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Especial Digital – Era Tecnológica: Ferramentas e aplicativos mobilizam o âmbito educacional na contemporaneidade

Por Rafael Pinheiro / Fotos Divulgação

“Ferramentas como celular, tablet e games permitem aos estudantes compartilharem, comentarem, questionarem, criarem e não mais decorarem, fazendo com que estabeleçam uma nova relação com o conhecimento”, defende Celso Hartmann, Diretor Geral do Colégio Positivo

A atualidade está cercada (e conectada) em múltiplas redes. E, desta afirmação, não surgem questionamentos ou indagações negativas – pelo contrário. Atravessamos a era tecnológica e a ideia de conexão guia e reitera todos os vínculos sociais de uma maneira quase instantânea, com atributos facilitadores, ferramentas que adaptam às nossas realidades/necessidades, notificações aceleradas e interações cada vez mais digitais.

Nos últimos anos, em especial, os debates que compunham estudos densos e pesquisas técnicas sobre os impactos tecnológicos na vida social, sobretudo na educação, cresceram em eventos, simpósios, diálogos, feiras e congressos. Hoje, o mundo digital é um dado de realidade e a interrogação se devemos ou não utilizar a tecnologia no ambiente escolar perde seu sentido. Assim, a pergunta que suscita é: como utilizar essas ferramentas de maneira dinâmica e produtiva?

“Quando analisamos, com uma visão mais ampliada, o que a sociedade e o mercado esperam dos futuros profissionais, vemos que estamos apenas no começo de uma revolução que vai transformar a maneira como nossos filhos e netos vão aprender daqui para a frente. Temos a responsabilidade de ajudar nossas crianças e jovens a se prepararem para esse futuro”, diz Celso Hartmann, Diretor Geral do Colégio Positivo (PR).

A Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO), em um trecho do documento “Diretrizes de Políticas para a aprendizagem móvel”, afirma que “as tecnologias móveis podem ampliar e enriquecer oportunidades educacionais para estudantes em diversos ambientes”.

Dessa forma, na avaliação do diretor Celso, tanto smartphones quanto tablets podem ser adaptados para a discussão de assuntos contemporâneos, ou até mesmo o uso do WhatsApp para promover discussões entre duas salas. “Porém, para surtir efeito, é preciso estabelecer um ‘contrato’ com os alunos, definindo as regras de uso”, adverte.

Com as recentes transformações socioculturais e as alterações dinâmicas em diversas esferas, especialmente na educação, as novas tecnologias garantem (e estimulam) novos processos, gerando resultados cada vez mais positivos. “Com a disseminação dos smartphones, escolas, governos e demais instituições se voltam para potencializar essa tecnologia na melhoria do ensino e da aprendizagem. Assim, o aumento do número de aplicativos educacionais é inevitável, contribuindo de forma explícita para o crescimento do nível de ensino e ampliação do acesso à informação”, conta Pedro Fillizola, especialista em tecnologia para área de educação.

Segundo o especialista, com os aplicativos, além de tornar o acesso mais fácil aos conteúdos apresentados pelo gestor escolar ou professor, “é possível administrar os alunos que consomem os materiais e conferir se são realmente efetivos dentro das salas de aula. Além disso, é possível oferecer materiais complementares, mais dinâmicos, inovadores e engajadores, que atraia e retenha alunos na instituição”.

PLATAFORMA ADAPTATIVA

Tendo como princípio básico o engajamento dos estudantes e a utilização dos mais avançados recursos – dentro e fora do colégio – o Elite Rede de Ensino (RJ) utiliza, desde 2015, um aplicativo com tecnologia adaptativa que resulta em um apoio pedagógico. O desenvolvimento do aplicativo, realizado pelo próprio colégio, possui funcionalidades divididas por perfis específicos, como: aluno, professor, responsável, diretor e coordenador.

