 2001). Dados mais recentes da Prova Brasil e do SAEB (Sistema de Avaliação da Educação Básica) apontam também que 25% dos estudantes concluem o Ensino Médio sem dominar o conteúdo do 5º ano.

Segundo Kátia, as causas residem na formação do professor, “insuficiente e distante da sala de aula, com pouco contato com a escola”. E também na ausência de um trabalho sistemático de formação. Mas as soluções estão ao alcance das escolas e dos professores, acredita a especialista, defendendo que se criem “espaços de problematização e investigação”, em que o docente se coloque como “alfabetizador de Matemática” e “instigue a produção do aluno”. Kátia avalia que o desempenho sofrível na área não decorre da “incapacidade do brasileiro aprender”, mas da “perda de clareza do que se precisa ensinar em cada série” e de inexistir, já na Educação Infantil, atividades mais orientadas para a matéria.

Para tanto, Kátia defende o uso de diferentes metodologias e recursos didáticos, como os jogos, as novas tecnologias de informação, quebra-cabeças, calculadoras etc. “De forma geral o ensino ainda é muito convencional e há bastante resistência à introdução dos jogos, embora os pesquisadores venham defendendo isso desde o século XIX”, diz. “É essencial mostrar ao aluno como se constrói o conceito, o jeito de pensar.”

Um dos recursos que Kátia sugere é a montagem de um laboratório específico. O Colégio Emilie de Villeneuve, localizado na Vila Mascote, zona Sul de São Paulo, aderiu à ideia já há um bom tempo e utiliza o espaço como uma forma de aproximar o conteúdo da prática. “A Iniciativa vem desde 1993, quando as professoras sentiram a necessidade de organizar concretamente e montaram um mercadinho com moedas, notas e produtos para trabalharem situações problema. A partir daí surgiu o laboratório, introduzindo-se materiais de acordo com as necessidades de aprendizagem”, relata a coordenadora pedagógica Sílvia Azevedo.

Composto por mesas coletivas, quadro branco e instrumentos diversos como sólidos geométricos, tangram, material dourado, fichas sobrepostas, ábaco, entre outros, o laboratório cria oportunidades “em que o aluno experimenta a Matemática, colocando em prática aquilo que o componente curricular propõe”, afirma. Conforme explica a sua assistente e professora do Fundamental I, Andreia Bragança Heringer, com o laboratório é possível vivenciar e sistematizar os conteúdos, bem como socializar as produções dos alunos. Ela cita, por exemplo, os móbiles desenvolvidos pelos estudantes do 4º ano, inspirados pela obra do artista plástico norte-americano Alexander Calder, em que puderam trabalhar conceitos como simetria e construções geométricas.

Para Daniela Cassiano, coordenadora do Programa Matemática Descomplicada, idealizado pela empresa Planeta Educação, o que falta aos professores hoje é se apropriar da metodologia com atividades lúdicas, utilizando-se para tanto de sólidos geométricos, ábacos, material dourado, trilhas numéricas, jogos, cartelas com operações, blocos lógicos e também confeccionando seus próprios materiais.

Saiba mais:

Colégio Emilie de Villeneuve
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Daniela Cassiano
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Kátia Stocco Smole
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