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Revista Direcional Escolas
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(Falta de) inglês que barra o desenvolvimento

Em 26 nov, 2019
Colunas e Opiniões

A globalização do mundo dos negócios transformou o que há algum tempo era uma exceção, em regra. Até pouco tempo atrás, o conhecimento de outro idioma que não o nativo era visto por empregadores como um grande diferencial no currículo. Já nos dias de hoje, ser fluente passou a ser um requisito mais que obrigatório.

Isso é ainda mais latente quando levamos em consideração o inglês, que é conhecido atualmente como a língua que conecta a sociedade global. Ele é o meio principal para comunicação com os pares, fornecedores, clientes e parceiros alocados em diversos países e que atuam com operações internacionais. Seu domínio ganha cada vez mais um status de importância similar à formação acadêmica.

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Além disso, essa dinâmica do mercado fez com que o idioma fosse também mundialmente usado para os estudos e lazer, se tornando uma das línguas mais faladas mundo a fora. No universo acadêmico, por exemplo, as maiores universidades do mundo adotaram currículos lecionados totalmente em inglês, mesmo nos países em que ele não é nativo, como é o caso da Espanha, por exemplo. Isso vem acontecendo cada vez mais graças aos movimentos de internacionalização do Ensino Superior, que atualmente ganhou espaço e força no Brasil.

E, apesar de ser o idioma mais falado no mundo corporativo, o inglês ainda é visto como uma barreira para os estudantes brasileiros. Para entender a dimensão dessa realidade, o programa Ciência sem Fronteiras precisou, nas primeiras turmas, retornar ao País bolsistas que estavam estudando em locais como Estados Unidos, Inglaterra e Canadá por conta da falta da fluência na língua para acompanhar as aulas e pesquisas.

E não é surpresa para ninguém que a proficiência do país ainda é muito baixa quando comparado com o restante do mundo e com a própria América Latina. Uma pesquisa chamada “Inglês no Trabalho”, conduzida pela QS Intelligence Unit, que atua com coleta de dados do mercado empregador e de educação, com empregadores de países não nativos no inglês concluiu que, dentre os países pesquisados na América Latina, empatamos com a Argentina na posição mais baixa. México, Chile, Colômbia, Venezuela e Peru, nessa ordem, são os melhores colocados, inclusive com índices maiores do que o mundial.

Dentre outros fatores, isso acontece porque ainda estamos em construção de um cenário mais igualitário quando falando a respeito do domínio do idioma, o que representa uma grande oportunidade de negócio para as instituições. Dados da Associação Brasileira do Ensino Bilíngue (Abebi) em 2018 mostram que entre 3% e 4% das escolas privadas já entraram nesse formato, o que representa um universo de cerca de 270 mil estudantes. Considerando os últimos cinco anos, o mercado das particulares formais cresceu 2% ao ano, em média, enquanto a fatia que investiu no bilinguismo se expandiu a índices entre 6% e 10%.

Ainda de acordo com as estimativas da Abedi, o movimento de parcerias para o desenvolvimento dos programas bilíngues representa uma movimentação em torno de R$270 milhões por ano.

Estamos vendo cada vez mais esse movimento com representatividade. As mudanças na Base Nacional Comum Curricular que precisam ser implementadas até o próximo ano só reforçaram ainda mais a necessidade de pensar a língua como estratégica frente ao mundo globalizado que habitamos e à competitividade que as crianças de hoje viverão no futuro.

Mas, também observamos que, no final deste processo, ainda são poucos os brasileiros que conseguem atingir seus objetivos e se comunicar com desenvoltura, dentro do nível pretendido. Mais do que ser obrigatória, é preciso de planejamento e organização da disciplina, levando em consideração estrutura necessária, carga horária adequada e currículos alinhados aos parâmetros internacionais de proficiência. Com isso, conseguiremos dar um passo muito grande e até então inédito para o Brasil.

A começar pelos professores, cujo preparo e capacitação são primordiais para alcançar a eficiência no processo de ensino da língua para os alunos. Isso porque, com o investimento e suporte necessários para o desenvolvimento de habilidades essenciais para lecionar e se adaptar à nova realidade digital, a disciplina tende a ser trabalhada de modo profundo e que contemple a exploração de todas as capacidades. Os profissionais que são melhor ambientados tendem a trabalhar com o aprofundamento necessário para que os alunos tenham uma base sólida do conhecimento, que irá amparar seu uso por toda a vida.

Se esse suporte não for fornecido pelas esferas de gestão, a consequência é que sem estímulo, o aluno não se sinta motivado a praticar ou a ir além dos seus desafios e esse cenário torne-se cíclico.

Essa é uma mudança que pode gerar um grande impacto no futuro dos estudantes. Ao ter contato com programas educacionais bem fundamentados e construídos e ainda no Ensino Fundamental, as chances de aproveitamento total são maiores e, com isso, teremos cidadãos preparados para colocar em uso o segundo idioma cada vez mais jovens. Então, dessa forma, iniciamos uma geração que, além de ter melhores condições de concorrer em situação de igualdade com pessoas de qualquer nacionalidade quando consideramos os processos seletivos de universidades ou empresas no exterior, também vai transmitir mais conhecimentos para as gerações que estão por vir e vai elevar cada vez mais os níveis de produtividade no país.

Mas, para apoiar essa mudança e chegar no resultado ideal, será necessário também evoluir o conceito que a nossa cultura tem sobre avaliação. Nós ainda lutamos para encontrar o caminho certo na atual prática educacional para medir e relatar resultados e será necessário repensar pontos como por que devemos avaliar, o que avaliar e como avaliar para coletarmos dados sobre os resultados do processo de ensino e aprendizagem em uma instituição no dia a dia para promover mudanças mais rapidamente caso o programa não esteja fluindo da forma esperada. Esse processo de monitoramento deve fornecer informações que nos permita fazer alterações importantes ao longo do percurso.

Dessa maneira, contribuiremos não apenas para o individual, mas muito mais para o coletivo, ao desenvolver uma sociedade mais fluente e preparada para lidar com a demanda profissional do mundo globalizado.

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    Alberto Costa

    Alberto Costa é gerente sênior de avaliação de Cambridge Assessment English com atuação nas Américas. Com sólida formação em ensino de inglês, suas principais qualificações incluem o Cambridge RSA Diploma for Overseas Teachers of English (DOTE) e uma especialização em formação de professores (PRINSELT) do College of St. Mark & St. John em Plymouth, Reino Unido. Em mais de 30 anos de carreira, trabalhou na área de English LanguageTeaching (ELT) como professor de inglês, com formação continuada de professores de inglês, como consultor acadêmico e também atuou como tutor formando professores para as certificações de ensino CELTA e Delta, de Cambridge Assessment English.

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