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Guia para Gestores de Escolas

Estudos do Meio — Vivenciar o que se estuda

Matéria publicada na edição 94 | Dezembro  2013 – ver na edição online

Não importa a idade, todos gostam de passear. E não há melhor meio de prender a atenção das crianças do que levá-las para passeios educativos. Estudos do meio é uma ferramenta metodológica auxiliar no cotidiano pedagógico, que possibilita uma experiência que agrega vida à teoria estudada em sala de aula. Aprender passeando. Em geral, essas experiências ficam gravadas na memória do aluno, afinal quem não se lembra do seu primeiro passeio escolar ao Zoológico, por exemplo? Quando se aprende de forma natural e de maneira prazerosa, a teoria se fixa melhor e o aluno absorve com mais clareza as informações passadas pelo professor. Teresa D’Angelo – Coordenadora Pedagógica da Educação Infantil ao Ensino Fundamental I do Colégio Vital Brazil explica “As atividades interdisciplinares possibilitam aos alunos o desenvolvimento de uma visão própria do mundo, por meio da interação com perspectivas da realidade que vão além dos livros, combinando os trabalhos das várias áreas do conhecimento, para que os conteúdos se inter-relacionem”.

Não há uma faixa etária ideal, o que se deve levar em consideração é o tema em questão e de que maneira este será explorado. A assessora pedagógica da Universidade de Cuiabá (UNIC), Antonia Gedy Simões Pires explica “Por se tratar de um estudo do meio e pela necessidade de apresentar o resultado das reflexões e ganhos de aprendizagem, penso que seria interessante que o estudante estivesse já com um bom nível de produção escrita. Contudo, é possível realizar o estudo do meio com a mediação da professora em grupos de crianças que não estejam com a escrita bem desenvolvida. Nesta perspectiva, o resultado das reflexões, ao invés de escrito, pode ser explorado verbalmente”. É primordial que haja um planejamento, conversar com os alunos sobre os assuntos a serem explorados, estudar o tema em sala de aula, conhecer previamente o local a ser visitado e traçar um roteiro de ações a serem exploradas in loco, promover o debate e possíveis soluções de problemas do assunto em pauta.

Onde levar a turma?

Quando se fala em estudos do meio, as possibilidades a serem exploradas são muitas. Mas procuramos especialistas para nos dar dicas sobre onde levar os alunos para que possa ser proporcionada ao estudante a construção de ligações entre as diversas áreas do saber, acerca do tema escolhido.

A professora do curso de Pedagogia da Faculdade Atenas Maranhense (FAMA) em São Luís – MA, Karla Mamede destaca “A escolha do local depende muito da faixa etária dos alunos, grau de instrução e dos conteúdos que estão sendo trabalhados. No geral, é importante que os alunos conheçam como a sociedade se organiza visitando órgãos públicos, por exemplo, e entidades de caridade. Sugerimos locais que representam os movimentos culturais  e monumentos históricos (museus, teatros e outros). São bastante explorados também ambientes naturais como praias, zoológicos, parques e empresas com atividades financeiras e filantrópicas. Como atuo na área de educação infantil, sempre levo meus alunos para a praia do Araçagy (localizada no município São José de Ribamar, vizinho a São Luís), onde exploramos a preservação dos manguezais. Visitamos também o museu Casa de Nhozinho (um dos maiores pontos turísticos do Centro Histórico de São Luís), localizado no centro histórico da cidade, a Assembleia Legislativa, para que os alunos tenham uma percepção acerca da organização política de nossa cidade, e supermercados, para oportunizar conhecimentos financeiros e outros”. Antonia Gedy Simões Pires complementa “Uma estação de tratamento de água pode ser tão interessante quanto ver uma nascente de um rio; uma cooperativa de produtores de alimentos naturais também pode ser tão interessante quanto uma fábrica de alimentos; só para citar algumas possibilidades. O mais importante é o quanto os professores consigam explorar a temática”.

Antonia Gedy afirma que o professor tem papel fundamental nessas atividades interdisciplinares, pois todas as etapas do projeto devem ser discutidas com os alunos e professores, de modo a ficar claro a todos o quão rica é aquela oportunidade para  a aprendizagem. Os registros escritos e fotográficos são muito importantes para que, retornando à sala de aula, se possa ainda tirar dúvidas e realizar a síntese provisória dos assuntos trabalhados. Segundo Karla Mamede “O papel do professor é de suma importância, pois ele é o responsável pelo planejamento e pela mediação das atividades e aprendizagens propostas. Assim, o professor deve planejar atividades criativas e atrativas que promovam transformações práticas a favor de uma sociedade mais humanizada, justa e solidária. Devem também promover a participação de todos através da conscientização da importância de sermos cidadãos conhecedores e participativos dos problemas sociais, econômicos e políticos”, diz. Cátia Rodrigues, mestre em Comunicação e Letras e Doutora em Língua Portuguesa fala sobre a importância da atividade interdisciplinar “Ela possibilita um enfoque mais abrangente das diferentes disciplinas em diálogo permanente, com a abordagem de temas relevantes na construção do conhecimento”.

SAIBA MAIS:

Teresa D’Angelo    [email protected]

Antonia Gedy Simões Pires – Universidade de Cuiabá (UNIC)

Karla Mamede   [email protected]

Cátia Rodrigues [email protected] ou [email protected]

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