Elite Rede de Ensino (RJ)

No aplicativo para o aluno, é possível visualizar boletins, planos de estudos e recados que o colégio envia para ele ou para os responsáveis. “Já na parte interativa, o aluno tem jogos educacionais, para aprender se divertindo; e tem a plataforma adaptativa, que, como diz o nome, se adapta ao que o aluno tem dificuldade. Ele recebe uma lista de acordo com a aula que ele teve naquela semana”, explica Jonas Stanley, Professor e Vice-diretor Pedagógico do Elite Rede de Ensino.

E, caso o aluno tenha muita facilidade, conta Jonas, a plataforma também se adapta a ele, criando listas de nível cada vez mais alto, incentivando também o aluno com mais facilidade. “Sempre fazemos comparações com os alunos que mais usam e os que pouco usam o portal. O desenvolvimento do aluno que fielmente usa o portal chega a ser 70% superior ao que não usa. Além disso, a plataforma tem várias atualidades, deixando sempre o aluno a par das discussões que estão em voga no momento”, ressalta.

TECNOLOGIA PEDAGÓGICA

Com uma trajetória baseada na formação dos estudantes sob princípios como cidadania e respeito, além de conceber líderes críticos em um ambiente acolhedor e cristão, o Colégio Divino Salvador, que possui unidades em Jundiaí e Itu (ambas em São Paulo) observa com atenção as movimentações sociais e tecnológicas – e como, de fato, as interferências digitais podem refletir no processo pedagógico da instituição.

Colégio Divino Salvador (SP)

Através dessa ideia, um professor de história do Colégio Divino Salvador da unidade de Jundiaí, encontrou um uso produtivo para os celulares e tablets em sala de aula, potencializando a atenção de seus alunos às suas explicações. Washington Fernandes criou o aplicativo “Professor Tom”, como é conhecido, para celulares, tablets e computadores, onde disponibiliza, entre outras coisas, os conteúdos de sua disciplina, trabalhados em aula.

Segundo o professor, os alunos encontram maior facilidade em dominar alguns conteúdos quando são apresentados em fontes visuais (imagens, vídeos), sonoras (áudios) e escritas, e que essa percepção norteou o desenvolvimento do aplicativo. A ferramenta é composta por diversas abas com diferentes títulos e “cada uma remete a uma possível fonte de divulgação de conhecimento, como textos de apoio, áudios históricos, imagens ou vídeos. Evidentemente, os materiais históricos disponibilizados no app estão diretamente vinculados aos conceitos trabalhados previamente em sala de aula”.

Além disso, o aluno tem acesso a questionários específicos, com perguntas que já caíram em vestibulares e no Enem, e que podem ser resolvidas e corrigidas pelo próprio aluno, a partir do gabarito incluído ao final do banco de questões. Assim, é possível mensurar seu domínio sobre temas-chave do conhecimento histórico.

Disponibilizado de forma gratuita desde abril de 2015, o aplicativo, em constante aprimoramento, já tem mais de 50 mil downloads. “E não é só no Brasil que as pessoas baixam a ferramenta. Estudantes de países como Portugal e Espanha também fazem uso do aplicativo”, acrescenta Tom.

APROXIMAÇÃO ENTRE FAMÍLIA E ROTINA ESCOLAR 

Fundado em 1954 e localizado na região sul da capital paulista, o Colégio Franciscano Pio XII, possui em sua estrutura educacional a formação de gerações alinhando o conhecimento acadêmico e a constituição humana, compreendendo cada aluno e aluna como agente ativo da transformação social. Observando o dinamismo pautado pela transformação digital, o colégio adotou, em 2016, o aplicativo “Pio XII” – utilizado com o objetivo de conectar mães, pais e responsáveis à rotina das crianças na escola.

De acordo com Fátima Lopes Miranda, Diretora Adjunta do colégio, a comunicação via app é rápida e permite que pais e responsáveis fiquem ainda mais próximos da rotina dos estudantes. “As famílias acompanham, em tempo real, por meio de fotos, vídeos e mensagens, o processo de aprendizagem do aluno. Desta forma, elas participam ainda mais desse trabalho, uma experiência sem dúvida positiva para todos”, explica.

