Guia para Gestores de Escolas

Educo Brasil: Gestão Estratégica no Ensino Básico Privado é tema de Encontro Inédito na Educação

Por Rafael Pinheiro

Caminhamos por um trajeto guiado pelo triunfo do efêmero onde as mudanças são enfáticas e os ciclos transitórios afetam todos os espaços sociais – inclusive o âmbito escolar. Inserida em um processo denso e complexo, a educação é a base de uma estrutura que desenvolve, progride, evolui e reconstrói a todo instante. E, sua capacidade de incorporar intersecções, habilidades, conexões e desafios é imensa – e deve ser analisada de maneira analítica.

Através de um cenário atual e repaginando, entrando em possíveis reconstruções significantes e reflexões profundas, o sistema educacional atravessa problematizações constantes, tanto na inserção de recursos tecnológicos, como avaliação do Ensino Médio, alterações em exames nacionais, verificação de currículo pedagógico, metodologia diferenciada e tantos desdobramentos que cercam as paredes das escolas diariamente.

E, com tantas alterações e prováveis transformações positivas, um dado de realidade transcende a sala de aula: as questões que envolvem a gestão, seus desafios, estratégias e condutas para propor uma qualidade a todo o mecanismo estudantil. Como as escolas se planejam para seus objetivos de longo prazo? De que forma tem captado novos alunos e assegurado a retenção dos que possuem? E que tratamento dão à gestão de inadimplência e aos recorrentes pedidos de desconto? Estas questões, que estão diretamente ligadas à maioria esmagadora das organizações do ensino privado tem um relevante denominador comum: são todas ligadas à gestão destes empreendimentos.

Com o intuito de promover intensos debates, aproximar diretores/gestores escolares e compartilhar estratégias que as escolas estão desempenhando para enfrentar realidades e desafios contemporâneos, a Blue Ocean organizou o EDUCO Brasil – Congresso de Gestão Estratégica nas Escolas Privadas, sendo o primeiro encontro executivo a debater as principais ferramentas de gestão e os resultados que podem promover para as organizações do ensino básico.

O evento, que aconteceu entre os dias 29 e 30 de setembro, levou ao Hotel Matsubara, em São Paulo, uma programação extensa de exposições interativas e sessões de debates. De acordo com Harry Guttmann, gerente de projetos da Blue Ocean, este é “o primeiro encontro executivo-empresarial com foco exclusivo em gestão de escolas privadas de educação básica, e foi idealizado para responder a uma demanda crescente das escolas por profissionalizar cada vez mais a sua estrutura administrativa”.

“Após um processo bastante detalhado de pesquisa com escolas privadas de todo Brasil, identificamos que, além desses, muitos outros desafios de primeira grandeza estão presentes nestes empreendimentos. E eles têm complementado de forma simbiótica todo um arcabouço pedagógico para garantir o sucesso – ou não – de diversas escolas com este perfil”, ressalta.

Segundo Harry, com a mudança no cenário econômico, nas relações sociais e com o avanço da tecnologia o mercado passou a exigir gestores educacionais atualizados nos conceitos, nas competências, nas estratégias e ferramentas de gestão. “Identificamos que a necessidade destas informações é algo recorrente entre as empresas do mercado, que reconhecem o valor deste tipo de debate e oportunidade de se encontrar e interagir, mas que, ao mesmo tempo, afirmam não existir hoje um espaço que permita uma discussão com essa proposta”.

PROGRAMAÇÃO INTENSA

O primeiro dia do evento (29) contou com quatro sessões de debates em diversos temas: “Desafio da Gestão Profissional”, com Bruno Belliboni (Diretor Executivo Administrativo do Colégio Pentágono), Bernardo Lagemann (CEO do Colégio Sarah Dawsey), Valseni Braga (Diretor Geral da Rede Batista de Educação) e a mediação de Miguel Thompson (CEO do Instituto Singularidades); “Gestão Financeira Estratégica”, com Marcio Brandão Pereira (Diretor CEB – Centro Educacional Brandão), Gabriel Alves (Diretor Geral Colégio Decisão), Fabio Lemmi (Sócio Gubio Consultoria, Strategy and M&A Consultants); “Uso Prático e Estratégico de Dados, Indicadores e Expectativas”, com Rui Gomes de Sá (Diretor Ao Cubo), Sandra Tonidandel (Coordenadora-Geral Pedagógica Colégio Dante Alighieri), Caio Carvalho (Business Development Manager Mind Lab Brasil) e moderação de Ricardo A. Madeira (Sócio Fundador Tuneduc); e “Tecnologia e Inovação na Sala de Aula: A Transformação do Processo de Ensino”, com Renato Júdice de Andrade (Diretor Geral Colégio Elvira Brandão), Ruy Guerios (Diretor Eniac), Marcelo de Freitas Lopes (Diretor de Tecnologia Educacional Weducation), João Lacerda (Mind Makers) e moderação de Tatiana Klix (Editora Porvir).

