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Guia para Gestores de Escolas

Educação: é a vez dos “imagineers”

Por Peterson Theodorovicz

Ao pensar no último ano ainda fico surpreso com as especialidades e desafios que ele trouxe a cada um de nós. Durante esses meses sem precedentes, vimos muitas coisas inéditas. E tudo que vivemos e estamos vivendo me fez lembrar de uma palavra que Walt Disney usava: “imagineer”, que é aglutinação de duas outras palavras em inglês: “imaginar” e “engenheiro”. Para Disney e para nós, “imagineers” são pessoas criativas, com capacidade inventiva e visão de futuro.

Condoleezza Rice, ex-secretária de estado dos EUA, disse que as primeiras pessoas a fazerem algo são pioneiras porque decidem fazer algo que amam. Considero isso essencial. Na Educação temos pessoas que amam a educação, o aprender e os alunos. E este ano, devido às circunstâncias que vivemos, esse amor pela educação e pelos alunos fez com que se tornassem “imagineers” da aprendizagem. 

A primeira característica dos “imagineers” é fazer diferente, desafiar regras, ideias e preconceitos. A pandemia derrubou muitas barreiras de aprendizagem on-line. As desculpas para não ensinar e aprender à distância deixaram de importar quando os professores tiveram que passar por cima delas para salvar o ano letivo.

Assim como no ambiente profissional, em que muitos agora poderão optar por trabalhar de suas casas, os alunos também terão várias opções no futuro. As salas de aula ainda existirão, mas os alunos terão outras possibilidades. 33% dos dirigentes universitários, por exemplo, afirmam que oferecerão opções de aprendizagem on-line e remota mesmo depois que as aulas presenciais sejam completamente liberadas.

O segundo ponto sobre “imagineers” é que para fazer algo novo eles aproveitam suas habilidades e imaginação. Durante a pandemia vimos professores fazendo o impossível pelos alunos. Observamos professores do Ensino Fundamental transformarem suas casas em salas de aula criativas, instrutores corporativos melhorarem seus métodos para que as pessoas se mantivessem envolvidas, aprendessem e continuassem avançando em suas carreiras. Vimos professores do Ensino Médio ajudar os alunos que sofriam com o isolamento e solidão e falarem com eles para que soubessem que estavam ali para escutá-los e apoiá-los.

Os professores reagiram à altura. Adaptaram-se e deram as mesmas aulas de maneiras distintas para satisfazer a todos os alunos. Com certeza, os alunos acessaram a aprendizagem on-line graças à tecnologia, mas o verdadeiramente incrível foi ver sua habilidade e imaginação para mantê-los conectados a seus colegas, engajados e inspirados. Isso nos mostrou que, mesmo que a tecnologia nos leve além, o vínculo humano entre professores e alunos é essencial e sempre será a base da aprendizagem.

Devemos manter o que funcionou, mas isso não significa que não possa funcionar melhor. Por exemplo, precisamos ajudar os alunos que a pandemia deixou para trás. Mais de 25% dos alunos não alcançaram o nível necessário para passar às próximas séries, nem para se adaptar à sociedade. Não podemos permitir que esse atraso global de aprendizagem continue. E não podemos permitir que a tecnologia aprofunde as lacunas que existem entre nações pobres e ricas, ou entre pobres e ricos dentro de um mesmo país. Também não podemos permitir que a desigualdade de acesso piore a desigualdade racial. Alguns especialistas do Banco Mundial afirmam, que a menos que façamos algo, haverá uma perda potencial de USD 10 bilhões em receitas para essa geração de alunos. 

Então, chegamos ao terceiro ponto sobre as pessoas que são pioneiras em algo. Os “imagineers” são visionários incansáveis e transformadores tenazes do status quo. Eles escolhem enfrentar os grandes desafios. Me pergunto, quais desafios como “imagineers” da aprendizagem estamos dispostos a aceitar, não estamos dispostos a adiar e temos plena convicção de que vamos vencer? Já mencionei um deles: devemos resolver as desigualdades na Educação.

Antes da pandemia, a história da aprendizagem on-line girava em torno da digitalização da experiência da sala de aula. O trabalho agora será o de transformar a experiência educacional. Em outras palavras, à medida que reimaginamos a aprendizagem é importante usar a tecnologia para personalizá-la e humanizar a educação. Para os alunos isso significa personalizar a aprendizagem. Pela primeira vez, devemos centralizar de maneira orgânica e pessoal as oportunidades educacionais que giram em torno dos alunos, em vez de submetê-los à máquina educacional. Para os professores, isso significa ter mais tempo para conhecer e entender seus alunos.

Alguns já fazem isso, seja com a sala de aula invertida, com foco no desenvolvimento acadêmico, utilizando gamificação ou a educação baseada no domínio das competências. Ou seja, estão escolhendo usar as ferramentas a seu alcance para explorar um novo cenário educacional. Um cenário que humaniza a experiência. Porque mesmo quando fazemos algo novo, não podemos perder nossa conexão com a nossa humanidade. Não importa se a tecnologia nos leva além, nossa humanidade continua sendo o mais importante. Estou emocionado em ver o que teremos pela frente nas salas de aula e escritórios como “imagineers” do futuro. Como disse Amanda Gorman, “sempre há luz, se formos corajosos o suficiente para vê-la, se formos corajosos o suficiente para sê-la”.

Peterson Theodorovicz, Diretor da D2L no Brasil.

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