Através do aplicativo, os usuários recebem no celular informações sobre as atividades que os filhos estão desenvolvendo. A frequência das postagens mostra desde a hora do lanche das crianças até atividades pedagógicas dos adolescentes – dentro e fora da escola. A interação online permite ainda confirmar presença em reuniões, receber mensagens, lembretes e circulares, entre outros.

“Com o aplicativo, temos um relatório gerencial de quem acessou, quem baixou as fotos, quem recebeu os comunicados, quem confirmou presença nas reuniões etc., o que também permite à escola agir e comunicar-se de forma mais efetiva”, completa a diretora. Os professores e coordenadores realizaram treinamento para utilizar a ferramenta tecnológica, que iniciou em 2016 para a Educação Infantil e a partir de 2017 ficou disponível para todos os segmentos.

AGENDA DIGITAL

Com a variedade de aplicativos, observamos o crescimento de agendas digitais nas escolas que permite, entre outras funcionalidades, uma comunicação assertiva e eficaz entre instituição de ensino e pais/responsáveis. “Por sem um app, os pais têm nos celulares e, com isso, o acesso rápido às mensagens enviadas pela escola/professores”, diz Talita Moretto, Gerente de Tecnologia Educacional do Colégio Sepam, localizado em Ponta Grossa (PR).

Colégio Sepam (PR)

A agenda, conta Talita, é utilizada na Educação Infantil e no Ensino Fundamental I (1º ao 5º ano) do Sepam. “Na Educação Infantil, sua principal finalidade é enviar a rotina diária da criança. E no Fundamental, os conteúdos das tarefas e das provas. Para ambos os segmentos utilizamos a agenda também para recados gerais e de atividades realizadas pelo colégio. Além disso, por meio da agenda os pais têm canal de comunicação direta com os professores”.

Já no Colégio Renovação, instituição de ensino que existe há 34 anos e possui unidades na capital de São Paulo e no interior do estado, toda a comunidade escolar está inserida na plataforma utilizada pelo Google, mas os aplicativos que se vinculam à Agenda são mais utilizados pelos alunos do Ensino Fundamental I, Fundamental II e Ensino Médio.

Colégio Renovação (SP)

“A verificação de quais tarefas realizar, os prazos de entrega de trabalhos, as datas, bem como os conteúdos de avaliações ficaram muito mais ágeis e disponíveis. As facilidades oferecidas certamente encantaram os alunos que, aos poucos, estão deixando de utilizar agendas de papel”, ressalta Paula Hossepian Salles Lima Lotto, Coordenadora Pedagógica do Fundamental II do Colégio Renovação.

A plataforma tecnológica – que começou a ser implantada em 2016 pelo colégio e, desde então, a instituição acompanha todos os avanços e atualizações das ferramentas disponíveis – destaca pontos significativos no cotidiano escolar. “A agilidade em passar informações, que ficarão registradas em um local de acesso fácil, é uma das grandes vantagens do uso da agenda digital. Outra funcionalidade muito utilizada é a possibilidade de associarmos as agendas de alunos, pais, professores e coordenação para marcarmos atendimentos, aulas extras e outros eventos escolares”, aponta Paula.

A praticidade no ambiente virtual, bem como a concentração de tarefas, compromissos e interações entre comunidade escolar e família, emergem na atualidade de maneira considerável. “Certamente não se pode negar o avanço tecnológico atual e a educação necessita, de forma prudente, acompanhar tal desenvolvimento”, completa Paula.

 

Saiba mais:

Celso Hartmann – [email protected]

Fátima Lopes Miranda – [email protected]

Jonas Stanley – [email protected]

Paula Hossepian Salles Lima Lotto – [email protected]

Pedro Fillizola – [email protected]

Talita Moretto – [email protected]

Tom Fernandes – [email protected]

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