No segundo dia (30) cinco temas foram apresentados entre sessão de debates, sessão especial e short talk: “Sistemas Bilíngues como Diferencial Competitivo”, com Ana Célia M. Campos (Diretora Builders), Dea Almeida (Diretora Colégio das Américas), Denis Araújo de Oliveira (Diretor Colégio Batista de Vila Mariana) e a moderação de Celina Fernandes (Consultora); “Percepção de Valor e Diferenciais Estratégicos: Quais são os seus?”, com Mauro de Salles Aguiar (Diretor Colégio Bandeirantes), Claudia Xavier (Diretora Colégio Rio Branco) e moderação de Leandro Beguoci (Diretor Associação Nova Escola); “Os Desafios (e Soluções) na Captação e Retenção de Alunos”, com Vicente Carrari Rodrigues (Google), Gustavo Oliveira Fontes (Associação Educadora São Carlos), Harlei Florentino (Diretor Oswald de Andrade) e mediação de Paulo Serra (Diretor de Marketing Blue Ocean); “Um novo olhar sobre o mundo”, curta apresentação de Denyse Emerich, Coordenadora de Programa Educativo da Pinacoteca do Estado de São Paulo; “Sessão Especial: Gestão Estratégica na Prática”, com Stephan Younes (Diretor Grupo Marista), Gabriel Alves (Diretor Colégio Decisão), André Aguiar (CEO Eleva Educação), Eugênio Cordaro (Diretor Corus), Mario Ghio (Kroton) e Pablo Doberti (Diretor Grupo Santillana).

 

DESAFIOS DA GESTÃO PROFISSIONAL

A sessão de debates, com um painel de discussão entre painelistas e participantes com ampla interação, que deu início ao evento, abordou o tema: “Desafios da Gestão Profissional – Como Profissionalizar a Gestão sem Mercantilizar o Ensino”, com Bruno Belliboni (Diretor Executivo Administrativo do Colégio Pentágono), Bernardo Lagemann (CEO do Colégio Sarah Dawsey), Valseni Braga (Diretor Geral da Rede Batista de Educação) e a mediação de Miguel Thompson (CEO do Instituto Singularidades).

A primeira questão provocada no início da sessão foi a seguinte: Como desenvolver uma estratégia de gestão para um mundo que não estava preparado para a gestão escolar? A questão maior – ou sua reflexão – não deve ficar restrita à ordem pedagógica, mas da relação estabelecida entre educador e gestor.

“O desafio do gestor é sintonizar: primeiro conquiste a confiança da equipe e isso, por incrível que pareça, leva um determinado tempo. Para realizar certas mudanças, comece pela conversa, transparência, diálogo aberto entre todos – conquiste as pessoas”, disse Valseni Braga, da Rede Batista de Educação.

Bernardo Lagemann, do Colégio Sarah Dawsey, ressaltou a importância da união entre comunicação e educação. “Ninguém conversa com a escola do lado, todos são rivais e o que percebemos é o seguinte: ‘Como é possível fazer uma gestão sem se comunicar?’. Não é só falar, mas dialogar sobre propósitos ou remamos na mesma direção e não chegamos a lugar algum. ‘Como vou me comportar diante das mudanças?’, ‘Será que perdemos a autonomia e o poder dentro da sala de aula?’. Conversamos muito pouco sobre essas questões e o mercado muda a cada momento e você precisa estar preparado para essas transformações”.

Complementando a fala de Bernardo, Bruno Belliboni, do Colégio Pentágono, afirmou que a comunicação é a palavra-chave, além da gestão e cultura do colégio. “Implementar a gestão cria um movimento cultural, assim como o valor do planejamento, da gestão em si e de todos os seus desdobramentos. É importante pensar em uma cultura institucional, exemplos a serem seguidos. Cultura traz desafios e é preciso saber quais culturas estamos dispostos a enfrentar”.

Aliado ao conceito de cultura institucional, Bernardo Lagemann ressaltou a identidade institucional como um fator relevante e, infelizmente, ausente nas escolas. “O que falta na escola é a sua identidade e a partir disso, ajustar seu processo para atingir uma referência, o que de certa forma coincide com seus valores. Definindo com clareza sua identidade, terá alunos/família/comunidade escolar engajados e felizes com sua metodologia. É interessante olhar de fora para dentro e questionar: O que nós somos? O que estamos fazendo para uma educação de qualidade para o aluno de hoje? E, através disso, traçar um planejamento estratégico”.

Acesse o site do EDUCO Brasil e conheça mais sobre o evento: http://www.educobrasil.com.br

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